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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Logo ali, no futuro...


Acordo assustado, amanheceu e a cama está vazia.

Rolo até o outro lado da cama apenas para me enrolar no teu calor, para sentir teu cheiro tão presente no travesseiro.
Rápida a memória aviva o gosto do teu corpo;  em resposta, a boca saliva o desejo de ter você em mim, mas amanheceu...


Saiu da cama, caminho lenta e preguiçosamente até a sala...

Você está sentado, de cueca, lendo Gaarder.
O sol da manhã ilumina teus desenhos, banha tua pele e aquece meu coração...


Os óculos, o café, o cachorro deitado no chão, você tão presente na distância da entrega, o silêncio, tudo tão espontaneamente milimetrado, cada coisa a seu lugar, minha prova de que o paraíso cabe em pouco espaço e pequenos raios de sol da manhã...



Eu fico ali, parado, eternizando.



E então eu entendo, amores de uma madrugada devem nos inundar em doses homeopáticas, se possível.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

preces de domingo...

bendito seja esse ladrão que é o tempo.
no tempo certo,
ao certo que ainda dará tempo.
bendito seja...

benditas sejam tuas cores,
teus desenhos e tuas artes,
benditos sejam teus cantos de ninar
teu martírio ao acordar...

benditas sejam as vontades,
as necessidades em despir,
em descobrir,
e ventar...
bendita seja a necessidade de inventar esse sentimento,
e se não sobrou tempo para nos amarmos, 
que o tempo nos permita amar o que ele nos deu.
o muito que nos ofereceu,
que caiba tanta liberdade em uma cama só...

bendito seja o nosso Pai, 
benditas sejam as ligações,
as intervenções, interjeições,
benditos sejam os silênicos...

benditas sejam as noites que se repetirão,
benditas as manhãs com cheiro de café,
bendita seja minha fé...