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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

dos que foram sem sair e dos que chegaram sem estar

...
perdoe meus atrasos, e eu continuarei te esperando...
eu vou organizando as coisas até você ficar pronto,
a casa estará em ordem, prometo.
faça mais por mim, procure e esqueça coisas,
não me pergunte sempre o que eu quero, às vezes eu também não sei,
às vezes eu nem quero nada.
Pare! não me olhe sempre como quem me vê por completo,
não saiba tanto de mim.
mas não me olhe se não for com verdade,
se não for para enxergar quem eu sou, meu raso e meu profundo,
esmiúce meus abismos e corra em minhas planices,
abrigue-se em minhas cavernas.
me seja, mas se pertença.
saiba que nem sempre vou querer sexo,
mas nunca levarei a vida sem gozo.
sorria sempre que possível,
e chore quando sentir a confortável necessidade disso
gosto das manhãs ao seu lado, mas to pensando em algo maior
um tempo que ainda não sei medir.
sim, vamos brigar;
mas não, eu não te odeio, apenas minto bem.
direi que te amo, e você ira ficar com medo.
entendo, eu também ficaria, me conheço.
minhas verdades mutáveis às vezes insistem em ser estáticas,
nem vou continuar mudando.
sejamos dois,
somar sempre é mais bonito que igualar.
e então seremos livres, mesmo atrasados em chegar.
...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Das prisões que a liberdade impõe...

eu odeio essas palavras que não saem,
esse silêncio que aperta,
e odeio essa falta de espaço que o vazio acentua.
odeio tanto essas lagrimas que não caem,
e odeio o tempo que não cura, que não sara e nem para.
eu odeio tanto.



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Te quero defeitos...

eu escuto seu silêncio,
e calo em dores de não poder gemer;
me perco em seu cheiro,
no seu francês bêbado,
nos seus braços tímidos,
e me prendo a você.

me busco em palavras que não digo
que não ouço,
em profundezas que ainda não tive.

te arranco coisas que quer me dar,
regozijo em beijos,
somos dois tão um,
tão pedaços,
fragmentos mal colados,
somos tantas verdades veladas

não em nós medos que não se escondam em mentiras,
e nem verdades que a proximidade não revele.
não machuque meu coração sendo metade,

te quero defeitos.


eu ainda sinto seu gosto perdido em meio ao vinho,
e as horas da madrugada são eternas sem o seu saber,
onde sua música?
onde estão teus interiores?
te quero defeitos,

grite comigo!
reclame, me ensine a te perder...


na cama, diga mais uma vez que sou fácil,
e depois me peça um abraço.

diga "boa noite",
suspire em meus braços,

e vamos dormir,
ha uma eternidade até a luz voltar.

Dos passados que foram presentes...


Dos diálogos que não existiram, que só eu tive...







- Eu te amo...

(risos de canto de boca, suspiros que enchem o silêncio e o vazio...)

- Maluco, você não deve me amar...



(Silêncio)


(Mais silêncio...)

- Teu nome ainda está na minha geladeira...



(Risos velados de domínio, de certeza...)

- E no meu coração, que agora está quente... Nunca estará em outro lugar se não em mim... Ainda que teu nome esteja em outras bocas, outras esperanças... Somos um.

- Repito, não deverias...

- É, eu não deveria...


domingo, 27 de julho de 2014

do verbo permitir

sinto sentimentos,
sinto essas coisas desde que aceitei me perder em seus olhos inquietos.

sinto arrepios,
os sinto desde que permiti que meu colo fosse seu berço,
desde que admiti ser ele meu terço, 
meu um terço,
prece e pedaço.

sinto coisas,
as sinto desde que encontrei em seu cheiro a ambiguidade do conforto e a excitação que só o prazer pode dar...

sinto novidades,
há no encontrar dos lábios um novo sentido para a vida.

sinto tanto...
sinto muito...


só não sinto vergonha...


amo.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Uma vida para morrer...

Uma das poucas, se não a única certeza que podemos ter em vida, é a morte física. Sim, todos iremos morrer. Uns morrerão de forma rápida, indolor; outros arrastarão esse processo por todo tempo possível, tornarão ele doloroso, e chegarão ao ponto de ambicionar a morte o que os livrará da dor que sentem e que estendem ao seus amados. Fato é, que nunca estamos verdadeiramente preparados para “vivermos a morte”, seja rápida ou não, seja ela nossa ou dos que amamos.
Falar em morte sempre é tabu. A morte sempre possui muitas interpretações,  é vista de diferentes formas em diferentes culturas, mas em todas ela traz um misto de saudade e renovação. Sim, renovação. Onde houver a morte da árvore haverá adubo e espaço pra a nova planta nascer.
Pois bem, vamos nós falar em morte, na carnal mesmo. Eu tenho uma história para contar pra vocês.
Segue:

“Ciente de que morreria um dia, Thomaz passou a vida tentando ser um bom menino, vivendo as coisas amenas e guardando energias para o dia de amanhã, afinal nunca se sabe o dia de amanhã e o  quanto ele exigirá de nós, nunca sabemos do quanto ainda teremos que estar preparados para vida, pensava o garoto.
Thomaz sempre fez tudo dentro do que ele julgava ser certo. Evitou grandes desgastes, nunca quis agir de forma irracional, ponderou, pesou todas as possibilidades antes de se jogar de cabeça em qualquer situação.
Um dia Thomaz sentiu que algo estava diferente. Seu corpo dava agora uns sinais que antes não conhecera, o coração disparava, o corpo se enrijecia em arrepios e logo vinha uma estranha descarga de relaxamento, a respiração andava mais ofegante, a cabeça começava a falhar,e frequentemente recorria o mesmo assunto, não raro também tinha a sensação de perder o chão de baixo dos pés. Desconfiado da situação, Thomaz resolveu consultar um médico, Dr Richard, homem com conhecimento amplo, e que parecia ser o único que poderia ajudá-lo.
DIAGNÓSTICO: uma única semana de vida!
Sim, o Dr Richard diagnosticou o problema e sem dó lançou essa bomba pra cima do menino Thomaz.

Alguns entrariam em pânico, chorariam os últimos setes dias de suas vidas, outros ignorariam e viveriam os seus últimos dias na normalidade que lhes trouxe até aqui. Alguns iriam perder todos os seus filtros, enlouqueceriam. Thomaz, passados os segundos iniciais do choque, e os segundo iniciais da negação, da raiva, fez o que melhor sabia fazer: pensou, ponderou, pesou e decidiu: Vou me permitir! Se é uma semana que me resta, que seja a minha melhor semana, que eu desfrute dos prazeres que me movem.
Thomaz decidiu fazer de seus últimos dias as possibilidades de uma vida. Como seria no final?! Seria como é pra qualquer um, a morte. E se houvesse um erro no diagnóstico do Dr Richard? E se tivesse uma cura para o que ele estava sentindo? Não importava, Thomaz apenas queria se presentear com a presença de sua morte. Com os benefícios que ela sempre o deu, mas ele nunca perceberá.
Então Thomaz levantou, andou sorrindo pelas ruas, bebeu cafés, comprou avelãs e se jogou nos abismos que sempre temeu desejar. Thomaz adolesceu vontades e descobriu prazer em suas verdades, passou ele os seus últimos dias se permitindo. Se sentindo uma pessoa especial, ele possuía a possibilidade de saber o tempo que tinha para aproveitar...
 Thomaz tem sido feliz nesses dias...”



Pois bem meus queridos e poucos leitores, que assim seja, que vocês entendam a eminência da morte, que se permitam. Da minha parte eu vos digo: SUSPIREI, ME CERTIFIQUEI QUE ESTAVA BEM  À BEIRA DO ABISMO, FECHEI OS OLHOS E SUSPIREI MAIS FUNDO, ABRI OS BRAÇOS E COM UM SORRISO DE CORPO INTEIRO VOU ME JOGAR NESSA QUEDA QUE PODE SER SÓ DE SETE DIAS, MAS QUE VALERÁ POR UMA VIDA!