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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

das mortes que me acometem.

Sim, há muito querer em mim.

Muitos deles estão apenas em meus desejos, estão em minhas torturas inatingíveis, longe das minhas mãos e dentro do meu coração. Mas esses não são um problema, são apenas um estímulo, são a garra que preciso para prosseguir, ir além.

O que mata, são as coisas que reprimimos, as que bloqueamos na ingênua tentativa de minimizar as "tragédias", essas sim, são piores.

Não as matamos, apenas tentamos conte-las, mas elas ficam vivas, crescendo de forma latente e avassaladora dentro de nós; e para crescerem elas precisam de espaço e para isso vão corroendo, destruindo tudo que acreditávamos estar certo, estar firme em alicerces que criamos baseados em desejos de não nos ferirmos.

O que bloqueamos não morre, apenas mata.

É difícil lidarmos com essas coisas. Difícil entender e aceitar aquilo que não sabemos não querer/poder.

Bloquear sentimentos até pode ser enganar aos outros, mas é aceitar matar a nós mesmos, é um suicídio mais lento e doloroso que qualquer outro conhecido/imaginado.


Não tenho moral pra falar sobre encarar de frente seus sentimentos, sobre aceitar o que cresce sem parar dentro de cada um de nós, mas me falta coragem para o suicídio, para a dor de ser decomposto vivo.

Encarar nossos sentimentos, mesmo que começando por outros ângulos, ainda é melhor que aceitar a lenta lepra que o bloquear-los causa.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

dos que foram sem sair e dos que chegaram sem estar

...
perdoe meus atrasos, e eu continuarei te esperando...
eu vou organizando as coisas até você ficar pronto,
a casa estará em ordem, prometo.
faça mais por mim, procure e esqueça coisas,
não me pergunte sempre o que eu quero, às vezes eu também não sei,
às vezes eu nem quero nada.
Pare! não me olhe sempre como quem me vê por completo,
não saiba tanto de mim.
mas não me olhe se não for com verdade,
se não for para enxergar quem eu sou, meu raso e meu profundo,
esmiúce meus abismos e corra em minhas planices,
abrigue-se em minhas cavernas.
me seja, mas se pertença.
saiba que nem sempre vou querer sexo,
mas nunca levarei a vida sem gozo.
sorria sempre que possível,
e chore quando sentir a confortável necessidade disso
gosto das manhãs ao seu lado, mas to pensando em algo maior
um tempo que ainda não sei medir.
sim, vamos brigar;
mas não, eu não te odeio, apenas minto bem.
direi que te amo, e você ira ficar com medo.
entendo, eu também ficaria, me conheço.
minhas verdades mutáveis às vezes insistem em ser estáticas,
nem vou continuar mudando.
sejamos dois,
somar sempre é mais bonito que igualar.
e então seremos livres, mesmo atrasados em chegar.
...

sábado, 20 de setembro de 2014

O fim da noite

Peguei o copo, 
algumas bebidas nunca esquentam,
assim como alguns corações.


Eu poderia beber esse último gole,
podia provar mais um pouco do seu veneno,
ou vomitar tudo que bebi de você.
Eu ainda sinto o gosto amargo das suas promessas,
e ainda tenho pesadelos com seu sorriso,
nossa última conversa me tortura no silêncio.

Eu queria gritar até te odiar menos,
Ou melhor; queria, na verdade, que você fosse digno pelo menos do meu ódio.
Estou arrancando você de cada pedaço do meu corpo dolorido,
você deixou marcas, e hematomas não são troféus.

Eu queria esquecer do sol se pondo sobre você na cama,
e queria minhas manhãs de volta,
queria o tempo dos cuidados que te dei
às vezes odeio tanto meu passado,
mas sempre me absolvo quando lembro que odiar mentiras é santo.

Bebi, copo vazio.
Sem crises morais, a ressaca virá.
Não sobrarão lembranças do porre que foi,
e nada que eu esqueci será digno de lembrar.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Das prisões que a liberdade impõe...

eu odeio essas palavras que não saem,
esse silêncio que aperta,
e odeio essa falta de espaço que o vazio acentua.
odeio tanto essas lagrimas que não caem,
e odeio o tempo que não cura, que não sara e nem para.
eu odeio tanto.



domingo, 3 de fevereiro de 2013

Axioma





"s.f. Identidade de uma representação com a realidade representada; exatidão, autenticidade: verdade histórica. / O que é certo, verdadeiro: quer saber a verdade. / Princípio certo, constante; axioma: verdade matemática. / Boa-fé; sinceridade: falar com verdade. / Bs-art. Expressão fiel da natureza: retrato de grande verdade. // &151; loc. adv. Em verdade ou na verdade, certamente, seguramente, decerto  "

http://www.dicionariodoaurelio.com/Verdade.html





    Essas é a definição de um famoso e conhecido dicionário para a palavra verdade e creio que não haja quem discorde; mas o fato é que dentro desa definição tão engessada existe uma infinidade de formas de interpretar e vivermos nossas verdades pessoais. E com isso o que para um é verdade absoluta e inegável para outro se quer é admissível como existente, quanto mais como verdade, e é aí que nosso engessado conceito de verdade se torna um mutável conceito de verdade ainda assim verossímil e aceitável.



    Cada um de nós crê e segue algumas ou várias verdades, uns fazem delas justificativas outros as usam como forma certa para levarem sua vidas, ou administrarem seus conflitos; para uns não passam de desculpas ou forma de manipularem a situação a seu favor. Independente da sinuosidade do caminho em que cada um conduz suas verdades elas estão e estarão sempre presentes em nossas vidas, basta pararmos e observarmos, pois às vezes elas estão tão distorcidas aos nossos olhos que nem se quer parecem existir.


    Eu faço das minhas torpes verdades regras de vida das quais por mais fiel que eu seja não as faço imutáveis. Acredito em tudo no que se possa ter fé, mas de nem tudo faço uma verdade minha. Já fiz versículos de bíblicos verdades marcadas na pele pra que elas não fujam de mim em noites intermináveis e de alguns fiz desculpa para a liberdade que tive medo de assumir sozinho. Usei pensadores para fazer de suas verdades as minhas e assim não correr o risco de pensar. Embalado por melodias envolventes dancei verdades que expressavam mais de mim que eu conseguiria fazer sozinho. Agarrei no vento verdades absurdas que me confortavam e que por isso me eram exatas. Fiz de sonhos reais verdades pelas quais entrei em gurras e só pedi paz quando exaurido me dei por satisfeito com o que eu cri ser a vitória. Às vezes encontrei verdades no chão, sentado em um canto do meu mundo chorando e com medo de continuar. Senti verdade em dores que quase me mataram e em mortes que me fizeram mais vivo. E em algumas noites deitado no sofá ansioso pela manhã e fuga vi mais verdades que meus óculos permitiriam que eu visse. Alguns olfatos e paladares nos trazem mais verdades que outros. Em tudo há verdade, mas de nem tudo fazemos as nossas verdades. 

    Tenho me deparado com vários questionamentos e  um deles é sobre quais são minhas verdades e se  elas estão em um processo tão constante de mudança que nem eu mais consigo acompanhar?. Mas de todas as minhas verdades agora inquietantes uma que tem me atormentado é a de que "não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte", tenho duvidado um poco disso, tenho me sentindo meio "escondido". Não seria o eu uma cidade como realmente pensava? Ou não seria o meu monte tão grande quanto pensava? Será que me enganei tanto quanto meu real tamanho? O que há de errado com essa verdade que eu cria ser absoluta? Passei  dias dolorosos remonde essa questão e com ela questionando verdades adjacentes e o elenco que a compõe. Depois de penosamente sofrer essa verdade que antes era conforto e estímulo, acho que cheguei a conclusão: De fato não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte, mas se pode devastá-la com facilidade, pois ao contrário de cidades edificadas em vales, elas estão mais à merce da ação dos fortes ventos ou de outras inevitáveis ações avassaladoras da natureza que inevitavelmente chegarão.


    Minha cidade está devastada, conspurcada e sem condições de se apresentar pra mais uma batalha. O dolorido dessa verdade é que essa tragédia nada mais é do que fruto da ação de um só inimigo: EU. Minha cidade em ruínas e ainda a vista, foi bombardeada por mim e meus medos, por minha vontade de agradar, de dizer sim aos outros e de esquecer que alguns não são necessários para meu bem estar e manutenção desa cidade que com esforço ergui; Abafei  verdades menores que no montante final diziam exatamente que eu sou, e me perdi em meio a sujeira que eu mesmo produzi, esqueci qual a verdadeira face do palhaço atrás de tanta piada pintada em seu rosto. E caí no bordão: Que rei sou eu?!

    Ainda não tenho certeza sobre todas as minhas verdades ou sobre como continuar a mantê-las caso isso valha a pena. Mas sei que ponderar sobre elas é bom, é uma forma de nos expormos as nós mesmos, e mesmo que isso nos devaste e nos pare, quando voltarmos a andar pisaremos com mais segurança, cientes da vontade de continuar, mesmo que o caminho ainda não nos seja o mais seguro.

    Imutáveis ou não, em maior ou menos quantidade, prestes a nos paralisar ou impulsionar, elas sempre estão presentes em nós, então eu te aconselho: Reviva suas verdades, repense-as se necessário, recrie-as caso prefira, mas não deixe de viver baseado nelas. Afinal o que acreditamos ser especial assim o será. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

PREPAREM AS PEDRAS, SEREI SINCERO!




    Acho absolutamente aceitável todas as manifestações de pensamento, desejo e gosto aqui no face, afinal se não é também para isso que ele serve, não faz muito sentido escrever aqui, escreva no seus diário. Da mesma forma, faço questão de estar a par de vários posicionamentos aqui exposto, pois eles me aproximam e me fazem compreender melhor pessoas com as quais me importo, gosto ou simplesmente quero vir a conviver.
    Queridos, assim como boa parte das pessoas do mundo, eu sei o que é bom e o que é ruim; fato é que nem sempre o que é bom aos olhos de uma maioria formadora de opinião ou uma minoria bombardeadora de opinião me agrada, gosto do que me toca, do que me move, ou simplesmente do que me distraí. É chocante, mas nem sempre preciso ser piano clássico, sou pé de tambor. Tenho pele branca, traços finos, olhos claros, educação rígida, mas me perco mesmo é onde isso não é visto, onde meu prazer aflora. Às vezes, gosto sim de, palavrões, danças menos retilíneas, e às vezes não quero poesia em versos inéditos, eu posso sim gostar de ver, ouvir e viver coisas "menos boas"...
    Ainda assim, não me importo com as pedras, com as manifestações (ao meu ver burras) de contrariedade a certos estilos musicais, cantores / bandas, programas de televisão e afins... Essa manifestação é um direito legal garantido a nós brasileiros. O que de fato me incomoda é a distorção de visão, a capacitada limitada que as pessoas parecem ter ao ver sempre e apenas as folhas, os frutos, parece que ninguém lembra que antes tivemos uma semente, raízes e uma planta lutando desesperada contra vento chuva, contra a falta da chuva e o sol escaldante, queridos: NINGUÉM acorda e diz que vai ser sucesso mundial e antes que o dia acabe já o é. As pessoas tem sonhos e eles custam caro. Às vezes custam uma vida, ou mais vidas (família, amigos...).
    Eu entendo que nem tudo agrada a todos, independente de mover mais de 2/3 do mundo, mas entendam: Sonhos dão trabalho, e isso não é digno de crítica ou esculacho, é burro manifestar-se contra algo que não te agride em nada a não ser pelo fato de ser um sonho realizado em proporções inacreditáveis.
    A música pode não ser boa, o estilo pode não me agradar, e talvez eu jamais vá a um show, mas isso não minoriza a grandiosidade do fato e do lugar que os mesmos atingiram, então, sejamos menos dispostos em criticar e mais doces em reconhecer; cada um com seu mérito!



E tenho dito! 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Viagem ao tempo...

De tanto procurar pelo perfeito,
De tanto esperar pelo certo,
ele ficou só...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

sem fim...

Eu devo ser o único a chorar esse adeus,
devo estar envolvido em mais que coisas que eu consigo segurar,
minhas mãos perderam o tato,
e eu não vejo mais no escuro,
eu não quero ser o único a calar nessa hora,
nunca pensei que a dor pudesse roubar meus gritos...

Eu estive te procurando, e só achei fim.
eu não vou mais entregar meus dias,
cansei das noites de chuva,
eu ainda quero o calor da pele,
não ser o único a crer no possível,
há outra chance,
então fique.

Eu esqueço de tudo tão fácil, 
tão teu,
eu não serei o único a me perder em perdão.
Tentei tanto que ainda consigo acreditar,
eu ainda faço vida dessa morte que me assola.
não me deixe sozinho e sem fé.
Eu não sei perder.
Fique.
Nunca pensei que a dor pudesse roubar meus gritos...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

opostos e dispostos





eu tenho medo do desapego, 
tenho medo de perder o que ainda não tenho,
e tenho medo de precisar de coisas que pus fora.
eu tenho medo de me perder na minha bagunça,
e de me achar perdido no meu caos.
eu falo demais,
eu tenho medo de ser contraditório quando o que busco é melhorar.
ser padrão é ser igual,
mas eu ainda me assusto com o que se parece comigo.
eu tenho medo do oposto, e do disposto.
eu tenho fome e medo de engordar,
mas quando mudo tenho medo d'estar diferente.
eu sou tão grande que não caibo na cama,
mas sou tão pequeno que não apareço no mapa,
eu sou pequeno a ponto de caber em alguém.
tudo o que tenho são vontades, 
e às vezes troco elas por bom senso,
troco balas de goma por balas de hortelã,
por balas de festim, por balas de verdade,
de ver a idade.
eu troco o que sou e o que tenho pelo que serie se eu trocar.
evoluir em andar, em parar,
evoluir em ir, em poder vir.
eu tenho medo e isso me leva, e me freia.
e agora, sei que o que tenho me faz parar.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

. Como não começar,

"...Hoje eu matei um cara,
não lembro o nome dele;
sei que era quente,
que encheu minha cama,
mas não havia lugar pra ele,
então: matei-o.

Não matei por maldade.
Matei por necessidade;
por saber que ele não sobreviveria em mim,
por ainda sentir na minha cama quem não vai embora.
Matei por piedade de não iludir.


Hoje, quando matei o "cara", eu sabia como fazer.
Disse adeus, fechei a porta e voltei a dormir..."

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

para morrer o que mata...

eu tenho em mim um cheiro que não me pertence,
e uma lembrança que insiste em ser viva,
eu tenho um medo em perder que só conheci com você
e tenho as noites que não acabam,
meus pés doem, mas há tanto o que andar ainda.
minha alma sente, mas minha carne falta.
eu tenho em mim um gosto que só encontro na tua boca,
um prazer que só teus olhos conhecem,
eu tenho tanto de você, que tua falta me mata.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

breves segredo "de faz de conta"




eu tenho sido água que salga a boca,
que lava a alma,
que enche de solidão a imensidão da minha cama.
eu tenho derretido como gelo em copo vazio,
tenho mentido verdades que não sabem silenciar em mim,
e dos gritos tenho justificado a loucura que tenho cultivado.
eu sinto os dias como álcool:
ardência, anestésico, prazer, fim e começo.




terça-feira, 12 de julho de 2011

Mais que sonhar, ser sonho!

Algumas lembranças da infância são tão reais que chegam a ter cor e cheiro mesmo depois de anos. Eu ainda posso tocar na imagem da primeira vez que me perguntaram o que eu queria fazer quando crescesse, aquele dia é tão vivo em mim quanto cada uma das certezas que tenho e que mudo diariamente.

Quando criança não tinha certeza se seria cantor ou se trabalharia como ator, sabia apenas que qualquer outra coisa que tentasse fazer não me serviria. Na adolescência, o sobrepeso e o bulling me deram uma visão mais incerta quanto a um futuro profissional e menos respeitosa. Desisti da música quando meus professores desistiram de mim, desisti dos palcos quando tive medo de ser eternamente o Papai Noel, ou o gordo engraçado de programas de humor, que de forma pejorativa expõe as diferenças.

Três semestres de história, semestres de marketing, cinco de administração, cinco anos vagando por cursos que não gostava, e 64kg mais magro e a vida resolveu me fazer um carinho, me trouxe um presente. Ganhei uma bolsa para estudar teatro fora do estado em uma faculdade com bastante reconhecimento na área; era minha hora de mostrar o porquê vim ao mundo: “vou brilhar!”

Meus pais em sua extrema doçura financiaram minha viagem, e minha estadia em um lugar que nunca antes pensei estar. Conheci gente, fiz amigos, fiz contatos profissionais, brinquei de turista, fui o “menino do rio” por dias de sol que queimavam minha pele branca de gaúcho descendente de alemães. Finalmente eu via uma lembrança virando sonho, e o sonho virando realidade, eu seria ator.

Faltando alguns dias para o prazo final da entrega da documentação para a matrícula e efetivação da bolsa, liguei para casa, pedi um documento que faltava. Solicitamente minha mãe enviou o documento por correspondência segura de que chegaria antes do prazo final.

Prazo final, o documento não chegou. O que um dia foi lembrança que passou a ser sonho agora era ferida. Sentei no chão e como a criança de cinco anos, que dizia que seria ator, chorei sem vergonha de ninguém, nem mesmo de mim. Chorei uma dor que não queria sentir. Chorei uma injustiça que acreditava ser maldade da vida. Chorei e fiz do sonho uma promessa: nunca mais eu iria querer saber de qualquer coisa voltada à arte. Engoli o choro, o orgulho e pedi pra voltar pra casa.

Aprendi que a dor de ver um sonho morrer é igual à dor de passar por cima do próprio orgulho, é igual à dor da decepção de nós mesmos, e é igual à vergonha que sentimos das pessoas que pedimos para sonharem nossos sonhos. Voltei pra casa, para os amigos, para os curiosos, para o mundo que eu havia construído onde lembranças não eram sonhos.

Hoje, três anos depois, minha vida tomou novo rumo. A música voltou como companhia constante, os livros voltaram a ser prazer, e o cinema descanso, o teatro às vezes bate a porta e, quando estou bem, deixo ele fazer uma visita nesse novo mundo. A ferida tem estado em processo de cicatrização, já não dói mais como antes, mesmo que por hora sei ou sinto que o melhor é manter alguns sonhos no campo das lembranças, e o viver da arte vai ficando assim: inerte e indolor.

Toda essa explanação, e talvez exposição desnecessária, é para justificar algumas das minhas atitudes pessoais e para explicar novos posicionamentos. Eu ando meio calejado quando o assunto é sonhos, quando o assunto é ir atrás de uma vida que acreditamos ser a nossa vida certa, mas mesmo assim não consigo pensar em deixar tudo para traz e fazer de conta que lembranças nunca poderão ser sonhos, ou que sonhos nunca serão alcançados.

Perguntar quanto vale um sonho é tão absurdo quanto perguntar quanto vale uma vida. Algumas vidas nunca passarão de sonhos e alguns sonhos serão a única vida que algumas pessoas terão.

Eu já sonhei, já vivi; e já desisti dos dois em fases distintas da minha vida. E retomei ambos. Retomei uma vida que não sabia que tinha quando tive medo de não poder mais sonhar; e tive medo de viver de sonho quando a vida me fugiu ao controle. E saibam, nenhuma dessas coisas foi fácil, normalmente nos custam no mínimo uma grana que consideraremos mal investida e o esquecimento do nosso orgulho e vergonha em admitir que erramos.

Tenho visto alguns amigos adormecerem sonhos, e tenho acompanhado o quanto isso dói para eles. Tenho visto algumas pessoas largarem tudo em busca de seus sonhos, e em anos ou meses depois voltarem frustradas e sinto em mim a dor que dilacera a alma dessas pessoas, sei o quanto isso significa. Mas o que realmente tem matado minha alma são as pessoas que conheço e que por variados, e não aqui discutíveis motivos, têm desistido de ir atrás de seus sonhos, tem abdicado de serem elas mesmas. Sempre seremos o que amamos.

Admiro quem gosta do que faz e, mais ainda, quem gosta do que é. Admiro uma galera que vive cantando em bares, sejam eles lotados ou com três bêbados desatentos, conforme já vi. Admiro pessoas que se propõem a viver seus sonhos e não se importam em ser os próprios sonhos. Admiro pessoas como Guilherme Bulla, Vivi Fields, Lais Tetour, Tephy Marcondes, gente como o pessoal do Projeto Cama, Mesa e Banho; admiro essa galera que sonha e ensina a sonhar, que divide o próprio sonho sem pedir nada em troca, contando apenas com a boa vontade das pessoas.

Quando comecei esse blog, era para ser simplesmente um lugar onde eu pudesse escrever sentimentos distorcidos em metáforas, não tinha pretensões maiores e de fato ainda não as tenho, porém agora vou dar espaço a sonhos que me fazem sonhar. Não tenho o intuito e menos ainda a qualificação de fazer analises críticas, mas posso falar de sonhos e de verdades que as pessoas vivem, posso divulgar sonhos e quem sabe incentivar algumas pessoas a porem mochilas nas costas e viverem seus sonhos, quem sabe inspiro pessoas a se permitirem ser seus sonhos?

domingo, 26 de junho de 2011

Onde fica o meu paraíso...

Meu paraíso fica ali do meu lado, deitado...
Exausto, mas rindo...
Com o canto da boca vermelho de beijos afoitos,
e marcas de quem perde o controle enquanto controla...
Meu paraíso tem leves gotas de suor que correm quentes em curvas que me pertencem;
E tem a temperatura que me mantem quente...
Ele tem cheiro de satisfação completa,
e riso fácil.
Meu paraíso tem nome,
e tem a mim...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Lamento em três tempos...

Pisei tanta areia,
queimei tanto sol,
chovi tanto por dentro...

(...)

E onde eu estava não importa,
onde você está agora?
Quero estar em você...

(...)

Quero deixar de ser deserto,
quero ser fala,
e andar pelo caminho certo...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fora de tempo...

Eu estive pensando:
Posso falar bem baixinho,
sussurrar no seu ouvidinho,
sorrir de cantinho,
posso acabar e fazer de conta que nada aconteceu,
posso fingir ser só seu...
Eu posso falar de novo se você não ouvir,
e a gente pode rolar de rir,
a gente pode falar de mim,
do meu amor por você,
Mas eu estive pensando:
Melhor mesmo é gritar,
melhor é admitir logo,
contar antes que descubram,
então resolvi dizer aqui pra você ler:

AMO VOCÊ!

sábado, 16 de abril de 2011

grande[mente] PEQUENO!!!

cansei do medíocre,
do grande.
cansei do inatingível.
por agora estou desejando coisas PEQUENAS:
ESTOU QUERENDO UM CANTINHO,
UM COLINHO QUENTINHO...
UM AMORZINHO,
ESTOU QUERENDO UM RESTINHO DE ATENÇÃO,
UM PEDACINHO DE CORAÇÃO...
ESTOU QUERENDO UMA PEQUENA TENTAÇÃO...

ESTOU ENTENDENDO O PEQUENO, e finalmente me libertando do grande comum.

domingo, 10 de abril de 2011

Crú e [dez]necessário...

Com 25 anos já troquei mais de 15 vezes de emprego. Desisti do magistério na metade. Troquei 4 vezes de curso de graduação, sem terminar nenhum até agora. Comprei meu atual corpo com uma redução de estômago. Mudei mais de 32 vezes de casa. Namorei com quem me deixou com mais chifres que cabelos na cabeça.
Errei a cada um dia dos meus atuais 9181 dias vividos. Fiz coisas erradas que julguei serem as mais belas do mundo, e vi belezas se acabando em casulos que não se romperam. Tive mais medo que sorte e menos verdades em assumi-los que coragem, eu sou assim: IMPERFEITO!
Eu quis por tudo fora, quis me desfazer de quem sou e de quem tenho de mim, mas acontece que sendo completo sou ruim, sou errado, e sou bom; Acontece que sendo eu, sou meu!
Gosto desse gosto de frustração que às vezes insiste em vir antes da sensação de dever cumprido, de alívio.
Gosto dos conselhos que segui, e amo os que nem ouvi. Tive trabalho em viver até aqui, e mais ainda em morrer até aqui; e em morrer nem sempre tive sucesso.

Esse sou eu, crú.
Sem cor, sem dor, sem amor, só os fatos; e querem saber por que? Porque essa imparcialidade que não sei ter da uma certa credibilidade que não quero ter, mas que por agora vai me ajudar a te fazer entender um anseio, uma advertência necessária para a vida de qualquer pessoa:


-NÃO FAÇA AS COISAS PERFEITAMENTE!!!

E quer saber por que? Porque perfeição é sinônimo de inexistente, quem fez perfeito nunca fez. Mas quem fez, viveu.
Estou cansado de esperar pelo tempo certo, pela hora exata, pelo sentimento que não machuca, EU QUERO VIVER! Quero amor eterno até que se feche a porta, quero doer se não der certo, quero entender e sentir que amanhã é hoje. Chega, não percamos nossas vidas esperando.
Precisamos andar...

quinta-feira, 10 de março de 2011

[dia]rio...

Sabe aqueles dias que você precisar gritar em silêncio porque o escuro fará sua voz propagar de uma forma sem igual?!


Hoje estou me sentindo assim, meio A Menina que Roubava Livros do Markus Zusak, poeticamente engessante.


Estou sentindo a garganta apertar de vontade de contar coisas que ainda não devo falar, segredos que acham que tem vida própria, e que por serem fortes pensam já poder sair sozinhos de mim e ganhar o mundo...


Sempre gostei de ver a vida por um prisma mais poético que a maioria das pessoas, ou como alguns preferem classificar: "mais patético"... Sempre tive verdadeiro encantamento na beleza que só o feio suportaria carregar, como diz uma sábia amiga poetiza: " ...Ver a beleza do prego enferrujado..." (Zilka jacques). Sou assim: esse devaneio que finge ser sonhador...



A verdade é que vejo as coisas de forma diferente, sinto elas de forma diferente, tanto que hoje assim como A Menina Que Roubava Livros, eu posso sentir o cheiro do som dos passos...


Vou resumir, admitir, e explicar:

QUEBRARAM-SE OS CASULOS NOVAMENTE! É tempo de novas cores, novas asas cintilando pelo meu céu de flores, o toque passou a ser obrigação de reprimir desejos, e o cheiro é porta aberta...


Tenho medos; tenho dúvidas; mas também tenho vontades e certezas que a sobriedade não dá. Encontrei coisas que só encontramos quando estamos perdidos. Ganhei coisas que só se ganha quando nos permitimos não buscar-las, mas quando elas chegam, aceitamos.




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mais perto do inteiro!

Voa Ícaro!
Voa alto e sê o que te fiz,
Sê o que te quis,
Quem te profetizei.
Voa e vai alto,
Subir, subir...
Pro alto com meu coração,
Subir até o sol
E ser Ícaro!

Voa e me deixa ser lagarta,
Me deixa ser só.
Distante da glória,
Tão perto da história,
Vai...
Voa Ícaro,
Acorda em mim o que em você não dormiu,
Pro alto, mais alto...
Subir até o sol,
E ser Ícaro!

Voa Ícaro, e sê metamorfose,
"Seja para eu o que te criei..."
Cera quente, chão macio,
Voa mais alto e vê.
São dois sóis,
São dois, só.
Somos dois.
Voa Ícaro
Pro alto, mais alto...
Subir, subir
E ser Ícaro.

Voa agora.
Vou ser casulo,
Ser medo que criei,
Vou ser sonho que acordei.
Eu te desejei alto,
Te dei o vento...

Voa Ícaro, porque agora conheces o gosto amargo da liberdade,
Mais alto, mais perto de você,
Voa!
Subir; subir até o sol,
Até os sóis
Até ser Ícaro por inteiro!
Voa e conheça o que não escrevi,
Sê o Ícaro que profetizei,
Pro alto...