domingo, 3 de fevereiro de 2013

Axioma





"s.f. Identidade de uma representação com a realidade representada; exatidão, autenticidade: verdade histórica. / O que é certo, verdadeiro: quer saber a verdade. / Princípio certo, constante; axioma: verdade matemática. / Boa-fé; sinceridade: falar com verdade. / Bs-art. Expressão fiel da natureza: retrato de grande verdade. // &151; loc. adv. Em verdade ou na verdade, certamente, seguramente, decerto  "

http://www.dicionariodoaurelio.com/Verdade.html





    Essas é a definição de um famoso e conhecido dicionário para a palavra verdade e creio que não haja quem discorde; mas o fato é que dentro desa definição tão engessada existe uma infinidade de formas de interpretar e vivermos nossas verdades pessoais. E com isso o que para um é verdade absoluta e inegável para outro se quer é admissível como existente, quanto mais como verdade, e é aí que nosso engessado conceito de verdade se torna um mutável conceito de verdade ainda assim verossímil e aceitável.



    Cada um de nós crê e segue algumas ou várias verdades, uns fazem delas justificativas outros as usam como forma certa para levarem sua vidas, ou administrarem seus conflitos; para uns não passam de desculpas ou forma de manipularem a situação a seu favor. Independente da sinuosidade do caminho em que cada um conduz suas verdades elas estão e estarão sempre presentes em nossas vidas, basta pararmos e observarmos, pois às vezes elas estão tão distorcidas aos nossos olhos que nem se quer parecem existir.


    Eu faço das minhas torpes verdades regras de vida das quais por mais fiel que eu seja não as faço imutáveis. Acredito em tudo no que se possa ter fé, mas de nem tudo faço uma verdade minha. Já fiz versículos de bíblicos verdades marcadas na pele pra que elas não fujam de mim em noites intermináveis e de alguns fiz desculpa para a liberdade que tive medo de assumir sozinho. Usei pensadores para fazer de suas verdades as minhas e assim não correr o risco de pensar. Embalado por melodias envolventes dancei verdades que expressavam mais de mim que eu conseguiria fazer sozinho. Agarrei no vento verdades absurdas que me confortavam e que por isso me eram exatas. Fiz de sonhos reais verdades pelas quais entrei em gurras e só pedi paz quando exaurido me dei por satisfeito com o que eu cri ser a vitória. Às vezes encontrei verdades no chão, sentado em um canto do meu mundo chorando e com medo de continuar. Senti verdade em dores que quase me mataram e em mortes que me fizeram mais vivo. E em algumas noites deitado no sofá ansioso pela manhã e fuga vi mais verdades que meus óculos permitiriam que eu visse. Alguns olfatos e paladares nos trazem mais verdades que outros. Em tudo há verdade, mas de nem tudo fazemos as nossas verdades. 

    Tenho me deparado com vários questionamentos e  um deles é sobre quais são minhas verdades e se  elas estão em um processo tão constante de mudança que nem eu mais consigo acompanhar?. Mas de todas as minhas verdades agora inquietantes uma que tem me atormentado é a de que "não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte", tenho duvidado um poco disso, tenho me sentindo meio "escondido". Não seria o eu uma cidade como realmente pensava? Ou não seria o meu monte tão grande quanto pensava? Será que me enganei tanto quanto meu real tamanho? O que há de errado com essa verdade que eu cria ser absoluta? Passei  dias dolorosos remonde essa questão e com ela questionando verdades adjacentes e o elenco que a compõe. Depois de penosamente sofrer essa verdade que antes era conforto e estímulo, acho que cheguei a conclusão: De fato não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte, mas se pode devastá-la com facilidade, pois ao contrário de cidades edificadas em vales, elas estão mais à merce da ação dos fortes ventos ou de outras inevitáveis ações avassaladoras da natureza que inevitavelmente chegarão.


    Minha cidade está devastada, conspurcada e sem condições de se apresentar pra mais uma batalha. O dolorido dessa verdade é que essa tragédia nada mais é do que fruto da ação de um só inimigo: EU. Minha cidade em ruínas e ainda a vista, foi bombardeada por mim e meus medos, por minha vontade de agradar, de dizer sim aos outros e de esquecer que alguns não são necessários para meu bem estar e manutenção desa cidade que com esforço ergui; Abafei  verdades menores que no montante final diziam exatamente que eu sou, e me perdi em meio a sujeira que eu mesmo produzi, esqueci qual a verdadeira face do palhaço atrás de tanta piada pintada em seu rosto. E caí no bordão: Que rei sou eu?!

    Ainda não tenho certeza sobre todas as minhas verdades ou sobre como continuar a mantê-las caso isso valha a pena. Mas sei que ponderar sobre elas é bom, é uma forma de nos expormos as nós mesmos, e mesmo que isso nos devaste e nos pare, quando voltarmos a andar pisaremos com mais segurança, cientes da vontade de continuar, mesmo que o caminho ainda não nos seja o mais seguro.

    Imutáveis ou não, em maior ou menos quantidade, prestes a nos paralisar ou impulsionar, elas sempre estão presentes em nós, então eu te aconselho: Reviva suas verdades, repense-as se necessário, recrie-as caso prefira, mas não deixe de viver baseado nelas. Afinal o que acreditamos ser especial assim o será. 

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