domingo, 19 de junho de 2011

Festa de partida e chegada...

Lutei comigo por esses dias,
Te desejei mais em mim,
e te fiz presença,
Te fiz ritmo de descaço
e em você dancei por estafa,
Te fiz festa,
e fui teu...

Busquei teu corpo na cama,
e quando não senti mais teu toque me fiz feliz pelo teu cheiro em mim,
pelo gosto da lembrança na minha boca...
Te faço saudade,
E quando você quiser, te faço mais...

domingo, 12 de junho de 2011

Dezinteresse

Umas das coisas mais lindas que jé me li...
Créditos ao MEU querido e Doug, o último...









Dezinteresse



ando pintando linhas
riscos soltos
pingos deixados sobre o papel de rascunho
que por desuso ou desapego
vai ser amassado e transformado em machê
sem correr o risco de se perder nos entremeios da pasta
prendo linhas rubras em maças do rosto
e vejo manchas púrpuras em peles mais ressecadas
não penso
só tracejo
por horas paro com o trabalho
e observo o tanto já desenhado
algumas cores deixadas de lado
preto que só se revela em sombras
pois o ambiente é de sol intenso
me desapego da obra
me desprendo dos ideais utópicos
para entender um desinteresse mutuo
relacionado ao medo
medo que a tela sente de mim
medo que eu sinto de terminar a obra precipitadamente
por ora, me prendo aos olhos
que gostariam de se mostrar verdes
esmeraldinos de lágrimas vãs
mas vão sempre insistir nessa doce mistura
do fundo azul com manchas amarelas
acho o ton perfeito
para os últimos e melhores momentos
de uma obra que não quero exibir
guardo-a comigo
e nada mais importa...

sábado, 11 de junho de 2011

Há tempos...

Daquelas noites sinto falta do teu coração batendo no meu peito,
dos teus olhos me convidando a entrar,
sinto falta de um tempo em que o mundo cabia em nosso quarto.
E sinto saudade de quem éramos juntos,
sinto saudade de um tempo que sei que não vai voltar
que não quero ver voltar...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Lamento em três tempos...

Pisei tanta areia,
queimei tanto sol,
chovi tanto por dentro...

(...)

E onde eu estava não importa,
onde você está agora?
Quero estar em você...

(...)

Quero deixar de ser deserto,
quero ser fala,
e andar pelo caminho certo...

terça-feira, 17 de maio de 2011

você tem, eu sendo...

você tem sido o som do meu coração,
a nova música que meu silêncio tem ouvido,
você tem a melodia que me faz dançar,
que tira meus pés do chão.
e a doçura da tua voz tem sido alimento para meus dias...
você tem sido vontade que insiste em não passar,
você é o caminho por onde meus pés querem andar,
é o lugar onde quero estar,
você é grito que prendi,
é presente que ganhei,
você é medo de perder sem ter...

tenho sido dança com a tua música,
e tenho quisto você a cada novo acorde,
a cada nova cor e cheiro que você me ensina sem saber...
tenho andado em um ritmo que não é meu,
tenho sido tão teu, que esqueci de ser...
tenho estado diferente,
e tenho estado tão igual em querer e temer,
igual em querer e não medir,
igual em não entender,
tenho sido diferente em não tentar explicar,
tenho sido diferente em pedir: VEM!

terça-feira, 10 de maio de 2011

... certezas ...




existe um silêncio que só cabe no escuro da minha cama,
uma cor que só ganha nome na luz dos teu olhos,
em você há movimento,
sinto teu fluir e meu corpo esquenta,
e teu calor é existência,
há em mim um lugar que só você pode estar.
e há uma palavra que só por você posso dizer,
em ti o impronunciável ganha forma...
existem caminhos que só em teu corpo posso percorrer,
e gostos que guardei em você.
há em mim mais de você que meus medos possam negar...
mas há começo e há fim,
e o que há de ser, o tempo vai dizer...



quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Vamos fazer um filme..."

Tinha esquecido de como é bom chorar de amor por um amigo!






"Aloha!!
(Agora isso me lembra aloka! Hehehehe)

Estava já há alguns dias lembrando de quando passávamos páginas e páginas conversando por e-mail, então dei uma espiadinha nos históricos e rachei o bico com alguns dos mais insanos diálogos entre dois desocupados proletariados... Ahuahauhuahauh

Aaaah, que saudade que deu!! = )

Queria tanto poder passar mais tempo contigo piazinho.
Sei que vai parecer manha, mas sinto falta do meu amigo mais que irmão.
Tu sabe que eu só sou simpático mas não muito sociável...

Prometo que vou tentar te visitar na segunda quinzena de maio (!!!!).
Aí tu vai ter que me levar pra conhecer a cidade grande! Ahauhauhauhauha

E como estão as coisa aí por Metrópolis??
Aqui em Smallville continua tudo quase na mesma.
Na verdade apesar de não representar muito no cenário mundial, tu sabe que esse lugar é cheio de particularidades e algumas delas dariam filmes!
Mas isso é assunto pra horas sem fim (sendo bem otimista) de muita pipoca e Smirnoff... = )

Cara, só queria te dizer que apesar de o tempo passar e as coisas mudarem, eu não mudei. Pelo menos o que eu sinto por ti. Até pq se mudar eu aviso... OK?
Te amo pra caramba seu bocó!!! Ahauhauhauah
Tinha que quebrar o clima tava ficando estranho!! = P

Mas, me conta uma piada aí...

Amplexos patéticos e nostálgicos,


Vida longa ao Rei!!"






Resolvi apenas não revelar o nome, já contei o milagre, o santo eu não quero dividir....

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fora de tempo...

Eu estive pensando:
Posso falar bem baixinho,
sussurrar no seu ouvidinho,
sorrir de cantinho,
posso acabar e fazer de conta que nada aconteceu,
posso fingir ser só seu...
Eu posso falar de novo se você não ouvir,
e a gente pode rolar de rir,
a gente pode falar de mim,
do meu amor por você,
Mas eu estive pensando:
Melhor mesmo é gritar,
melhor é admitir logo,
contar antes que descubram,
então resolvi dizer aqui pra você ler:

AMO VOCÊ!

[vi]zinhança!

Ouvi a porta bater. Meus vizinhos brigaram.
A porta foi na verdade um grito que o homem não conseguiu, ou não quis dar. Ela sim foi expressiva, me deixou na torcida, na expectativa, e a cada minuto daquele desabafo dolorosamente coletivo meu coração batia mais forte e ofegante.
Não sei do começo da briga, presenciamos (eu e o restante do prédio provavelmente) tudo a partir do berro raivoso e embargado de lágrimas e decepção dela:
"-Eu não merecia isto, ninguém merecia isto!"

Silêncio.

Sedenta de explicações que não a convenceriam ela continuou:

"-E se fosse eu?! Se eu fizesse igual aquela vagabunda?! O que você pensaria?"

O silêncio continuou.

A histeria também:

"-Me diz! Fala alguma coisa! O que você quer que eu pense? Como quer que me sinta? DIZ! FALA!!!"

Mais silêncio, e dessa vez ele foi palpável pelo prédio, éramos todos espectadores de algo que nem saibiamos ao certo do que se tratava...

"-Pra mim chega! Não aguento mais Carlos, não aguento! Eu não preciso passar por isso!"

De repente o silêncio é quebrado pelo barulho vazio de porta que bate.
"Pra onde ela iria? casa dos pais? Amigas? Acabar com a talzinha destruidora de casamentos felizes?" eis as dúvidas latentes em nossas desocupadas vidas... Mas pra surpresa geral mais gritos:

"-Carlos volta aqui! Onde você acha que vai? Você não vai me deixar aqui falando sozinha! Volta, estou mandando! Se você sair nunca mais vai voltar! Volta!"

Silêncio. Soluços quebraram o matador silêncio. O choro frágil e desesperado de mulher visceral enchia o prédio. O prédio fazia silêncio, estávamos inerte em uma intimidade que não nos pertencia, que não desejamos ter, a vida do outro por alguns instantes passou a ser nossa, "Deus, que mundo cruel esse, que sociedade omissa, ninguém enxugará as lágrimas dessa pobre mulher?!"

Meia hora mais tarde, silêncio. Burburinho de eletrônicos, cachorros latindo no elevador, e os filhos do quinto andar jogando bola mais uma vez no corredor.

Desci, fui ao supermercado, e na volta quem encontro esperando o elevador?
Ele. O monstro silencioso, o tal Carlos. Sorridente, sim; eu disse sorridente! Feliz com alguns chocolates, um vinho. Que espécie de homem é esse, faz o que faz e acha que vai ficar tudo bem se montar um climinha? E essa mulher?! Será que depois de todo esse showzinho vai fazer de conta que é feliz, que nada aconteceu?! Meu Deus, que vizinhança...

-Boa tarde. Eu disse em tom sóbrio, como se aquela montanha de emoções alheias não me afetasse em nada, como se eu nunca tivesse ouvida nada.

"-Boa tarde." Respondeu o talzinho cordialmente.
E com um sorriso amigável continuou um diálogo.

"-Você é meu vizinho não é?! Desculpe viu, minha mulher, ela às vezes se passa..."

Com um sorriso amarelo vergonha balancei a cabeça como quem diz um sim, mas que isso não se repita...

"-Olha, já conversamos sobre isso eu e ela, e ela ficou de ver com o pessoal lá do teatro se consegue entradas pra vocês aqui do corredor, como pedido de desculpa por estar repassando o texto em casa..."

O elevador abriu. Graças a Deus o elevador abriu. Sorri novamente, mas dessa tentando esconder o choque da revelação profissional, agradeci, entrei em casa, sentei no sofá, e ri por muito tempo.



Somos todos iguais, sempre esperando alguém não nos convidar pra entrarmos em uma "realidade" alheia e pré fabricar-la a nosso bel prazer. Os vizinhos se amam.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

quero silêncio em mim...

as coisas estão estranhas aqui dentro,
estou sentindo um cheiro de saudade que não reconheço,
e tem um pulsar desconhecido no meu peito.
os dias tem tido um tempo errado,
e as noites um fim que não chega até que eu adormeça.
o sentimento está sem nome,
e há uma dor que de tão leve, duvido que dói,
tenho sentido aqui dentro algo que ainda não vi lá fora...
as coisas tem tido um cheiro peculiar, que me faz lembrar o que não identifico,
estou confuso,
estou com frio,
e estou com chuva aqui dentro...
estou querendo silêncio em mim...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

com versos, com poesia...

às vezes a poesia tem gestos,
às vezes ela tem palavras,
e às vezes ela tem pessoas...

eu te quis menino poesia,
te quis perdido em mim,
no que é meu, nas coisas que te dei...

gosto da tua sensibilidade quase carente,
da pureza que te faz sóbrio,
do medo de ser piegas...

gosto do sentir por você,
gosto desse gosto que tua poesia deixa,
gosto desse deixar que acaba...

gosto das frases que te gritam,
e você com receio em não agradar o que gosta,
pede desculpa...

gosto de você pedindo,
e gosto mais ainda de você dando,
gosto de você menino poesia...

gosto da tua necessidade de cuidado,
e do teu cuidar,
você é porto seguro,
e um dia vai entender que pedir colo é dar segurança também...

gosto do teu lugar em mim poesia,
gosto de você solto em meus pensamentos
e porque não gostar menino?

quero teu colo poesia,
te quero por inteiro, sem querer ser meu,
sendo teu e gostando tanto do que tem que me oferecerá um pedaço...

te quero além das noites poesia,
te quero além dessas linhas,
e quero carne.

deixe doer,
e deixe parar de doer,
e deixe ser vastidão de silêncio,
deixe de ser meu,
me deixe,
vá embora,
e depois volte,
deixe de ser teu,
mas nunca deixe de ser poesia.


terça-feira, 26 de abril de 2011

todos os dias perco um pouco de mim,
perco um pouco mais de mim,
perco o que sou,
o que estou,
perco quem fiz de mim...

todas as noites perco um pouco de mim,
perco um pouco mais de mim,
perco o que sou,
o que estou,
perco quem fiz de mim...

perco coisas que não quero mais encontrar...

domingo, 24 de abril de 2011

Dança de ritual...

Quando ela dançava,

Evocava deuses que eram só seus...

Distribuia bebidas,

E fazia da festa um ritual...

Ela sabia como ser divina no profano,

Sabia do profano o que se deve saber,

Como se deve saber...

Ela sabia servir,

Ela ser, e vir...

sábado, 23 de abril de 2011

...

hoje tive ódio de mim,
acordei inquieto, com vontade de você...
te procurei pelo que sobrou de mim,
pela raiva que me consome,
tentei te achar em meio a esse desespero que me jogou...

hoje teu cheiro ausente me incomodou,
e meus olhos perderam a referência sem você pra procurar,
estou chovendo por dentro,
e fazendo frio sem você...
estou sendo catástrofe em dia de sol.

e o que mais me mata não é a tua falta em mim,
o que me consome é falta,
é o desejo de ter,
de ser de alguém...
tenho asco a tua indiferença, a tua liberdade que abandona...

hoje to assim, sentindo as dores de um egoísmo que ensina,
e como diria o poeta "morrendo pra aprender a ser imortal..."
hoje to vazio de vontade, cheio de tudo...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fim do dia, começo de vida...

"Tirei os sapatos.
Sentei.
Recostei-me em respiração profunda.
Olhos fechados.
Pensamentos solto.
Corpo que acusa o tempo.
De repente: barulho.
Sorriso largo.

-Sim filho, o pai pode brincar agora... "

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Presentes do passado ou passados do presente...

Ele podia ter sido o primeiro, mas fez o único.
Foi descoberta e turbilhão de sentimentos;
Sonhos que privei da noite,
foi noites que doí em amanhecer...

Ele foi desejo que reprimi e que gritei!
Foi o brilho que meus olhos carregaram,
e a música que conheci, que aceitei.
Foi companhia certa,
foi graça que fiz,
presente que recebi...

Ele foi a voz que eu esperava ouvir,
a mão que nunca senti.
Foi o gozo da verdade que não sei se vivi,
foi confissões que fiz, que não soube esconder,
ele foi eu por inteiro,
foi o travesseiro,
a chuva, o vento...

E foi a lágrima...

Obsessão.

Paixão sem fim...

Foi o que o amor é pra mim...

Etéreo.

Ele foi tanta coisa, que de todas, mais me agrada é saber que foi meu,
e que foi livre...
Ele foi tanta coisa, que o que me move é saber que ele ainda é quem ele quer ser...
Ele é o som do meu coração,
é a promessa que vou cumprir...

Ele é distância que não afasta,
é descoberta.

E hoje não sei quem ele é,
mas nunca vou duvidar do que ele é...

sábado, 16 de abril de 2011

grande[mente] PEQUENO!!!

cansei do medíocre,
do grande.
cansei do inatingível.
por agora estou desejando coisas PEQUENAS:
ESTOU QUERENDO UM CANTINHO,
UM COLINHO QUENTINHO...
UM AMORZINHO,
ESTOU QUERENDO UM RESTINHO DE ATENÇÃO,
UM PEDACINHO DE CORAÇÃO...
ESTOU QUERENDO UMA PEQUENA TENTAÇÃO...

ESTOU ENTENDENDO O PEQUENO, e finalmente me libertando do grande comum.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

[cho]vendo coisas...

...sentiu cores novas e se entregou.
sentiu vento fresco e se abriu.
viu o desejo se anunciar e foi seu.
deitou-se no chão com respiração de querer,
foi passivo à situação.
molhado.
sentiu os pingos de entrega.
se entregou.
foi entregue.


era troca.


quando a vida foi maior,
o ato foi maior que algum nome podia limitar.
quando a força cresceu ele apenas aceitou se esperar...
teve prazer em sentir jorrar...
esperou o prazer do outro lhe satisfazer.
e ali, deitado na chuva, em sua plena companhia
soube amar o ato de chover....

domingo, 10 de abril de 2011

Crú e [dez]necessário...

Com 25 anos já troquei mais de 15 vezes de emprego. Desisti do magistério na metade. Troquei 4 vezes de curso de graduação, sem terminar nenhum até agora. Comprei meu atual corpo com uma redução de estômago. Mudei mais de 32 vezes de casa. Namorei com quem me deixou com mais chifres que cabelos na cabeça.
Errei a cada um dia dos meus atuais 9181 dias vividos. Fiz coisas erradas que julguei serem as mais belas do mundo, e vi belezas se acabando em casulos que não se romperam. Tive mais medo que sorte e menos verdades em assumi-los que coragem, eu sou assim: IMPERFEITO!
Eu quis por tudo fora, quis me desfazer de quem sou e de quem tenho de mim, mas acontece que sendo completo sou ruim, sou errado, e sou bom; Acontece que sendo eu, sou meu!
Gosto desse gosto de frustração que às vezes insiste em vir antes da sensação de dever cumprido, de alívio.
Gosto dos conselhos que segui, e amo os que nem ouvi. Tive trabalho em viver até aqui, e mais ainda em morrer até aqui; e em morrer nem sempre tive sucesso.

Esse sou eu, crú.
Sem cor, sem dor, sem amor, só os fatos; e querem saber por que? Porque essa imparcialidade que não sei ter da uma certa credibilidade que não quero ter, mas que por agora vai me ajudar a te fazer entender um anseio, uma advertência necessária para a vida de qualquer pessoa:


-NÃO FAÇA AS COISAS PERFEITAMENTE!!!

E quer saber por que? Porque perfeição é sinônimo de inexistente, quem fez perfeito nunca fez. Mas quem fez, viveu.
Estou cansado de esperar pelo tempo certo, pela hora exata, pelo sentimento que não machuca, EU QUERO VIVER! Quero amor eterno até que se feche a porta, quero doer se não der certo, quero entender e sentir que amanhã é hoje. Chega, não percamos nossas vidas esperando.
Precisamos andar...

terça-feira, 5 de abril de 2011

ser noites e dias...

e quando viu que a noite não era mais presença,
pensou em dormir,
em acordar acordos que não sabia fazer,
pensou em ser dia,
em ser chuva de verão,
pensou em todas as possibilidades do ser...
mas quando viu que a noite não era mais, apenas aceitou viver...