domingo, 24 de julho de 2011

O que sei é você...

O que sei é da tua força me pegando pra dançar,

O que sei é do teu silêncio me chamando pra cantar,

Sou tua.

Sou reposta e luz da rua,

O desejo de ficar,

O que sei são teus olhos me pedindo pra entrar,

Minhas curvas te fazendo se achar,

O que sei são vontades que a respiração faz gritar,

E são tuas mãos me fazendo calar...

Com você sou rio e sou mar,

Sou chuva que vem lavar,

Sou o melhor que a vida pode te dar,

O que sei é tua força me pegando pra dançar,

O que sei é teu beijo me fazendo delirar,

É você me dando motivos pra cantar,

É desejo que não posso conter,

O que sei é querer,

Você.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mais que sonhar, ser sonho!

Algumas lembranças da infância são tão reais que chegam a ter cor e cheiro mesmo depois de anos. Eu ainda posso tocar na imagem da primeira vez que me perguntaram o que eu queria fazer quando crescesse, aquele dia é tão vivo em mim quanto cada uma das certezas que tenho e que mudo diariamente.

Quando criança não tinha certeza se seria cantor ou se trabalharia como ator, sabia apenas que qualquer outra coisa que tentasse fazer não me serviria. Na adolescência, o sobrepeso e o bulling me deram uma visão mais incerta quanto a um futuro profissional e menos respeitosa. Desisti da música quando meus professores desistiram de mim, desisti dos palcos quando tive medo de ser eternamente o Papai Noel, ou o gordo engraçado de programas de humor, que de forma pejorativa expõe as diferenças.

Três semestres de história, semestres de marketing, cinco de administração, cinco anos vagando por cursos que não gostava, e 64kg mais magro e a vida resolveu me fazer um carinho, me trouxe um presente. Ganhei uma bolsa para estudar teatro fora do estado em uma faculdade com bastante reconhecimento na área; era minha hora de mostrar o porquê vim ao mundo: “vou brilhar!”

Meus pais em sua extrema doçura financiaram minha viagem, e minha estadia em um lugar que nunca antes pensei estar. Conheci gente, fiz amigos, fiz contatos profissionais, brinquei de turista, fui o “menino do rio” por dias de sol que queimavam minha pele branca de gaúcho descendente de alemães. Finalmente eu via uma lembrança virando sonho, e o sonho virando realidade, eu seria ator.

Faltando alguns dias para o prazo final da entrega da documentação para a matrícula e efetivação da bolsa, liguei para casa, pedi um documento que faltava. Solicitamente minha mãe enviou o documento por correspondência segura de que chegaria antes do prazo final.

Prazo final, o documento não chegou. O que um dia foi lembrança que passou a ser sonho agora era ferida. Sentei no chão e como a criança de cinco anos, que dizia que seria ator, chorei sem vergonha de ninguém, nem mesmo de mim. Chorei uma dor que não queria sentir. Chorei uma injustiça que acreditava ser maldade da vida. Chorei e fiz do sonho uma promessa: nunca mais eu iria querer saber de qualquer coisa voltada à arte. Engoli o choro, o orgulho e pedi pra voltar pra casa.

Aprendi que a dor de ver um sonho morrer é igual à dor de passar por cima do próprio orgulho, é igual à dor da decepção de nós mesmos, e é igual à vergonha que sentimos das pessoas que pedimos para sonharem nossos sonhos. Voltei pra casa, para os amigos, para os curiosos, para o mundo que eu havia construído onde lembranças não eram sonhos.

Hoje, três anos depois, minha vida tomou novo rumo. A música voltou como companhia constante, os livros voltaram a ser prazer, e o cinema descanso, o teatro às vezes bate a porta e, quando estou bem, deixo ele fazer uma visita nesse novo mundo. A ferida tem estado em processo de cicatrização, já não dói mais como antes, mesmo que por hora sei ou sinto que o melhor é manter alguns sonhos no campo das lembranças, e o viver da arte vai ficando assim: inerte e indolor.

Toda essa explanação, e talvez exposição desnecessária, é para justificar algumas das minhas atitudes pessoais e para explicar novos posicionamentos. Eu ando meio calejado quando o assunto é sonhos, quando o assunto é ir atrás de uma vida que acreditamos ser a nossa vida certa, mas mesmo assim não consigo pensar em deixar tudo para traz e fazer de conta que lembranças nunca poderão ser sonhos, ou que sonhos nunca serão alcançados.

Perguntar quanto vale um sonho é tão absurdo quanto perguntar quanto vale uma vida. Algumas vidas nunca passarão de sonhos e alguns sonhos serão a única vida que algumas pessoas terão.

Eu já sonhei, já vivi; e já desisti dos dois em fases distintas da minha vida. E retomei ambos. Retomei uma vida que não sabia que tinha quando tive medo de não poder mais sonhar; e tive medo de viver de sonho quando a vida me fugiu ao controle. E saibam, nenhuma dessas coisas foi fácil, normalmente nos custam no mínimo uma grana que consideraremos mal investida e o esquecimento do nosso orgulho e vergonha em admitir que erramos.

Tenho visto alguns amigos adormecerem sonhos, e tenho acompanhado o quanto isso dói para eles. Tenho visto algumas pessoas largarem tudo em busca de seus sonhos, e em anos ou meses depois voltarem frustradas e sinto em mim a dor que dilacera a alma dessas pessoas, sei o quanto isso significa. Mas o que realmente tem matado minha alma são as pessoas que conheço e que por variados, e não aqui discutíveis motivos, têm desistido de ir atrás de seus sonhos, tem abdicado de serem elas mesmas. Sempre seremos o que amamos.

Admiro quem gosta do que faz e, mais ainda, quem gosta do que é. Admiro uma galera que vive cantando em bares, sejam eles lotados ou com três bêbados desatentos, conforme já vi. Admiro pessoas que se propõem a viver seus sonhos e não se importam em ser os próprios sonhos. Admiro pessoas como Guilherme Bulla, Vivi Fields, Lais Tetour, Tephy Marcondes, gente como o pessoal do Projeto Cama, Mesa e Banho; admiro essa galera que sonha e ensina a sonhar, que divide o próprio sonho sem pedir nada em troca, contando apenas com a boa vontade das pessoas.

Quando comecei esse blog, era para ser simplesmente um lugar onde eu pudesse escrever sentimentos distorcidos em metáforas, não tinha pretensões maiores e de fato ainda não as tenho, porém agora vou dar espaço a sonhos que me fazem sonhar. Não tenho o intuito e menos ainda a qualificação de fazer analises críticas, mas posso falar de sonhos e de verdades que as pessoas vivem, posso divulgar sonhos e quem sabe incentivar algumas pessoas a porem mochilas nas costas e viverem seus sonhos, quem sabe inspiro pessoas a se permitirem ser seus sonhos?

domingo, 3 de julho de 2011

...devaneios de inverno

guardei um pouco do sol em minhas cobertas,
e senti o chão gelar as meias.
bebi mais café.
pela janela o vento faz vida em árvores secas.
tenho sentido um frio além da temperatura,
tenho feito de livros velhos a companhia certa,
e do copo a distração quente.
onde você está?
queria sentir mais uma vez o cheiro amarelo verão que você exala,
mas tenho visto branco,
vazio.
quando a noite chegar vou usar o sol que guardei,
vou beber mais café,
e vou me esquentar com o copo que distrai,
quando a noite chegar vou estar sozinho com meus livros,
e continuar aqui, o único lugar para o qual você não vai voltar...

domingo, 26 de junho de 2011

Onde fica o meu paraíso...

Meu paraíso fica ali do meu lado, deitado...
Exausto, mas rindo...
Com o canto da boca vermelho de beijos afoitos,
e marcas de quem perde o controle enquanto controla...
Meu paraíso tem leves gotas de suor que correm quentes em curvas que me pertencem;
E tem a temperatura que me mantem quente...
Ele tem cheiro de satisfação completa,
e riso fácil.
Meu paraíso tem nome,
e tem a mim...

terça-feira, 21 de junho de 2011

...

Tirei os sapatos e em silêncio entrei no quarto.
Depois de você o sorriso vem fácil.
Juntei com cuidado cada pedaço seu e com todo carinho e desejo guardei em segurança, não quero te perder só porque você não está aqui.
Vou fazer algumas coisas que eu havia planejado antes de você chegar, e planejar algumas novas pra quando você entender que o melhor é voltar...
Vou continuar aqui, e depois quando você quiser, aparece.

Sinceramente piegas...

Ainda sinto teu cheiro na minha cama
e teu gosto na minha boca,
e te quero aqui,
no lugar que é teu, dentro de mim.

Sinto teus olhos em minh'alma,
e sinto medo de não sentir mais você.
Tenho esperado os dias passarem,
tenho esperado você voltar como o rio que torna a nascente em forma de chuva,
não é sábio querer coisas que você não possa dar.

Teu corpo é tão presente em mim ainda,
e tua voz é o sim que estou esperando.
Desisti de algumas coisas,
cansei se algumas pessoas,
Mas ainda estou te esperando.

domingo, 19 de junho de 2011

Trajetória

Noite.
Rua solitária.
Rua que presenteia.
Olhares.
Caminhos mudados.
Conquista?!
Mensagens.
Tempo.
Audácia.
Vontade.
Ansiedade.
Conversas bobas.
Conversas curiosas.
Só conversas...
Tempo.
Vontade...
Mais tempo...
Finalmente um beijo.
Entrega.
Toque.
Calor.
Desejo.
Respiração ofegante.
Perda no encontro.
Olhos que falam enquanto a boca se ocupa.
Desejo sem medo.
Entrega sem duvidas...
Carinhos.
Sou teu.
Novas vistas...
Cheiros que não quero esquecer.
Sussurros.
Marcas.
Dois corpos em um inteiro.
Mais, preciso de mais.
Lugares que eu não conhecia em mim.
Lugares em você de onde não quero sair.
Descoberta.
Domínio.
Respeito.
Conforto.
Êxtase.
Gozo.
Tudo completo.
Presença na falta.
Prazer em lembrar.
Espera.
Necessidade.

Festa de partida e chegada...

Lutei comigo por esses dias,
Te desejei mais em mim,
e te fiz presença,
Te fiz ritmo de descaço
e em você dancei por estafa,
Te fiz festa,
e fui teu...

Busquei teu corpo na cama,
e quando não senti mais teu toque me fiz feliz pelo teu cheiro em mim,
pelo gosto da lembrança na minha boca...
Te faço saudade,
E quando você quiser, te faço mais...

domingo, 12 de junho de 2011

Dezinteresse

Umas das coisas mais lindas que jé me li...
Créditos ao MEU querido e Doug, o último...









Dezinteresse



ando pintando linhas
riscos soltos
pingos deixados sobre o papel de rascunho
que por desuso ou desapego
vai ser amassado e transformado em machê
sem correr o risco de se perder nos entremeios da pasta
prendo linhas rubras em maças do rosto
e vejo manchas púrpuras em peles mais ressecadas
não penso
só tracejo
por horas paro com o trabalho
e observo o tanto já desenhado
algumas cores deixadas de lado
preto que só se revela em sombras
pois o ambiente é de sol intenso
me desapego da obra
me desprendo dos ideais utópicos
para entender um desinteresse mutuo
relacionado ao medo
medo que a tela sente de mim
medo que eu sinto de terminar a obra precipitadamente
por ora, me prendo aos olhos
que gostariam de se mostrar verdes
esmeraldinos de lágrimas vãs
mas vão sempre insistir nessa doce mistura
do fundo azul com manchas amarelas
acho o ton perfeito
para os últimos e melhores momentos
de uma obra que não quero exibir
guardo-a comigo
e nada mais importa...

sábado, 11 de junho de 2011

Há tempos...

Daquelas noites sinto falta do teu coração batendo no meu peito,
dos teus olhos me convidando a entrar,
sinto falta de um tempo em que o mundo cabia em nosso quarto.
E sinto saudade de quem éramos juntos,
sinto saudade de um tempo que sei que não vai voltar
que não quero ver voltar...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Lamento em três tempos...

Pisei tanta areia,
queimei tanto sol,
chovi tanto por dentro...

(...)

E onde eu estava não importa,
onde você está agora?
Quero estar em você...

(...)

Quero deixar de ser deserto,
quero ser fala,
e andar pelo caminho certo...

terça-feira, 17 de maio de 2011

você tem, eu sendo...

você tem sido o som do meu coração,
a nova música que meu silêncio tem ouvido,
você tem a melodia que me faz dançar,
que tira meus pés do chão.
e a doçura da tua voz tem sido alimento para meus dias...
você tem sido vontade que insiste em não passar,
você é o caminho por onde meus pés querem andar,
é o lugar onde quero estar,
você é grito que prendi,
é presente que ganhei,
você é medo de perder sem ter...

tenho sido dança com a tua música,
e tenho quisto você a cada novo acorde,
a cada nova cor e cheiro que você me ensina sem saber...
tenho andado em um ritmo que não é meu,
tenho sido tão teu, que esqueci de ser...
tenho estado diferente,
e tenho estado tão igual em querer e temer,
igual em querer e não medir,
igual em não entender,
tenho sido diferente em não tentar explicar,
tenho sido diferente em pedir: VEM!

terça-feira, 10 de maio de 2011

... certezas ...




existe um silêncio que só cabe no escuro da minha cama,
uma cor que só ganha nome na luz dos teu olhos,
em você há movimento,
sinto teu fluir e meu corpo esquenta,
e teu calor é existência,
há em mim um lugar que só você pode estar.
e há uma palavra que só por você posso dizer,
em ti o impronunciável ganha forma...
existem caminhos que só em teu corpo posso percorrer,
e gostos que guardei em você.
há em mim mais de você que meus medos possam negar...
mas há começo e há fim,
e o que há de ser, o tempo vai dizer...



quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Vamos fazer um filme..."

Tinha esquecido de como é bom chorar de amor por um amigo!






"Aloha!!
(Agora isso me lembra aloka! Hehehehe)

Estava já há alguns dias lembrando de quando passávamos páginas e páginas conversando por e-mail, então dei uma espiadinha nos históricos e rachei o bico com alguns dos mais insanos diálogos entre dois desocupados proletariados... Ahuahauhuahauh

Aaaah, que saudade que deu!! = )

Queria tanto poder passar mais tempo contigo piazinho.
Sei que vai parecer manha, mas sinto falta do meu amigo mais que irmão.
Tu sabe que eu só sou simpático mas não muito sociável...

Prometo que vou tentar te visitar na segunda quinzena de maio (!!!!).
Aí tu vai ter que me levar pra conhecer a cidade grande! Ahauhauhauhauha

E como estão as coisa aí por Metrópolis??
Aqui em Smallville continua tudo quase na mesma.
Na verdade apesar de não representar muito no cenário mundial, tu sabe que esse lugar é cheio de particularidades e algumas delas dariam filmes!
Mas isso é assunto pra horas sem fim (sendo bem otimista) de muita pipoca e Smirnoff... = )

Cara, só queria te dizer que apesar de o tempo passar e as coisas mudarem, eu não mudei. Pelo menos o que eu sinto por ti. Até pq se mudar eu aviso... OK?
Te amo pra caramba seu bocó!!! Ahauhauhauah
Tinha que quebrar o clima tava ficando estranho!! = P

Mas, me conta uma piada aí...

Amplexos patéticos e nostálgicos,


Vida longa ao Rei!!"






Resolvi apenas não revelar o nome, já contei o milagre, o santo eu não quero dividir....

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fora de tempo...

Eu estive pensando:
Posso falar bem baixinho,
sussurrar no seu ouvidinho,
sorrir de cantinho,
posso acabar e fazer de conta que nada aconteceu,
posso fingir ser só seu...
Eu posso falar de novo se você não ouvir,
e a gente pode rolar de rir,
a gente pode falar de mim,
do meu amor por você,
Mas eu estive pensando:
Melhor mesmo é gritar,
melhor é admitir logo,
contar antes que descubram,
então resolvi dizer aqui pra você ler:

AMO VOCÊ!

[vi]zinhança!

Ouvi a porta bater. Meus vizinhos brigaram.
A porta foi na verdade um grito que o homem não conseguiu, ou não quis dar. Ela sim foi expressiva, me deixou na torcida, na expectativa, e a cada minuto daquele desabafo dolorosamente coletivo meu coração batia mais forte e ofegante.
Não sei do começo da briga, presenciamos (eu e o restante do prédio provavelmente) tudo a partir do berro raivoso e embargado de lágrimas e decepção dela:
"-Eu não merecia isto, ninguém merecia isto!"

Silêncio.

Sedenta de explicações que não a convenceriam ela continuou:

"-E se fosse eu?! Se eu fizesse igual aquela vagabunda?! O que você pensaria?"

O silêncio continuou.

A histeria também:

"-Me diz! Fala alguma coisa! O que você quer que eu pense? Como quer que me sinta? DIZ! FALA!!!"

Mais silêncio, e dessa vez ele foi palpável pelo prédio, éramos todos espectadores de algo que nem saibiamos ao certo do que se tratava...

"-Pra mim chega! Não aguento mais Carlos, não aguento! Eu não preciso passar por isso!"

De repente o silêncio é quebrado pelo barulho vazio de porta que bate.
"Pra onde ela iria? casa dos pais? Amigas? Acabar com a talzinha destruidora de casamentos felizes?" eis as dúvidas latentes em nossas desocupadas vidas... Mas pra surpresa geral mais gritos:

"-Carlos volta aqui! Onde você acha que vai? Você não vai me deixar aqui falando sozinha! Volta, estou mandando! Se você sair nunca mais vai voltar! Volta!"

Silêncio. Soluços quebraram o matador silêncio. O choro frágil e desesperado de mulher visceral enchia o prédio. O prédio fazia silêncio, estávamos inerte em uma intimidade que não nos pertencia, que não desejamos ter, a vida do outro por alguns instantes passou a ser nossa, "Deus, que mundo cruel esse, que sociedade omissa, ninguém enxugará as lágrimas dessa pobre mulher?!"

Meia hora mais tarde, silêncio. Burburinho de eletrônicos, cachorros latindo no elevador, e os filhos do quinto andar jogando bola mais uma vez no corredor.

Desci, fui ao supermercado, e na volta quem encontro esperando o elevador?
Ele. O monstro silencioso, o tal Carlos. Sorridente, sim; eu disse sorridente! Feliz com alguns chocolates, um vinho. Que espécie de homem é esse, faz o que faz e acha que vai ficar tudo bem se montar um climinha? E essa mulher?! Será que depois de todo esse showzinho vai fazer de conta que é feliz, que nada aconteceu?! Meu Deus, que vizinhança...

-Boa tarde. Eu disse em tom sóbrio, como se aquela montanha de emoções alheias não me afetasse em nada, como se eu nunca tivesse ouvida nada.

"-Boa tarde." Respondeu o talzinho cordialmente.
E com um sorriso amigável continuou um diálogo.

"-Você é meu vizinho não é?! Desculpe viu, minha mulher, ela às vezes se passa..."

Com um sorriso amarelo vergonha balancei a cabeça como quem diz um sim, mas que isso não se repita...

"-Olha, já conversamos sobre isso eu e ela, e ela ficou de ver com o pessoal lá do teatro se consegue entradas pra vocês aqui do corredor, como pedido de desculpa por estar repassando o texto em casa..."

O elevador abriu. Graças a Deus o elevador abriu. Sorri novamente, mas dessa tentando esconder o choque da revelação profissional, agradeci, entrei em casa, sentei no sofá, e ri por muito tempo.



Somos todos iguais, sempre esperando alguém não nos convidar pra entrarmos em uma "realidade" alheia e pré fabricar-la a nosso bel prazer. Os vizinhos se amam.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

quero silêncio em mim...

as coisas estão estranhas aqui dentro,
estou sentindo um cheiro de saudade que não reconheço,
e tem um pulsar desconhecido no meu peito.
os dias tem tido um tempo errado,
e as noites um fim que não chega até que eu adormeça.
o sentimento está sem nome,
e há uma dor que de tão leve, duvido que dói,
tenho sentido aqui dentro algo que ainda não vi lá fora...
as coisas tem tido um cheiro peculiar, que me faz lembrar o que não identifico,
estou confuso,
estou com frio,
e estou com chuva aqui dentro...
estou querendo silêncio em mim...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

com versos, com poesia...

às vezes a poesia tem gestos,
às vezes ela tem palavras,
e às vezes ela tem pessoas...

eu te quis menino poesia,
te quis perdido em mim,
no que é meu, nas coisas que te dei...

gosto da tua sensibilidade quase carente,
da pureza que te faz sóbrio,
do medo de ser piegas...

gosto do sentir por você,
gosto desse gosto que tua poesia deixa,
gosto desse deixar que acaba...

gosto das frases que te gritam,
e você com receio em não agradar o que gosta,
pede desculpa...

gosto de você pedindo,
e gosto mais ainda de você dando,
gosto de você menino poesia...

gosto da tua necessidade de cuidado,
e do teu cuidar,
você é porto seguro,
e um dia vai entender que pedir colo é dar segurança também...

gosto do teu lugar em mim poesia,
gosto de você solto em meus pensamentos
e porque não gostar menino?

quero teu colo poesia,
te quero por inteiro, sem querer ser meu,
sendo teu e gostando tanto do que tem que me oferecerá um pedaço...

te quero além das noites poesia,
te quero além dessas linhas,
e quero carne.

deixe doer,
e deixe parar de doer,
e deixe ser vastidão de silêncio,
deixe de ser meu,
me deixe,
vá embora,
e depois volte,
deixe de ser teu,
mas nunca deixe de ser poesia.


terça-feira, 26 de abril de 2011

todos os dias perco um pouco de mim,
perco um pouco mais de mim,
perco o que sou,
o que estou,
perco quem fiz de mim...

todas as noites perco um pouco de mim,
perco um pouco mais de mim,
perco o que sou,
o que estou,
perco quem fiz de mim...

perco coisas que não quero mais encontrar...

domingo, 24 de abril de 2011

Dança de ritual...

Quando ela dançava,

Evocava deuses que eram só seus...

Distribuia bebidas,

E fazia da festa um ritual...

Ela sabia como ser divina no profano,

Sabia do profano o que se deve saber,

Como se deve saber...

Ela sabia servir,

Ela ser, e vir...