terça-feira, 10 de setembro de 2024

ALLice

 

Mais uma viagem a fazer, e eu estou cansada.

Mais um destino pra não chegar.

Tudo parece ter pressa por essa janela

Tudo é tão rápido e molhado que eu só enxergo borrões.

O sol ainda vai queimar quando eu não acordar

Apesar de mim, o mundo segue.

Os coelhos correm e não há conselho que me faça grande,

Não há religião que revolucione

E eu devo estar enlouquecendo,

Não há necessidade de ser tão honesto

Nem razão pra tanto medo,

É só tentar dormir agora,

É só ter um pouco de coragem.

aparências

 

Seu olhar parecia tão doce,

E parecia oração o seu silêncio,

Suas mãos pareciam a certeza que eu buscava

E seu colo parecia meu ponto de chegada.

Seu coração parecia lar,

E você parecia ser o cara certo,

Mas parece que tudo só parecia...

Vazio

Não há mais nada aqui,

Tudo que construímos é vazio,

Segurar sua mão não me protege mais,

E seus caminhos não me levam mais a lugar nenhum.

Eu sinto falta do seu cheiro, e raiva da sua ausência.

Não há mais nada aqui.

Acordamos de todos os sonhos,

Eu me sinto tão estupido,

E mesmo assim não consigo dizer adeus.

Esse choro trancado dói tanto quanto seu último abraço.

Eu estou tão perdido que nem você conseguirá me achar,

O seu colo não será mais meu lugar,

Não há mais nada aqui. 

No final, promessa cumprida.

Eu disse que não ia embora,

E fiquei.

Eu vi o tempo passar,

Eu quis que ele me levasse com ele,

Eu queria o vento cortando minha pele, cortando nosso laço.

Mas eu disse que não ia embora,

E fiquei.

Você não pediu pra eu ficar,

Apenas disse que não me queria longe,

Então eu estive aqui todos esses dias.

Eu vi montanhas ruírem,

Eu vi estrelas morrerem

E eu não parei o tempo,

Eu parei o desejo,

E esperei,

Esperei você decidir,

Esperei você sentir saudades,

Sentir vontade,

Perdido entre meus desejos e seus monstros,

Eu esperei aqui, onde você sempre soube que eu estava,

Eu não soube dizer adeus

Eu cumpri minha promessa,

E só agora percebi que o tempo tinha pressa,

Eu estive preso entre seus dedos,

E essa falta de espaço me sufoca,

Parece um fim,

Mas eu fiquei,

Eu disse que não ia embora.

E estou aqui.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Vá...


Se meu coração não é mais seu lugar, vá.

Você pode fazer isso,

você sempre pôde.

 

Era sua liberdade que segurava o meu amor,

Então vá.

 

Eu nunca quis salvar você, 

Eu apenas estava disposto a me perder ao seu lado.

 

Vá.

 

Sim, eu percebo esse escuro,

Minhas estrelas morreram, 

E não há forma de controlar minha dor agora,

Então vá.

 

Ver você partir, será como acabar com o resto da minha esperança, 

Mas eu ficarei em pé, 

  

Só.

 

Verei você se afastar, 

A chama se apagará, 

E eu serei tomado pela escuridão, 

Mas eu estarei em pé.

Então vá, 

Eu posso te amar na escuridão do seu mundo, na dor da sua partida,

Mas eu não posso aceitar amor por piedade, também não aceitaria ser amado para te salvar,

Eu estava disposto a me perder ao seu lado.

Mas você não sabe estar.

 

Então vá...

 

Se meu coração não é mais seu lugar, vá.

Você pode fazer isso, você sempre pôde.

 

domingo, 1 de setembro de 2024

Carta aberta a Vaca Profana, dona não só de divinas tetas, mas também dos sábios cornos.


Eu sei que esse é um título é ridículo. E sei, também, que sou ridículo e só por isso esse título poderia/deveria ser apenas um pedaço dessa carta. E antes de tudo eu sei, as coisas não são como gostaríamos ou acreditamos que deveriam ser.


Sim, agora temos um começo.


Eu sempre amei você.

Sempre amei suas divinas tetas. Não por serem a mais bela escultura humana, mas por terem o calor exato do colo que preciso.


Querida Larissa, há tempo nos conhecemos, e há tempos eu sinto saudades. Sim, mesmo ao seu lado, às vezes, sinto saudades, é como se habitássemos em mundos gigantes, e como se sempre nos permitíssemos nos manter neles, mesmo que isso nos faça, abraçados parecer longe, ainda que nossos corações só consigam estar juntos.


Somos sempre tão escuta. Tão amor. Tão respeito. E, mesmo assim eu errei; em algum momento eu me deixei ser domado pelo mundo, pelo seu amor que deseja a paz, pela minha vontade de parecer sóbrio.


Eu errei.


Eu menti para nós.

Eu permiti a cela que o mundo veste.

Eu me adaptei.


Eu peço desculpas a você, a mim, a nós. Como eu pude mentir para nós e me adaptar, logo nós?!


Eu profanei nossas vivências e nossa luta. Eu anulei nossos sentimentos e nossas lágrimas.


Me perdoe Larissa Café Entidade de Divinas Tetas.


Me perdoe por acreditar que adolescer era errado, sem nunca ter perguntado o que era certo pra mim.


Eu não errei só, te levei comigo.


Mas admito, me pergunto se talvez, e quem sabe só talvez, você ignorou isso por amor, mesmo sabendo que eu estava errado.


Sabe, eu te amo na dúvida, no erro, nas possibilidades, e até na certeza(absurdo), mas na mentira é difícil amar qualquer coisa.


Uma vez, entre alguns gins tônicas conversamos sobre a vida adulta, sobre as certezas, sobre a mornidão da segurança. Naquele dia, um pouco frustrado, eu entendi o que isso significava a tão enaltecida “vida adulta”, e erroneamente te pus num lugar serviçal ao concordar que eu precisava dela. Eu te distorci como um fiel distorce uma deusa a seu favor.


Outra vez, eu tentei ser honesto, mas comedi palavras. Eu achava que minha dor vergonhosa não merecia poesia, mais uma vez eu nos desrespeitei. Contei fatos pela metade, temi quem eu sou.


Querida vaca profana de divinas tetas Larissa, ainda há tempo para consertar as coisas?

Ainda há palavras pra rechear a poesia?

Ainda há ninho para tentar voar?



Ainda sou dúvidas, eu só não lembrava.

Te amo!

Quando Eu Voltar

 

Estarei por aqui,

De onde nunca sai,

Por onde estive perdido

Estarei por aqui,

Não mais doce,

Não menos cansado.

Não menos amargurado,

Não mais feliz,

Mas estarei por aqui,

Mais honesto, como só o tempo e a maturidade podem nos deixa.

Estarei por aqui, de volta em mim.

As voltas comigo,

Me conhecendo e me libertando a cada palavra,

Não prometo conforto,

Nem constância,

Mas quando eu voltar, prometo, seguir por aqui...

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Sobre ir...

Foi-se o tempo...
Foi-se o gozo, a vida, a alma...
Foram-se os pedaços de mim,
Foram-se os dias,
Foram-se as vontades...

Foice tudo!

Tudo cortado precisamente.
Não rasguei, não dilacerei, não arranquei nada.
Foice tudo...



Foi-se eu,
Como eu disse, foice eu.
E agora que não posso ir, foice eu.
Viver é morrer em pedaços.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Ekeneando

eu acho que agora as coisas estão mais calmas,
talvez, agora, a dor seja apenas vontade de poesia.
eu devo estar mais cansado,
cansado da saudade,
cansado da verdade,
cansado daquilo que eu achava que era vontade,
devo estar negando menos as ausências,
eu devo estar devendo menos coisas agora que não há mais tratos,
e por falar em tratos, eu me dei alta do tratamento contra você.
e por falar em você, eu ainda minto pra parecer te precisar menos.
ainda falando em você, sinto falta de falar...
sinto falta de gritar,
até meu silêncio já gritou mais...
e por falar nos meus silêncios, que falta eu sinto.
quase não ouço mais o coração desobediente,
quase não me escuto chamar...
como eu sinto faltas agora que estou cansado das verdades...
como eu sinto, cansado.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

vazio, sem espaço...

ainda são tantos pedaços,
tantas coisas pra juntar e colar,
ainda é tanto trabalho e eu estou cansado.
quero parar,
eu preciso ir agora...
estou tão cansado, sem forças, sem vontades...
estou um pouco perdido,
sem caminho,
sem palavras,
mas tão cheio de gritos e choros que parece que não vou aguentar...
há tanto de você em mim que fica difícil não ser "nós".
estou uma tempestade em mar aberto...
prisão em ventos revoltos.
eu não sei se quero continuar...
não sei se posso, se consigo...
não há mais ajuda que organize esse caos que virou sentir você
algo está errado quando o chão parece mais seguro e confortável.
falta alguma coisa quando não tocamos mais  silêncio.
algo está errado quando todos os lugares estão vazios, e nada mais tem espaço.
eu queria estar seguro nos seus olhos,
e queria estar livre de você,
mas há tanto para fazer ainda.
então, desculpa, preciso ir...

Lamento, por você...


Como você está?

Ouvi dizer que estava bem, que sua vida seguia...

Que conseguiu seguir, que as coisas estão em seu rumo...

Eu sindo muito, lamento.


Lamento por você não estar sentindo esse ódio que me toma,

lamento por a sua vida não ter sido descompassada,
por você não ter sido derrubado pelo furacão que nasceu em mim.
Eu sinto por você ter sido sempre tão"certo" .


Como disse você um dia, "acabou, isso prova que existiu..."

Sinto pelas borboletas que nunca passaram de lagartas em seu estômago.
Sinto pelas vezes que estive preso em seus olhos,
e pelas vezes que você quis que eu voasse, eu queria continuar em você...


Eu sinto por cada coisa que guardei,

por cada peso que carrego,
por lembranças de nós...

Eu lamento pelo aprendizado sobre ser um quando são dois,

eu profundamente lamento por tanta teoria...

Eu sinto muito por você estar bem, de verdade.
Eu queria que você tivesse sentido um pouco do que eu senti, 
que tivesse sofrido esse presente,
que fosse desconforto esse prazer.

Eu queria você sentindo como eu, queria continuar aprendendo com você...


domingo, 1 de maio de 2016

Me espera...

Perdido em fragmentos mal quebrados,
em sonhos que a noite não deixa acordar,
em bagunças que minha ordem luta para mentir,
em você, bagunçado...

Perdido em uma ordem dolorosa,
acostumado, mentindo e acreditando,
silenciando desejos,
afastando escuridões, clarões e verdades,
reprimindo trovões,
sendo meu por medo de ser seu,
clamando: tenta me reconhecer...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

sei que você se importa...

chorando, sozinho em casa, eu te odeio...
odeio seus olhos,
seu cheiro,
odeio seu coração pulsando forte em nosso abraço,
odeio seus olhos refletindo o meu prazer,
e odeio sua doação,
odeio saber que você é o ninho que sempre quis, 
odeio nunca ter sabido tua idade,
e ainda assim ter a certeza de que você é o cara certo,
odeio cada sonho que tenho com você,
odeio o medo de estar sem você.
eu odeio seu cuidado comigo,
odeio os dias que não virão ao seu lado,
odeio tanto essa dor...
te odeio mesmo preso a você,
 e odeio cada uma das coisas que eu amo em você...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

do outro lado, dentro de casa...


quando tudo parou, eu estava perdido em você,
em seus olhos sorridentes,
em seu sorriso de quem descobre o mundo,
e em meio a tantos mundos, tudo em você era maior,
um universo de possibilidades...

afoito, perdi as palavras, o jeito, a coragem,
e vi crescer a necessidade...
desejei que os silêncios que estavam em você,
quis a beleza das suas cores,
o aconchego da sua doçura,
quis que o tempo fizesse sua função, que passasse,
que você chegasse mais perto,
que o desejo se tornasse ato inevitável,
esperei pela hora exata do toque...
eu queria a imensidão que você representava.
queria o gosto do momento guardado em mim...

você era tão cheio de possibilidades...

parado, alheio à dança, e ainda assim tão cheio de músicas...
havia em seu silêncio uma melodia única...
cheio de descobertas, o dono do sorriso.
os doces e curiosos olhos que procuravam mais,
achavam em tudo a grandiosidade que só o simples pode expressar.
você era o melhor depois que eu queria ter...


por isso, agora...

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Médico, O Monstro e o Tempo...

Eu vejo os dias passando,
E estar com você, às vezes, me faz sentir sua falta sempre.
Eu sinto tanto por não sermos,
Por estarmos,
Eu desejo tanto...

Eu vejo as coisas mudando,
E sinto a distância se consolidar com toda essa proximidade que se consolida,
Eu não posso te tocar como eu quero...
Mas não quero correr o risco de ficar sem teu toque...

Eu sei, eu falo muito, mas não direi nada,
Continuarei preso em seus olhos,
Seguro em seus abraços,
Desesperado pela sua ordem,
Seguirei velando o sentimento criança, que nasceu mas não vingara...

Estou tão confuso com você,
Sem você...
Estou tão melhor por você...

Eu seguirei,
Não há caminho ruim, se bem aproveitado.

Eu estarei observando o tempo...







domingo, 17 de janeiro de 2016

enquanto tereza não aparece...

livre do tempo ele dançava,
amanhecia em luzes dos olhos
e clareava sorrisos de sol.
dançava como se houvesse amanhã, e por isso era preciso aproveitar o agora.
dançava sozinho,
comigo,
e com quem mais quisesse ser mais que um.
dançava com as mãos,
coma alma em curvas, 
com o coração que batia e apanhava músicas fortes.
dançava desejos alheios,
roubava os desejos e os adoçava,
só para ser livre,
só para ser curva e melodia,
não tinha nome, mas tinha voz,
tinha vez...
tinha a liberdade de entrar sem convite,
de permanecer em paz,
era a festa em silênico
ele dançava,
dançava,
dançava...

sábado, 9 de janeiro de 2016

está tudo bem...

às vezes é bem difícil seguir com essa mentira,
fingir o tempo todo...
viver de ilusões.

a sua falta é algo que eu não sei lidar,
há muito espaço sem você aqui.

tenho forçado sorrisos,
dito que está tudo bem,
e que você não era tão importante,
digo que estaremos bem na próxima estação,
mas eu não acredito nisso.
eu não lembro mais como é acreditar no vazio...
e nem entendo muito bem como é que as coisas mudaram antes e agora estão inertes...
eu não conheço mais as possibilidades,
e as verdades não parecem mais te agradar como antes...
então eu minto: está tudo bem, eu te entendo...

sábado, 7 de novembro de 2015

malinha de mão...

eu tenho um pedacinho,
um coração doloridinho,
um lugar e um caminho...

eu tenho um pouco de dúvida,
e uma certeza bem cretina, 
uma vontade sem vergonha...

eu tenho medo,
insegurança,
e nem tenho nada...

eu tenho sido eu,
tantos,
ninguém...

eu ando atoa,
ator,
tenho um finzinho de história pela metade...

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Logo ali, no futuro...


Acordo assustado, amanheceu e a cama está vazia.

Rolo até o outro lado da cama apenas para me enrolar no teu calor, para sentir teu cheiro tão presente no travesseiro.
Rápida a memória aviva o gosto do teu corpo;  em resposta, a boca saliva o desejo de ter você em mim, mas amanheceu...


Saiu da cama, caminho lenta e preguiçosamente até a sala...

Você está sentado, de cueca, lendo Gaarder.
O sol da manhã ilumina teus desenhos, banha tua pele e aquece meu coração...


Os óculos, o café, o cachorro deitado no chão, você tão presente na distância da entrega, o silêncio, tudo tão espontaneamente milimetrado, cada coisa a seu lugar, minha prova de que o paraíso cabe em pouco espaço e pequenos raios de sol da manhã...



Eu fico ali, parado, eternizando.



E então eu entendo, amores de uma madrugada devem nos inundar em doses homeopáticas, se possível.

... salve-me




eu sinto cheiro de prazer no seu sopro de vida,
sinto a manhã acordando meu coração,
e sinto a vida começar quando você me toca...