sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Gosto
Gosto do teu cheiro no meu travesseiro,
Do teu sono na minha cama,
Gosto das tuas mãos no meu corpo
E dos teu sonhos no meu futuro.
Gosto de você em mim
E gosto também de estar em você
De sair acabado de você, em você.
Gosto dos teus olhos gratos em fim de ato.
Gosto e como gosto dessa respiração ofegante,
Desse cheiro que você exala pra me atrair,
Para me fazer fácil.
Gosto de sentir teus dedos cuidando de um espaço que é só teu.
Gosto de ver os teus beijos correndo meu corpo,
De sentir o umidecer da vontade...
Gosto tanto de ti que não meço
Que não arrisco a pedir nada,
Gosto tanto que apenas espero o teu gostar encontrar o meu...
Começo do tempo...
Hoje bebi o resto de sua água e chorei o começo de suas lágrimas...
Você não entende,
É tempo.
Que não seque a fonte,
que nada se esgote,
porque estarei com você.
Vou ser passos e pisadas,
e você braços e largadas,
em cama gigante,
em noite de amigo, manhã de amante.
E ainda assim é tempo...
Seja meu em horas que me perco,
seja eu quando eu não tiver identidade,
mas antes: seja teu!
E continuaremos sendo tempo!
Faça de mim aconchego,
faça em mim tempestade,
mesmo pela metade é tempo, e eu espero...
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
"que seja letra que me faz voar..."
eu nem sempre lembro o caminho exato de casa,
e voltar, às vezes, é pior que se perder por ficar.
não sou bom com pedidos,
não sou bom com novas músicas em velhos violões,
não sou melodia sem voz.
nem sempre acerto o tom,
e às vezes a voz precisa de companhia.
às vezes os pés não estão no chão assim como o coração não está sozinho,
espera!
ouve!
podemos dançar com esse silêncio.
sempre quero dançar contigo no silêncio,
mas te prefiro grito!
te sinto melhor quando as mãos afagam soltando palavras.
quando o desejo é segredo de luz acesa.
podemos andar muito ainda,
podemos ser companhia,
e às vezes seremos ausência...
você pode ser dor em dias de melancolia,
mas que não seja nunca privação,
e que sempre seja pra sempre enquanto quisermos.
que seja na medida do nosso eterno.
que você seja saudade gostosa de sentir e matar...
que seja abraço necessário de ganhar,
que seja letra que me faz voar,
escreve.
não deixe de fluir,
não deixe de jorrar...
Sóbrio...
Eu queria beber algo mais forte,
algo mais morte.
queria algo mais intenso que você,
queria beber nos teus olhos o que os meus não conseguiram esconder.
eu queria despedida.
Eu queria beber algo mais intenso,
algo que me fizesse viver,
esquecer.
queria ter motivos pra te procurar,
pra te enterrar,
pra fazer passado,
fim e acabado.
Eu queria beber algo mais cortante,
mais vidro, mais transparente,
algo mais atraente que a mentira de você.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Mais perto do inteiro!
Voa Ícaro!
Voa alto e sê o que te fiz,
Sê o que te quis,
Quem te profetizei.
Voa e vai alto,
Subir, subir...
Pro alto com meu coração,
Subir até o sol
E ser Ícaro!
Voa e me deixa ser lagarta,
Me deixa ser só.
Distante da glória,
Tão perto da história,
Vai...
Voa Ícaro,
Acorda em mim o que em você não dormiu,
Pro alto, mais alto...
Subir até o sol,
E ser Ícaro!
Voa Ícaro, e sê metamorfose,
"Seja para eu o que te criei..."
Cera quente, chão macio,
Voa mais alto e vê.
São dois sóis,
São dois, só.
Somos dois.
Voa Ícaro
Pro alto, mais alto...
Subir, subir
E ser Ícaro.
Voa agora.
Vou ser casulo,
Ser medo que criei,
Vou ser sonho que acordei.
Eu te desejei alto,
Te dei o vento...
Voa Ícaro, porque agora conheces o gosto amargo da liberdade,
Mais alto, mais perto de você,
Voa!
Subir; subir até o sol,
Até os sóis
Até ser Ícaro por inteiro!
Voa e conheça o que não escrevi,
Sê o Ícaro que profetizei,
Pro alto...
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Pobre homem que amava...
Cabisbaixo, roto e silencioso.
Anda sem querer chegar,
sem querer sair...
Pobre do que amava;
Pobre em sua riqueza agora tão vã.
Acordava tão sonhador,
sonhava tanto acordado,
Pobre do que amava...
Vagava de vagar,
andava só,
Sem mãos pra segurar,
Sem pés para compassar,
Pobre do que amava...
Era frio em noite de rua,
era veneno que lentamente não fazia matar,
Era liberdade que fazia morrer,
Pobre do que amava...
Nunca antes pensara,
em andar só, em viver só,
E pior, nunca antes pensara em sonhar só...
Ah! Pobre daquele que agora amava só e solitário.
Ele não era dia,
não era sangue que pulsava,
carne que é fresca,
O pobre só era o que antes amava,
Era que quem era e a quem tinha.
Era quem ainda não sabe ser,
por não ter sabido ter,
Pobre do que amava...
de olhar indireto,
de corpo frio
De pedaços que a vida fez separar,
pobre do que amava...
Sem versos, sem vícios,
Sem ser o que ama: Pobrezinho do homenzinho,
sem seu amorzinho,
preso em seu mundinho de imensidão que só o vazio pode dar,
Pobre dele,
Daquele de amor perdido,
de ego dolorido,
de abandono sofrido,
de sorriso esquecido,
de ombro caído,
de dia?! Perdido!
De dia perdido.
De dia seguido de dia, sempre cada um deles perdidos...
Pobre do que amava...
Daquele, que sem forças nem lamentava,
não levantava,
e fazia da cama, sozinha, casulo de dor.
Pobre do que amava...
Do que me compadecia,
me enchia de luto e altruísmo,
me fazia egoísmo em sentir por aquele que hoje é só o Pobre que amava...
Pobre do que amava...
Que aprisionado no passado
sofria um presente sem muito futuro,
Pobre do que amava...
Um homem que chorava e a dor não terminava,
um homem que via os dias acabarem sem o tempo passar,
sem o sentimento mudar, sem ter de novo a quem amar,
Pobre homem de alma rota,
Pobre do que amava...
Nada o recuperava,
Nada voltava,
Nada fazia dele o homem que antes amava,
E assim, seguindo cabisbaixo,
e se ia sendo só,
O pobre homem que amava...
(02/12/2010)
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Sonhando sonhar o sonho...
Num súbito assalto me beija afoitamente,
A sede do passado é castigo que carregamos,
As mãos mais uma vez com força ganham liberdade em tocar.
Meu corpo é complemento do seu calor,
eu sinto seu coração dentro de mim.
"Eu te amo"
Me pega com força e jorra dentro de mim o seu infinito.
Mais uma vez sou mansidão.
Cheio de ti.
Vira pro lado e acorda...
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Mudanças
Os abraços estão diferentes,
e o calor agora não tem mais malícia...
No rosto o cuidado em não errar e deixar o desejo acertar o canto da boca.
Dos abraços, as mãos são serenas e cuidadosamente ingênuas.
Estamos amigos, mas até quando seremos amantes?
É doce o término quando o ombro que se chora é o mesmo que se afasta,
e a partida não tem gosto de despedida, mas cheiro de chegada,
a partida é começo que dói como o que nasce entre nós na cama,
A cama! Ah a cama, agora ela cheira a cuidado, apenas cuidado...
As fortes batidas agora são apertadas, de um coração parado.
Não julgo passado, não entendo o presente e nem espero pelo futuro,
eu não quis até doer de tanto querer...
Vou matar uma a umas as borboletas que depois de um tempo de descuido saíram de casulos abrigados pelo meu estômago.
Vou chorar baixinho, rir alto,
Voltar a ser meu, e não por nada fora.
Gosto do que guardo.
Ainda vou me procurar em teus sonhos,
e dormir soluçando por você.
Vou viver o tempo, e comer dele, o que ele me oferecer,
seja qual sabor for.
Vou andar por aí conversando comigo,
sendo meu amigo.
Mas te levando comigo, se quiser...
LUTO
Silêncio, vamos respeitar a memória daquele que esfria, branco e sem reação.
Olhos vidrados no passado,
lágrimas no presente,
incertezas no futuro...
Eu sou o meu luto e sou o que luto.
Sinto o cheiro de flores e velas...
Vejo luzes embriagadas,
Eu não sinto mais mãos quentes...
Vejo o que morreu, e como deve ser o imortalizo em boas lembranças.
Eu vejo esse que morre, e me mata saber disso.
Sinto a dor, e entendo a morte.
Não tenho medo ou respeito, apenas a reconheço com desprezo e distância.
Estou de luto e não sei até onde quero lutar.
Descobri no meu luto, que nem sempre preciso lutar.
Entendi que lutar no luto é não aceitar a dor que vai ser maior que qualquer vitória.
Mas luto meu luto.
Silenciosamente eu luto.
sábado, 27 de novembro de 2010
aprendi a voar, e não esqueci que o chão é amigo...
as coisas estão diferentes em estar tão iguais...
os abraços voltaram a ser apertados,
e como sempre, carregados de afeto...
os beijos se tornaram uma troca de preocupações,
e tudo está tão semelhante ao que se difere.
as noites abraçados agora têm outro cheiro,
mas os corpos burros de desejo e egoísmo ainda sã o os mesmos,
ainda não reconhecem o tempo,
ainda insistem em tornar incestuoso uma virtude que nem sabíamos ter.
tudo é tão diferente em se igualar agora...
nunca antes eu chovi tanto,
nem antes havia percebido de forma tão clara minha fraqueza
estou desarmado, quebrado.
eu sou dor que não quer curar sozinha,
sou medo que cresce, e pela primeira vez sei como é sentir a dois a solidão.
estou crescendo tanto que perdi meu lugar dentro de mim.
estou esperando tanto que tudo volte...
ainda preciso de asas e não vou esquecer jamais que "o chão é amigo..."
e se perguntarem: Ainda amo! E talvez ame mais que antes...
e se entenderem, me expliquem...
as coisas ainda estão iguais, mas doem tão diferentes...
e de tudo só tem uma coisa que não nos cabe: o fim.
estamos começando, igual, mais uma vez,
mas agora um compromisso diferente...
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
...coxia
eu queria chover lá fora como chovo aqui dentro,
queria sentir derramar mais de mim,
há tempos parei de sentir água,
e comecei a ser pedra,
comecei a esquecer das coisas que fluem
e passei a forçar as que achava necessário.
eu queria ser fraco aqui fora,
assim como finjo ser forte lá dentro.
eu criei conceitos e teorias que não soube explicar,
que não consegui sustentar.
eu deixei de ser meu por mim.
eu queria jorrar mais.
queria pedaços meus pela casa,
eu preciso de fortaleza desfeita.
onde estão meus medos?
quero sentir verdades que escondi em mentiras protetoras.
eu quero um fim,
e quero também mais fogo nessa brasa que não se apagou.
eu queria ver as luzes ali na frente,
assim como não se apagam aqui dentro,
eu preciso ouvir mais mãos se juntando,
e saber da altura que um vôo pode ter,
saber do peso que um texto pode ser.
eu quero gritar e admitir,
por isso vou continuar a fingir e fugir.
cortejo sonhador...
eu seguia o cortejo...
era preto, era branco,
era canto e era reza.
com o velar nos passos,
com a noite entrando em dia,
com dias afogados em confusão de irreal.
não teve cheiro,
não teve carne.
era espírito livre,
bordados em cetim,
brilho fosco de entardecer.
eu cortejava perdido aquilo que ainda não achei.
eu era multidão de um,
era cortejo solitário,
era solidão acompanhada,
preso na liberdade de sonhar.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
...segredos de querer
eu queria ser faca e cortar o vento,
queria ser mestre e explicar o que as cores sutilmente escondem.
eu queria voar com asas vermelhas que não libertam além de um céu de flores,
andar descalço por um caminho de sapatos perdidos e achados de si.
eu queria escorregar por entre meus dedos,
dançar em cheiros de silêncio, em expectativas de festa.
eu queria esperar.
quando corro, não tenho a pretensão de alcançar,
e menos ainda a de chegar,
quando corro apenas quero ser vento.
eu queria ser luz que apaga,
ser mente que mente pra alegrar em lembranças que esqueci.
queria ser nota de violão choroso,
ser melodia de dança em pés cansados.
ser movimento que o vento esqueceu de mexer, esqueceu de fazer.
eu queria ser casulo irrompido,
casa abandonada em nome de liberdade que só as cores da luz conhece.
quando acordo não desejo fazer, o segredo é saber apreciar.
eu queria ser pedra que rola,
ser despenhadeiro que faz subir quando cai,
queria cores de vermelho terra pintados em som de calor.
eu desejei ser cortado por água,
me tornar caminho de lendas
abrigo de estrelas cansadas.
eu seria deserto a noite, e praia de manhã só para poder entardecer rio.
eu seria personagem de conto de fadas, que o livro não fechou.
eu desejei tanto,
sonhei tanto,
vi sons, ouvi cores, temei estações e passei por sentimentos...
e hoje sou o que nunca soube admitir que queria ser,
hoje sou mudança que gosta de andar,
mudança que sabe parar, que sabe continuar,
sou mudança que só faz uma coisa: MUDAR.
porque mudar faz aprender,
porque mudar não significa abrir mão do que é bom,
mas mudar significa valorizar o que não se quer deixar.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
desafios da noite...
a noite eu vejo ratos, eu sinto gatos,
todos arranhando dentro de mim
a noite eu vejo pó,
eu sinto a solidão prantear e gritar em meus olhos vermelhos.
me sinto só...
a noite eu digo coisas que não sinto,
eu nunca minto
e a noite eu vivo dias que as batalhas não venceram,
vivo momentos que não morreram
faço viagens que o dia esconde,
a noite é quando estou sóbrio,
quando me entrego ao opróbrio
e me sinto só mais um...
é quando sou um número que esqueci de contar...
quando esqueci de acordar...
quando escuro me faz ver.
é quando no silêncio alguém me chamar...
alguém me matar...
DECLARAÇÃO PROFANA!
"Respeito muito minhas lágrimasMas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas..."
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas..."
Respeitosamente, bem digo em ti profana de olhos e santa de beijos, os nomes e os desejos que meu alento não deixam fugir.
Em ti grito ô mulher de muitos amores, as dores que meu peito não deixa crescer por medo de morrer na humanidade que os teus olhos não sabem ver.
Deusa de sons e ruídos conhecidos, mulher de muitos maridos, mas fiel a um só amante: o tempo.
Dai-me tempo, dai-me vida que emana de ti ô minha vaca, minha profana.
Quando te cantaram, sabiam que um dia eu te roubaria; que contigo fugiria; que casaria e que depois festaria a tragédia que acordamos por estarmos sóbrios.
Sejamos sempre festa!
E que as dores mortas por nossas mentiras existam vivas em nossos destinos,
Sintamos nós minha entidade Larissa, minha epidemia maior, o amargo do mel e o doce do fel,que os outros não encontram por medo de esmiuçar o pequeno, e desespero em viver o grande.
Façamos nós amor em palavras ferinas que os olhos não sentem, que os corações não mentem; e bem sabes tu minha deusa entidade epidêmica bovinamente profana: EU TE AMO EM LETRAS MAIORES QUE A DE CAETANO, QUE ANTES TE CANTOU...
Te sentirei sempre como café, sempre sem açúcar, sempre errando em te beber por excesso, criando palpitações, tendo tonteiras lendo besteiras, acelerando o coração...
Preciso de ti no limite que desconheço e desprezo.
Te abuso com gosto e gozo, minha sempre café e deusa entidade epidêmica bovinamente profana Larissa...
Contigo guardo segredos escrachados, e músicas só nossas que alguém cantou, músicas que todos conhecem mas que em nós são segredos sentimentais...
São minhas as lágrimas que derramas e que te lavam alma; lágrimas que escondem um porque alheio.
E embora eu não admita, para ti meu mantra é : "Mostra, mostra, mostra as tuas tetas, deixa que eu veja as tuas tetas, não mostra para os caretas, mas se preciso for, careta também ser meu amor, então mostra, mostra..."
Te mostra Larissa, tu é grande demais pra pedir atenção!
Te faz mulher lagarta de casulo apertado.
Desabrocha em ti, sai desse vício de ser, e te torna aquilo nasce pra fazer: ser Larissa.
Te faz Larissa, degringola!
Minha sempre café e deusa entidade epidêmica bovinamente profana Larissa...
chegado...
chegou e me pegou como a um violão,
me pôs no colo e me passou a mão,
me fez cantar no tom exato,
me fez gemer no ato,
chegou e me fez beleza complemento,
me deu alento,
e comigo assoviou Caetano,
dedilhou notas surdas de músicas que não conhecia,
me fez cantiga,
despertou meninas,
me fez serenata,
me fez sentido o colo quente,
onde no peito batia um amor que nem sabia,
mas em mim também vivia.
chegou e me pegou,
me tocou,
me fez beleza e completei pequeno sua nobreza,
brilhei sua grandeza.
chegou e me fez violão,
me fez música e canção...
domingo, 31 de outubro de 2010
Por Ontem...
Sempre preferi as fugas às despedidas, parecem doer menos. Sempre optei por lançar fora tudo aquilo que tive medo de perder, mas às vezes despedidas são necessárias. Às vezes despedidas fazem um sangrar de coração necessário e libertam a alma...
Às vezes o tempo se encarrega de despedidas que não temos força ou vontade de fazermos, mas Às vezes ele (o tempo) aparece como um presente, uma chance e até mesmo uma necessidade de tentarmos mais uma vez esse sangrar necessário e libertador que é a despedida...
17/04/2010
Eu só preciso te deixar ir.
Te sentir partir de mim, quando a vontade é prender.
Preciso te ver livre pra lembrar de mim.
Preciso vagar em lugar nenhum,
e mais uma vez não ter ninguém pra precisar só de mim.
Eu quero você distante por agora,
Quero me sua distância me aproximando de mim.
Quero passos no chão,
Não vou mais voar com tuas asas.
Prefiro ser solidão sem dor.
Eu preciso de você longe de mim,
Preciso estar vazio para poder achar um lugar onde ficar
Preciso de mim plantação,
E saber que ainda tem o que crescer, o que querer;
Saber que ainda vai ter que morrer.
Preciso saber que sem você ainda vai ter alguma coisa.
...
Despedidas feitas. E ainda e estou vivo;
sábado, 30 de outubro de 2010
Busca pés...
Cabeça baixa,
peso da fé,
e amar até o chão,
mesmo depois do não,
mesmo sem tua mão, teu pão,
amar mesmo sem ter teu coração.
Andar solitário por entre você,
estar em você e ser de você o bem querer
sonhar na rua,
viver na lua,
me fazer da tua carne nua e crua.
ver o sol que você deixar passar,
sentir o cheiro que você exalar,
exaltar e te ressaltar,
sonhar com nós dois em altar,
sonhar com você, em estar...
fazer carinho de mansinho,
ser seu "neguinho", seu pedacinho de céu,
te levar em mel, usar contigo um anel,
te buscar quando acordar
me arrastar, buscar teus pés
e te achar...
... sábado
É sábado de tarde, e a cidade vai com uma cor peculiar.
É sábado e a voz que canta é Bethânia.
Eu vejo cinza em dias como hoje.
Sinto cheiros de cítrico calor,
e o vento que espero faz frio e arrepio em corpo distante.
É sábado de tarde e a chuva vai começar....
vai lavar e levar coisas que eu esperei e detestei por tempos...
É sábado de tarde, e ainda não é tarde para ser sábado.
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