sábado, 22 de outubro de 2011

Terapeutas são caros, blogs são de graça...




       Quando criei esse blog minha única pretensão era desabafar; isso mesmo: DESABAFAR! Nunca tive a pretensão de que ele se tornasse um sucesso, nunca ambicionei ser parado por alguém para comentar uma eventual postagem minha; como eu sempre brinquei com meus amigos mais próximos "meu blog é minha privada eletrônica". Claro que as coisas acabaram saindo um pouco do foco e isso não é um problema, e nem eu tenho o direito de reclamar dessa situação, afinal: "quer segredo?! Escreva em um diário!!!".

       Hoje, porém, quero voltar as origens do blog; como de fato algumas vezes eu fiz. Quero ter o direito de ser mimado e reclamar. Quero reclamar da minha vida, dos meus amores não correspondidos, dos meus amores perdidos e mais ainda quero reclamar do meus amores não sentidos. Não quero parar e ponderar sobre meu direito de fazer isso, não quero ouvir lição de moral em prol de uma ética social, então caro (a) leitor (a), antes de desejar julgar meu súbito de mimo e egoísmo eu lhe peço: PARE AGORA MESMO DE LER, esse texto é meu, e de poucos amigos que não julgarão meu direito de escreve-lo, amigos que no máximo me darão o prazer de seus abraços e silêncios eloquentes. 

       Bem, como bom virginiano que sou, vou separar e organizar os assuntos por área, assim também, caso alguém tenha continuado a ler poderá escolher apenas as áreas de interesse...


FAMÍLIA:

       Minha família está longe, mesmo com meus pais se fazendo presente diariamente em ligações carinhosas e depósitos bancários que podem ser classificados como humildes, mas que são tudo o que tem, e às vezes eu sei que é bem mais do que possuem. Sinto saudade dos meus pais, mas confesso que o restante da minha família estar distante me dá um certo alívio, melhor assim, prefiro ignorar certos problemas. Alias, não levo meu problemas pra eles, não quero os deles pra resolver, não casei com ninguém, não pari ninguém, não falei mal de ninguém, não quero ninguém me cobrando por isso, não quero esse tipo de atmosfera em volta de mim. Sim, eu quero um casulo de afastamento deles, assim meu amor por eles se mantem vivo, caso contrário não peçam paciência, o pouco que restou dela em mim eu uso para me manter vivo.


AMIGOS:

       Como diria a canção: "meus bons amigos, onde estarão?!"


   Já tive amigos que souberam de mim tanto ou mais que eu mesmo, amigos que influenciaram na minha vida, que me fizeram mudar o rumo da minha vida. Tive amigos que eram parceiros. Amigos que eram irmãos. Amigos de viagem, e amigos de viajar. Amigos que dormiram na minha cama, e que dividiram camas alheias comigo. Tive os que se fizeram amigos em apenas um olhar, e os que não duraram mais que a lembrança de um olhar. Tive tantos amigos, muitos... E quando eu falo "tive", não é porque todos esses eu perdi, mas é porque não sei onde estão e não sei também se ainda são meus amigos, fica difícil classificar quem não está, quem não sabemos, e pior ainda: quem nem lembramos.

       Atualmente meu MSN (que quase nunca uso) tem 690 contatos, meu Facebook tem 933 amigos e meu Orkut (sem uso) tem 658 amigos, eu devo fazer parte de alguma outra rede social que agora nem lembro, e eu ainda tenho amigos que não fazem parte de nenhuma dessas redes sociais, mas que estão por aí... A questão é: quantas dessas pessoas eu devo realmente classificar como amigos e ter coragem e decência de pedir abrigo, abraço e ser verdadeiro. Por que eu não estou vomitando todas essas coisas a um amigo?! Ah sim, deve ser por dois únicos motivos:
1) Não tenho coragem de confiar inteiramente nas pessoas e ter que admitir o que elas sabem, eu sou humano e cheio de erros, fraquezas e medos.
2) Não confiar nas pessoas cegamente.

       Culpa?! Acho que ninguém tem, mas também não acho que tudo seja descaso do destino, não quero julgar, não sei ser imparcial pra isso. Mas uma coisa eu sei e quero registar: sinto falta dos meus bons amigos...


PESO:

       Hoje, 4 anos e 7 meses depois de ter feito a redução de estômago, e ter saído dos 147kg chegando aos 80 e poucos, sim; 80 e poucos porque hoje de tanto que ando comendo tenho medo de me pesar, e saber que já devo estar pesando mais que meus 83kg de peso ideal. Não tenho conseguido manter uma alimentação saudável e menos ainda tenho conseguido me exercitar com frequência, ou seja, se as coisas continuarem nessa crescente logo, logo vou estar uma orca novamente, e saibam, EU ABOMINO ISSO!


DINHEIRO:

       Sou descendente de alemão, tenho o defeito do orgulho vivo em mim, correndo nas minhas veias com meu sobrenome, mas a necessidade faz milagres em nossas vidas. E hoje, como eu sempre digo: "Parei de fazer o que quero e passei a fazer o que preciso!"
      Meus pais nunca foram ricos, mas sempre tivemos uma situação financeira bem confortável, até a má administração do dinheiro, a desvalorização salarial, quem sabe o comodismo, alguns golpes que a vida sempre dá de forma certeira e a odonto me fizeram sentir as dores e os horrores da falta de dinheiro. Sim, eu sou bolsista, não pago mensalidade, mas pago fortunas em materiais práticos e didáticos, pago aluguel, água, luz, comida, roupas, transporte.
       Meus pais, pra minha dor, venderam a casa, o carro e hoje andam a pé e moram de aluguel com o intuito de que eu me forme. Além dessas perdas eles também vivem uma vida de privação social, que embora nunca comentem eu sei que existe, sei que não saem a festas restaurantes ou outras diversões que antes eram rotineiras e prazerosas a eles. 
       Eu pra ajudar a completar a grana e porque detesto a ideia de ter 26 anos e depender exclusivamente dos meus pais comecei a trabalhar a noite (único horário disponível, graças a faculdade),  nesses 3 anos trabalhei como garçom, coordenador de copa, lavei muito copo, muita louça, limpei muito banheiro, juntei muito lixo, ouvi tantas barbaridades de idiotas metidos a senhores do mundo que fiz questão de esquecer boa parte delas, o não lembrar dói bem menos. Sinceramente não gosto muito dessa posição de trabalhador noturno, eu preferia gastar 300 reais em uma noite a ganhar 45, mas preciso, levanto a cabeça e vou a luta, fodam-se!


        Trabalhar a noite e ter que estudar o dia todo é difícil, às vezes tenho medo da qualidade da minha formação, mas o importante é ter foco, e isso ainda tenho; o que me chateia mesmo são as situações em torno desse fato. Me chateia levar um "carteiraço" na noite de algum idiota com muito dinheiro que me olha com arrogância e diz com ar intimidador: "Me respeita garçom, quem tu acha que é?! Eu sou estudante universitário, eu faço odonto!" ou " é bonitinho, pena que limpa banheiros, não ficaria com alguém que limpa banheiros..." ou ainda " É por ser tão lento que vai passar a vida limpando banheiro", ou "Nunca vai deixar de ser garçom...", ou " Te desejo tudo de bom, você é um ótimo garçom, sempre terá emprego sendo tão solicito..." Tá achando ruim, pode ser pior, às vezes eu preciso deixar de fazer parte de alguns eventos sociais de alguns amigos ou colegas e no auge da sua falta de discernimento já tive que ouvir coisas como "Quanto tu ganha? Eu pago!"... É, difícil essa história de estudar quando não se tem muita grana mas se tem um ego imenso. Me sinto humilhado, esmagado e tremendamente triste cada vez que passo por uma situação dessas e preciso sorrir, e fazer de conta que nada aconteceu, de que está tudo bem, de que sou imune a feridas e comentários pejorativos...



SEXUALIDADE:


       Hoje em dia parece tudo tão lindo, tão bem resolvido; as pessoas parecem tão conscientes e abertas. Agora experimenta ser gay e dizer a suas amigas que vai sair com o marido delas pra olhar um filme, ou pra um show ou mesmo pro futebol. Explique para os seus amigos que  são pais que o mundo deles não acabou, e que não é culpa deles e nem de ninguém que o filho deles seja gay.
         Sim queridos, as coisas estão mudando, mas não se iludam, ainda é muito difícil não ser o padrão. Ainda ouvimos comentário cortantes e olhares desconfiados, ainda somos personagens recorrentes em piadinhas estúpidas e programas de comédia, travestis ainda não conseguem empregos dignos e homens afeminados não podem exerce cargos de chefia no exército, parecem condenados a serem liderados, ou no máximo conseguem boa posição em profissões especificas para quem é gay, como se isso fosse possível.
        Gay não é sinônimo de pedófilo, mas os pais não se sentem a vontade em deixar suas filhas com uma babá assumidamente gay, e pai nenhum vai querer o se garoto sendo educado diariamente por um gay, "não se sabe o quanto eles refinarão nossas crianças...". Gay não é sinônimo de tarado ninfomaníaco, eu não quero "pegar" qualquer pessoa que eu conversar, da mesma forma que não é todo mundo que vier conversar comigo que vai ter algum tipo de interesse sexual por mim...
       Queridos, dizer que as coisas mudaram, e que tudo agora é mais fácil é coisa de quem é hetero. Vivemos em tempos de guerra fria, antes nos atacavam durante o dia, olhavam em nossos olhos e sabíamos de onde vinho ódio, sabíamos de quem deveríamos nos defender, hoje tudo é as escondidas, tudo é sem ser. Hoje temos medo e receio de de quem se diz amigo até que nossa sexualidade não se aproxime.


SEXO:

       Gosto. Gosto muito! Duas semanas sem e fico mal humorado (o que não tem sido raridade acontecer...Hehehehehe). Mas sexo não é público, não faço pelas ruas ou em eventos sociais, não faço sexo com qualquer um que conversar comigo, ou com qualquer pessoa que eu beijar, faço sexo com que me der tesão e EU quiser. Pra mim sexo pra é satisfazer o outro, é ver alguém enlouquecer, faço o que for preciso pra ouvir gemidos de loucura, faço qualquer coisa pelo gozo alheio, isso é o que me move sexualmente; caso contrário, se fosse exclusivamente pra me satisfazer eu me masturbava. Então quando alguém no final de uma transa me diz em meio a risos "muito prazer", eu sei que cumpri minha missão e meu prazer é maior no silêncio pós termino que no ato de gozo.


AMORES = DORES

       Confesso que nessa hora eu começo a ponderar um pouco mais e começo a repensar o grau de verdade e fúria empregado nesse texto, acho que aqui minha vida pode descambar de vez, mas contando que ninguém mais esteja lendo, continuarei da mesma forma que comecei.
       Quero saber por que motivo eu não consigo amar quem me ama e da forma quero saber  por que quem eu amo não pode me amar?! Isso me revolta profundamente, de verdade!
       Se eu pudesse contar a quantia de vezes que chorei por alguém que não me amou, ou se eu pudesse contar às vezes que me martirizei por não conseguir gostar de quem gostava de mim.
       Esse ano em especial, doí muito por isso. Tive duas desilusões que me machucaram tanto a ponto de fazer perder a fome, o sono, a vontade e a coragem. Quis entender, quis esquecer,e hoje só o que quero é doer, sentir cada uma das partes do luto desse aborto que é só meu, afinal esse sentimento que morre antes de nascer sempre é só de uma parte. Eu odeio o silêncio mórbido que os que não correspondem nos impõe, por favor se compadeçam, olhem em nossos olhos e digam: " Não quero, não vai acontecer!" isso doerá mais, mas alimentará menos, e em pouco tempo estaremos inteiros novamente, com algumas marcas é claro, mas inteiros...
       Atualmente estou doendo uma dessas desilusões, confesso que tem sido difícil conciliar a tentativa de seguir a vida, reconhecer e permitir um novo amor com tanto rancor, mas dessa vez pelo menos eu pude agir de forma leal a mim, fui sincero, me expressei, disse tudo o que sentia e desejava, não vou ser hipócrita, falei tudo o que queria esperando pelo menos um "obrigado pelo carinho" e como não poderia deixar de ser, recebi silêncio, algumas coisas nunca mudam, e nem podemos reclamar...
       Da mesma forma que imploro por esse bom senso dos que não podem corresponder, quero publicamente pedir PERDÃO uma pessoa especial aqui, gostaria muito de SÓ POR HOJE poder ser perdoado por não poder corresponder ao sentimento mais nobre  que alguém poderia ter sentido por mim, e PERDÃO por não ter sabido conduzir a situação de forma a causar menor dor. Perdão meu último namorado!
       Sabe, às vezes eu penso que essas minhas atitudes nada mais são que frutos dos meus bloqueios emocionais, frutos de possíveis medos de me machucar, de me envolver de verdade. Seria uma ótima arma de defesa, se eu só desejar quem não me quer nunca vou ter quem eu quero e assim não me envolvo, não me machuco; mas será que eu posso ser tão baixo e tão doente assim?! Medo de mim!

RELIGIÃO

       Eu poderia polemizar aqui, mas acho tão desnecessário fazer isso, a simples palavra "religião" já traz um separatismo dolorosamente desnecessário.



       Acho que deu, qualquer terapeuta já teria me mandado embora, tudo nessa vida tem tempo.
        Esse texto deve estar cheio de erros, não vou revisar, nem editar nada, não quero correr o risco de amenizar algumas verdades, então caso tenho lido até aqui, perdoe-me pelos erros, e pelo tempo tomado, mas não esqueça: Eu avisei que seria esse vômito todo...


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

prender sem segurar

se perguntarem, vou dizer que sim, 
que fiz, que quis...
Enquanto eu puder vou levar comigo,
e quando acabar o espaço vou achar fácil por fora,
vou entender a hora,
e quando me perder no tempo,
vou andar, e só...
vou estar em lugares que meus pés não pode me levar,
em águas que não podem lavar,
vou estar onde o meu paraíso tem nome,

onde tenho você.
se entenderem, vão ver: eu espero.

tenho tempo, mas não tenho muito além.
quando entrarem, vão entender...

nem sempre eu sei, nem sempre eu lembrei...
às vezes eu mentia, 
às vezes doía,

e mesmo assim, o que importa é andar.
passar por sentimentos além de mim,
por medos sem necessidade,
por vontades e saudades de quem não tive,
saudades de quem me prendeu sem me segurar...
voltar,
parar,
existem coisas que só sei em ti.

domingo, 9 de outubro de 2011

de tanto você

de tanto procurar você em outros corpos,
e de tanto não te achar,
por nunca te largar,
e solto não me achar...

de tanto não saber,
de tanto procurar,
e por nunca esquecer,
por não me libertar...

de tanto não pode dizer,
de tanto silêncio fazer,
por não poder gritar
por não saber me expressar...

de tanto querer,
de tanto desejo,
de tanto, por você,
por ficar esperando...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

opostos e dispostos





eu tenho medo do desapego, 
tenho medo de perder o que ainda não tenho,
e tenho medo de precisar de coisas que pus fora.
eu tenho medo de me perder na minha bagunça,
e de me achar perdido no meu caos.
eu falo demais,
eu tenho medo de ser contraditório quando o que busco é melhorar.
ser padrão é ser igual,
mas eu ainda me assusto com o que se parece comigo.
eu tenho medo do oposto, e do disposto.
eu tenho fome e medo de engordar,
mas quando mudo tenho medo d'estar diferente.
eu sou tão grande que não caibo na cama,
mas sou tão pequeno que não apareço no mapa,
eu sou pequeno a ponto de caber em alguém.
tudo o que tenho são vontades, 
e às vezes troco elas por bom senso,
troco balas de goma por balas de hortelã,
por balas de festim, por balas de verdade,
de ver a idade.
eu troco o que sou e o que tenho pelo que serie se eu trocar.
evoluir em andar, em parar,
evoluir em ir, em poder vir.
eu tenho medo e isso me leva, e me freia.
e agora, sei que o que tenho me faz parar.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Amor em três rounds

No prédio em frente um casal briga.
Ouço berros;
insultos que corroem.
Às vezes as lágrimas são tão eloquentes que afogam os gritos,
às vezes é o silêncio, a pausa, o ensaio do fim...
Os estilhaços tem som de fúria,
e as acusações: fugas que foram cultivadas com o tempo.
O cheiro disso tudo é medo, pena, é a falta que vai fazer.
A cama não será mais quente,
e o domingo de sol será sem parque.
Silêncio!
Uma porta que bate,
outra que abre,
Uma voz chorosa que grita na janela,
Outra que responde da calçada:
-Eu te amo!
-Volta!
E assim a vizinhança segue seu rumo...

. Como não começar,

"...Hoje eu matei um cara,
não lembro o nome dele;
sei que era quente,
que encheu minha cama,
mas não havia lugar pra ele,
então: matei-o.

Não matei por maldade.
Matei por necessidade;
por saber que ele não sobreviveria em mim,
por ainda sentir na minha cama quem não vai embora.
Matei por piedade de não iludir.


Hoje, quando matei o "cara", eu sabia como fazer.
Disse adeus, fechei a porta e voltei a dormir..."

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A lavadeira

... Amanheceu na beira do rio,
E a morena começou a lavar,
Morena lava, que a água leva,
Morena me leva que a água vai.
Espumou e a água limpou,
Morena aproveita que o branco clareou,
Que o sol hoje não queimou,
Morena lava.
Morena aproveita que hoje o mundo nem te olhou,
Gira, gira;
Lava e deixa levar.
Morena me leva que a água vai.
Que a água vai...

Verdades sobre aprender um fim...

Eu estou aprendendo,
estou te deixando fora de mim,
estou te pondo ao meu alcance sem dor.
Eu estou entendendo,
comecei a respeitar a dor como saudade,
e o não como condição.
Eu estou mais tranquilo,
menos dolorido,
agora eu já posso ver cores que a ausência dos teus olhos escondia,
e consigo sentir calor sozinho,
tenho ouvido músicas que seus lábios não desenharam.
Estou melhor,
E agora também comecei a mentir.

sábado, 17 de setembro de 2011

Doendo presença.

Às vezes que queria estar sozinho,
sentir só o sol queimar nossa cama,
e entender o amanhecer como presente.
Eu queria sentir mais que o seu cheiro em mim,
e ver você onde estás.

Às vezes eu queria que as flores não morressem,
e queria que o tempo não passasse.
Mas talvez eu queira você fora de mim.
Queria esquecer seus sussurros com sono,
e seus olhos umidecendo verdades.
Eu queria abraços, com braços e peito pulsando.

É verdade, eu queria flores que não morressem,
queria que você fosse embora quando me deixa,
que saísse de mim quando fecha a porta,
Eu queria doer tua real ausência,
não quero mais doer presença.



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

para morrer o que mata...

eu tenho em mim um cheiro que não me pertence,
e uma lembrança que insiste em ser viva,
eu tenho um medo em perder que só conheci com você
e tenho as noites que não acabam,
meus pés doem, mas há tanto o que andar ainda.
minha alma sente, mas minha carne falta.
eu tenho em mim um gosto que só encontro na tua boca,
um prazer que só teus olhos conhecem,
eu tenho tanto de você, que tua falta me mata.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Aceitando não acreditar

Como não ser sóbrio se a noite insiste em ir embora?
Como desistir de tudo se o peito ainda bate tão apertado?

Como saber se tudo o que conheço são verdades mutáveis e mentiras sustentadas pelo desejo?
Eu ainda duvido dos dias de sol sem você,
ainda esqueço as chaves se você não é meu motivo para voltar,
andei perdido em você,
andei me perdendo em te perder,
e agora desisto de desistir, e passo a insistir.

Nada muda, mas eu imploro,
nada é, mas eu prefiro acreditar,
ande ao meu lado, e eu irei a diante.
Me faça verdade que teus lábios profanam no escuro,
no sussurro do suor,
me tenha como ao medo,
e serei o que consigo, serei seu.

Eu quis mais, quis limites
mas acontece que você sabe como voar,
e quando vai, me leva.
Me acalam a alma com um "sim".

Me guarde em você, e serei sol em manhã de domingo.
Me lave e me leve, me flua.

E me deixe fluir, me deixe ir sem doer, 
e mesmo sem entender, me faça aceitar o que é o perder...

domingo, 11 de setembro de 2011

Trajetória Parte IV

...Eu tenho sido chuva,
tenho sido água que não lava,
mas que leva.
Eu tenho visto os dias perderem a cor,
e o peito bater vazio.
Eu tenho sido deserto que verte,
eu sou ausência...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Trajetória Parte III

Meus lábios te pediram pra ficar,
mas meu coração implorava para que você não fosse embora,
que você não saísse de um lugar que só você soube chegar.
Não quero longe quem está dentro,
quem ainda que distante, enche minha cama.
Não vai.
Estou te pedindo para ficar,
Você é o perfume da minha cama,
é a cor dos meus dias...
Descobri em você caminhos que não entendia,
Estou sendo teu,
sendo egoísta em te dizer o quanto preciso de você.
Não vai.
Eu sinto frio sozinho,
Estou te pedindo pra ficar.

Trajetória Parte II

hoje minha cama dói com o vazio,
e minha carne dilacera tuas palavras,
teus medos e tuas vontades.
hoje meu peito sente a batida do teu coração em abraço apertado.
e eu sou dor que permite chorar,
hoje eu não entendo o "não" como fim.
eu te peço pra ficar,
pra me abraçar.
eu te espero.
ainda não sei viver sem o calor da tua pele,
sem teu cheiro de casa
e tuas costas ainda são o caminho que sei percorrer.
hoje eu sinto verter em mim verdades que não quis ouvir,
mas você falou,
você me abraçou,
senti teu cheiro,
senti minha vida no enrosco dos teus braços,
e queria estar sentindo você agora, em mim.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

breves segredo "de faz de conta"




eu tenho sido água que salga a boca,
que lava a alma,
que enche de solidão a imensidão da minha cama.
eu tenho derretido como gelo em copo vazio,
tenho mentido verdades que não sabem silenciar em mim,
e dos gritos tenho justificado a loucura que tenho cultivado.
eu sinto os dias como álcool:
ardência, anestésico, prazer, fim e começo.




dois pra lá, dois pra cá, dois além...

Eu dancei.
A música acabou,
a perna bambeou,
mas o o coração mandou,
e eu dancei.

Eu dancei.
Senti arrepio,
esqueci o frio, senti calor,
flui como rio,
eu dancei.

Eu dancei,
uma noite inteira, a vida toda;
eu sorri e dancei.

Eu dancei.
eu bem sei,
dancei.

Relato de cor





"...Tive oito filhos,
casa humilde,
dinheiro que faltou,
preocupação que sobrou,
tive o casamento que quis,
família feliz.

Nunca acordei depois do sol,
nunca tive sexta sem tambor,
nunca os dias foram sem amor,
a luz já faltou,
e já cortaram a água,
mas aqui a gente chora abraçado.

Não estudei,
eduquei oito que com amor criei,
tive o casamento que quis,
família feliz.

Trabalhei com chuva molhando e sol queimando,
sempre disse que da minha cor eu tenho orgulho,
do meu credo e do meu ninho saem minha força,
a luz já faltou,
já cortaram a água,
mas aqui a gente chora abraçado..."

amanhecer

"Sempre era domingo,
e as noites sempre tinham o luar dos teus olhos,
eu era vento quente,
me perdoe por amanhecer.

Sempre no tom certo,
na vibração ideal,
sempre passado o presente futuro.
e eu mudei a canção.

não há mais palavras,
a culpa fala no silêncio,
e cega com a tanta luz,
me perdoe por amanhecer..."

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Eu e os verbos...

Eu tenho o cheiro de estrelas que derrubamos,
tenho as mãos vazias,
e tenho o escuro das noites sem você.

Eu perdi a luz,
e vaguei em lugares que esqueci de apreciar,
deixei conforto em braços que não são seus.

Eu disse versos que a verdade não alcançaria,
jurei mentiras que ninguém desfaz,
e silenciei.

Eu fiz planos,
quis realidade,
Onde erramos?

domingo, 28 de agosto de 2011

Sábado da mamãe

quando for sábado eu vou acordar cedo,
vou comprar flor,
perfumar a vida,
vou acender vela.
vou cantar com o lírio no cabelo,
quando for sábado vou dançar com o espelho,
e se eu chorar, vai ser com açúcar.

quando for sábado vou pro colo da minha mãe,
vou levar presentes, e ser acolhido,
quando for sábado vou achar marido,
vou cantar e exaltar minha mãe.

quando for sábado,
e eu vou acordar cedo,
vou tomar banho de cachoeira,
lavar a alma e enfeitar a vida.
quando for sábado eu vou dançar com espelho e espada.

confissões solitárias






...do silêncio que fiz, entendi não mais poder calar,
calejar e doer.
entendi não entender o que se faz,
o que se leva e o que se traz,
do silêncio que fiz entendi o que não se pode entender,
o que não se pode esconder em verdades,
e entendi o que se pronuncia em omitir,
entendi versos no silêncio...

domingo, 24 de julho de 2011

O que sei é você...

O que sei é da tua força me pegando pra dançar,

O que sei é do teu silêncio me chamando pra cantar,

Sou tua.

Sou reposta e luz da rua,

O desejo de ficar,

O que sei são teus olhos me pedindo pra entrar,

Minhas curvas te fazendo se achar,

O que sei são vontades que a respiração faz gritar,

E são tuas mãos me fazendo calar...

Com você sou rio e sou mar,

Sou chuva que vem lavar,

Sou o melhor que a vida pode te dar,

O que sei é tua força me pegando pra dançar,

O que sei é teu beijo me fazendo delirar,

É você me dando motivos pra cantar,

É desejo que não posso conter,

O que sei é querer,

Você.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mais que sonhar, ser sonho!

Algumas lembranças da infância são tão reais que chegam a ter cor e cheiro mesmo depois de anos. Eu ainda posso tocar na imagem da primeira vez que me perguntaram o que eu queria fazer quando crescesse, aquele dia é tão vivo em mim quanto cada uma das certezas que tenho e que mudo diariamente.

Quando criança não tinha certeza se seria cantor ou se trabalharia como ator, sabia apenas que qualquer outra coisa que tentasse fazer não me serviria. Na adolescência, o sobrepeso e o bulling me deram uma visão mais incerta quanto a um futuro profissional e menos respeitosa. Desisti da música quando meus professores desistiram de mim, desisti dos palcos quando tive medo de ser eternamente o Papai Noel, ou o gordo engraçado de programas de humor, que de forma pejorativa expõe as diferenças.

Três semestres de história, semestres de marketing, cinco de administração, cinco anos vagando por cursos que não gostava, e 64kg mais magro e a vida resolveu me fazer um carinho, me trouxe um presente. Ganhei uma bolsa para estudar teatro fora do estado em uma faculdade com bastante reconhecimento na área; era minha hora de mostrar o porquê vim ao mundo: “vou brilhar!”

Meus pais em sua extrema doçura financiaram minha viagem, e minha estadia em um lugar que nunca antes pensei estar. Conheci gente, fiz amigos, fiz contatos profissionais, brinquei de turista, fui o “menino do rio” por dias de sol que queimavam minha pele branca de gaúcho descendente de alemães. Finalmente eu via uma lembrança virando sonho, e o sonho virando realidade, eu seria ator.

Faltando alguns dias para o prazo final da entrega da documentação para a matrícula e efetivação da bolsa, liguei para casa, pedi um documento que faltava. Solicitamente minha mãe enviou o documento por correspondência segura de que chegaria antes do prazo final.

Prazo final, o documento não chegou. O que um dia foi lembrança que passou a ser sonho agora era ferida. Sentei no chão e como a criança de cinco anos, que dizia que seria ator, chorei sem vergonha de ninguém, nem mesmo de mim. Chorei uma dor que não queria sentir. Chorei uma injustiça que acreditava ser maldade da vida. Chorei e fiz do sonho uma promessa: nunca mais eu iria querer saber de qualquer coisa voltada à arte. Engoli o choro, o orgulho e pedi pra voltar pra casa.

Aprendi que a dor de ver um sonho morrer é igual à dor de passar por cima do próprio orgulho, é igual à dor da decepção de nós mesmos, e é igual à vergonha que sentimos das pessoas que pedimos para sonharem nossos sonhos. Voltei pra casa, para os amigos, para os curiosos, para o mundo que eu havia construído onde lembranças não eram sonhos.

Hoje, três anos depois, minha vida tomou novo rumo. A música voltou como companhia constante, os livros voltaram a ser prazer, e o cinema descanso, o teatro às vezes bate a porta e, quando estou bem, deixo ele fazer uma visita nesse novo mundo. A ferida tem estado em processo de cicatrização, já não dói mais como antes, mesmo que por hora sei ou sinto que o melhor é manter alguns sonhos no campo das lembranças, e o viver da arte vai ficando assim: inerte e indolor.

Toda essa explanação, e talvez exposição desnecessária, é para justificar algumas das minhas atitudes pessoais e para explicar novos posicionamentos. Eu ando meio calejado quando o assunto é sonhos, quando o assunto é ir atrás de uma vida que acreditamos ser a nossa vida certa, mas mesmo assim não consigo pensar em deixar tudo para traz e fazer de conta que lembranças nunca poderão ser sonhos, ou que sonhos nunca serão alcançados.

Perguntar quanto vale um sonho é tão absurdo quanto perguntar quanto vale uma vida. Algumas vidas nunca passarão de sonhos e alguns sonhos serão a única vida que algumas pessoas terão.

Eu já sonhei, já vivi; e já desisti dos dois em fases distintas da minha vida. E retomei ambos. Retomei uma vida que não sabia que tinha quando tive medo de não poder mais sonhar; e tive medo de viver de sonho quando a vida me fugiu ao controle. E saibam, nenhuma dessas coisas foi fácil, normalmente nos custam no mínimo uma grana que consideraremos mal investida e o esquecimento do nosso orgulho e vergonha em admitir que erramos.

Tenho visto alguns amigos adormecerem sonhos, e tenho acompanhado o quanto isso dói para eles. Tenho visto algumas pessoas largarem tudo em busca de seus sonhos, e em anos ou meses depois voltarem frustradas e sinto em mim a dor que dilacera a alma dessas pessoas, sei o quanto isso significa. Mas o que realmente tem matado minha alma são as pessoas que conheço e que por variados, e não aqui discutíveis motivos, têm desistido de ir atrás de seus sonhos, tem abdicado de serem elas mesmas. Sempre seremos o que amamos.

Admiro quem gosta do que faz e, mais ainda, quem gosta do que é. Admiro uma galera que vive cantando em bares, sejam eles lotados ou com três bêbados desatentos, conforme já vi. Admiro pessoas que se propõem a viver seus sonhos e não se importam em ser os próprios sonhos. Admiro pessoas como Guilherme Bulla, Vivi Fields, Lais Tetour, Tephy Marcondes, gente como o pessoal do Projeto Cama, Mesa e Banho; admiro essa galera que sonha e ensina a sonhar, que divide o próprio sonho sem pedir nada em troca, contando apenas com a boa vontade das pessoas.

Quando comecei esse blog, era para ser simplesmente um lugar onde eu pudesse escrever sentimentos distorcidos em metáforas, não tinha pretensões maiores e de fato ainda não as tenho, porém agora vou dar espaço a sonhos que me fazem sonhar. Não tenho o intuito e menos ainda a qualificação de fazer analises críticas, mas posso falar de sonhos e de verdades que as pessoas vivem, posso divulgar sonhos e quem sabe incentivar algumas pessoas a porem mochilas nas costas e viverem seus sonhos, quem sabe inspiro pessoas a se permitirem ser seus sonhos?

domingo, 3 de julho de 2011

...devaneios de inverno

guardei um pouco do sol em minhas cobertas,
e senti o chão gelar as meias.
bebi mais café.
pela janela o vento faz vida em árvores secas.
tenho sentido um frio além da temperatura,
tenho feito de livros velhos a companhia certa,
e do copo a distração quente.
onde você está?
queria sentir mais uma vez o cheiro amarelo verão que você exala,
mas tenho visto branco,
vazio.
quando a noite chegar vou usar o sol que guardei,
vou beber mais café,
e vou me esquentar com o copo que distrai,
quando a noite chegar vou estar sozinho com meus livros,
e continuar aqui, o único lugar para o qual você não vai voltar...

domingo, 26 de junho de 2011

Onde fica o meu paraíso...

Meu paraíso fica ali do meu lado, deitado...
Exausto, mas rindo...
Com o canto da boca vermelho de beijos afoitos,
e marcas de quem perde o controle enquanto controla...
Meu paraíso tem leves gotas de suor que correm quentes em curvas que me pertencem;
E tem a temperatura que me mantem quente...
Ele tem cheiro de satisfação completa,
e riso fácil.
Meu paraíso tem nome,
e tem a mim...

terça-feira, 21 de junho de 2011

...

Tirei os sapatos e em silêncio entrei no quarto.
Depois de você o sorriso vem fácil.
Juntei com cuidado cada pedaço seu e com todo carinho e desejo guardei em segurança, não quero te perder só porque você não está aqui.
Vou fazer algumas coisas que eu havia planejado antes de você chegar, e planejar algumas novas pra quando você entender que o melhor é voltar...
Vou continuar aqui, e depois quando você quiser, aparece.

Sinceramente piegas...

Ainda sinto teu cheiro na minha cama
e teu gosto na minha boca,
e te quero aqui,
no lugar que é teu, dentro de mim.

Sinto teus olhos em minh'alma,
e sinto medo de não sentir mais você.
Tenho esperado os dias passarem,
tenho esperado você voltar como o rio que torna a nascente em forma de chuva,
não é sábio querer coisas que você não possa dar.

Teu corpo é tão presente em mim ainda,
e tua voz é o sim que estou esperando.
Desisti de algumas coisas,
cansei se algumas pessoas,
Mas ainda estou te esperando.

domingo, 19 de junho de 2011

Trajetória

Noite.
Rua solitária.
Rua que presenteia.
Olhares.
Caminhos mudados.
Conquista?!
Mensagens.
Tempo.
Audácia.
Vontade.
Ansiedade.
Conversas bobas.
Conversas curiosas.
Só conversas...
Tempo.
Vontade...
Mais tempo...
Finalmente um beijo.
Entrega.
Toque.
Calor.
Desejo.
Respiração ofegante.
Perda no encontro.
Olhos que falam enquanto a boca se ocupa.
Desejo sem medo.
Entrega sem duvidas...
Carinhos.
Sou teu.
Novas vistas...
Cheiros que não quero esquecer.
Sussurros.
Marcas.
Dois corpos em um inteiro.
Mais, preciso de mais.
Lugares que eu não conhecia em mim.
Lugares em você de onde não quero sair.
Descoberta.
Domínio.
Respeito.
Conforto.
Êxtase.
Gozo.
Tudo completo.
Presença na falta.
Prazer em lembrar.
Espera.
Necessidade.

Festa de partida e chegada...

Lutei comigo por esses dias,
Te desejei mais em mim,
e te fiz presença,
Te fiz ritmo de descaço
e em você dancei por estafa,
Te fiz festa,
e fui teu...

Busquei teu corpo na cama,
e quando não senti mais teu toque me fiz feliz pelo teu cheiro em mim,
pelo gosto da lembrança na minha boca...
Te faço saudade,
E quando você quiser, te faço mais...

domingo, 12 de junho de 2011

Dezinteresse

Umas das coisas mais lindas que jé me li...
Créditos ao MEU querido e Doug, o último...









Dezinteresse



ando pintando linhas
riscos soltos
pingos deixados sobre o papel de rascunho
que por desuso ou desapego
vai ser amassado e transformado em machê
sem correr o risco de se perder nos entremeios da pasta
prendo linhas rubras em maças do rosto
e vejo manchas púrpuras em peles mais ressecadas
não penso
só tracejo
por horas paro com o trabalho
e observo o tanto já desenhado
algumas cores deixadas de lado
preto que só se revela em sombras
pois o ambiente é de sol intenso
me desapego da obra
me desprendo dos ideais utópicos
para entender um desinteresse mutuo
relacionado ao medo
medo que a tela sente de mim
medo que eu sinto de terminar a obra precipitadamente
por ora, me prendo aos olhos
que gostariam de se mostrar verdes
esmeraldinos de lágrimas vãs
mas vão sempre insistir nessa doce mistura
do fundo azul com manchas amarelas
acho o ton perfeito
para os últimos e melhores momentos
de uma obra que não quero exibir
guardo-a comigo
e nada mais importa...

sábado, 11 de junho de 2011

Há tempos...

Daquelas noites sinto falta do teu coração batendo no meu peito,
dos teus olhos me convidando a entrar,
sinto falta de um tempo em que o mundo cabia em nosso quarto.
E sinto saudade de quem éramos juntos,
sinto saudade de um tempo que sei que não vai voltar
que não quero ver voltar...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Lamento em três tempos...

Pisei tanta areia,
queimei tanto sol,
chovi tanto por dentro...

(...)

E onde eu estava não importa,
onde você está agora?
Quero estar em você...

(...)

Quero deixar de ser deserto,
quero ser fala,
e andar pelo caminho certo...

terça-feira, 17 de maio de 2011

você tem, eu sendo...

você tem sido o som do meu coração,
a nova música que meu silêncio tem ouvido,
você tem a melodia que me faz dançar,
que tira meus pés do chão.
e a doçura da tua voz tem sido alimento para meus dias...
você tem sido vontade que insiste em não passar,
você é o caminho por onde meus pés querem andar,
é o lugar onde quero estar,
você é grito que prendi,
é presente que ganhei,
você é medo de perder sem ter...

tenho sido dança com a tua música,
e tenho quisto você a cada novo acorde,
a cada nova cor e cheiro que você me ensina sem saber...
tenho andado em um ritmo que não é meu,
tenho sido tão teu, que esqueci de ser...
tenho estado diferente,
e tenho estado tão igual em querer e temer,
igual em querer e não medir,
igual em não entender,
tenho sido diferente em não tentar explicar,
tenho sido diferente em pedir: VEM!

terça-feira, 10 de maio de 2011

... certezas ...




existe um silêncio que só cabe no escuro da minha cama,
uma cor que só ganha nome na luz dos teu olhos,
em você há movimento,
sinto teu fluir e meu corpo esquenta,
e teu calor é existência,
há em mim um lugar que só você pode estar.
e há uma palavra que só por você posso dizer,
em ti o impronunciável ganha forma...
existem caminhos que só em teu corpo posso percorrer,
e gostos que guardei em você.
há em mim mais de você que meus medos possam negar...
mas há começo e há fim,
e o que há de ser, o tempo vai dizer...



quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Vamos fazer um filme..."

Tinha esquecido de como é bom chorar de amor por um amigo!






"Aloha!!
(Agora isso me lembra aloka! Hehehehe)

Estava já há alguns dias lembrando de quando passávamos páginas e páginas conversando por e-mail, então dei uma espiadinha nos históricos e rachei o bico com alguns dos mais insanos diálogos entre dois desocupados proletariados... Ahuahauhuahauh

Aaaah, que saudade que deu!! = )

Queria tanto poder passar mais tempo contigo piazinho.
Sei que vai parecer manha, mas sinto falta do meu amigo mais que irmão.
Tu sabe que eu só sou simpático mas não muito sociável...

Prometo que vou tentar te visitar na segunda quinzena de maio (!!!!).
Aí tu vai ter que me levar pra conhecer a cidade grande! Ahauhauhauhauha

E como estão as coisa aí por Metrópolis??
Aqui em Smallville continua tudo quase na mesma.
Na verdade apesar de não representar muito no cenário mundial, tu sabe que esse lugar é cheio de particularidades e algumas delas dariam filmes!
Mas isso é assunto pra horas sem fim (sendo bem otimista) de muita pipoca e Smirnoff... = )

Cara, só queria te dizer que apesar de o tempo passar e as coisas mudarem, eu não mudei. Pelo menos o que eu sinto por ti. Até pq se mudar eu aviso... OK?
Te amo pra caramba seu bocó!!! Ahauhauhauah
Tinha que quebrar o clima tava ficando estranho!! = P

Mas, me conta uma piada aí...

Amplexos patéticos e nostálgicos,


Vida longa ao Rei!!"






Resolvi apenas não revelar o nome, já contei o milagre, o santo eu não quero dividir....

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fora de tempo...

Eu estive pensando:
Posso falar bem baixinho,
sussurrar no seu ouvidinho,
sorrir de cantinho,
posso acabar e fazer de conta que nada aconteceu,
posso fingir ser só seu...
Eu posso falar de novo se você não ouvir,
e a gente pode rolar de rir,
a gente pode falar de mim,
do meu amor por você,
Mas eu estive pensando:
Melhor mesmo é gritar,
melhor é admitir logo,
contar antes que descubram,
então resolvi dizer aqui pra você ler:

AMO VOCÊ!

[vi]zinhança!

Ouvi a porta bater. Meus vizinhos brigaram.
A porta foi na verdade um grito que o homem não conseguiu, ou não quis dar. Ela sim foi expressiva, me deixou na torcida, na expectativa, e a cada minuto daquele desabafo dolorosamente coletivo meu coração batia mais forte e ofegante.
Não sei do começo da briga, presenciamos (eu e o restante do prédio provavelmente) tudo a partir do berro raivoso e embargado de lágrimas e decepção dela:
"-Eu não merecia isto, ninguém merecia isto!"

Silêncio.

Sedenta de explicações que não a convenceriam ela continuou:

"-E se fosse eu?! Se eu fizesse igual aquela vagabunda?! O que você pensaria?"

O silêncio continuou.

A histeria também:

"-Me diz! Fala alguma coisa! O que você quer que eu pense? Como quer que me sinta? DIZ! FALA!!!"

Mais silêncio, e dessa vez ele foi palpável pelo prédio, éramos todos espectadores de algo que nem saibiamos ao certo do que se tratava...

"-Pra mim chega! Não aguento mais Carlos, não aguento! Eu não preciso passar por isso!"

De repente o silêncio é quebrado pelo barulho vazio de porta que bate.
"Pra onde ela iria? casa dos pais? Amigas? Acabar com a talzinha destruidora de casamentos felizes?" eis as dúvidas latentes em nossas desocupadas vidas... Mas pra surpresa geral mais gritos:

"-Carlos volta aqui! Onde você acha que vai? Você não vai me deixar aqui falando sozinha! Volta, estou mandando! Se você sair nunca mais vai voltar! Volta!"

Silêncio. Soluços quebraram o matador silêncio. O choro frágil e desesperado de mulher visceral enchia o prédio. O prédio fazia silêncio, estávamos inerte em uma intimidade que não nos pertencia, que não desejamos ter, a vida do outro por alguns instantes passou a ser nossa, "Deus, que mundo cruel esse, que sociedade omissa, ninguém enxugará as lágrimas dessa pobre mulher?!"

Meia hora mais tarde, silêncio. Burburinho de eletrônicos, cachorros latindo no elevador, e os filhos do quinto andar jogando bola mais uma vez no corredor.

Desci, fui ao supermercado, e na volta quem encontro esperando o elevador?
Ele. O monstro silencioso, o tal Carlos. Sorridente, sim; eu disse sorridente! Feliz com alguns chocolates, um vinho. Que espécie de homem é esse, faz o que faz e acha que vai ficar tudo bem se montar um climinha? E essa mulher?! Será que depois de todo esse showzinho vai fazer de conta que é feliz, que nada aconteceu?! Meu Deus, que vizinhança...

-Boa tarde. Eu disse em tom sóbrio, como se aquela montanha de emoções alheias não me afetasse em nada, como se eu nunca tivesse ouvida nada.

"-Boa tarde." Respondeu o talzinho cordialmente.
E com um sorriso amigável continuou um diálogo.

"-Você é meu vizinho não é?! Desculpe viu, minha mulher, ela às vezes se passa..."

Com um sorriso amarelo vergonha balancei a cabeça como quem diz um sim, mas que isso não se repita...

"-Olha, já conversamos sobre isso eu e ela, e ela ficou de ver com o pessoal lá do teatro se consegue entradas pra vocês aqui do corredor, como pedido de desculpa por estar repassando o texto em casa..."

O elevador abriu. Graças a Deus o elevador abriu. Sorri novamente, mas dessa tentando esconder o choque da revelação profissional, agradeci, entrei em casa, sentei no sofá, e ri por muito tempo.



Somos todos iguais, sempre esperando alguém não nos convidar pra entrarmos em uma "realidade" alheia e pré fabricar-la a nosso bel prazer. Os vizinhos se amam.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

quero silêncio em mim...

as coisas estão estranhas aqui dentro,
estou sentindo um cheiro de saudade que não reconheço,
e tem um pulsar desconhecido no meu peito.
os dias tem tido um tempo errado,
e as noites um fim que não chega até que eu adormeça.
o sentimento está sem nome,
e há uma dor que de tão leve, duvido que dói,
tenho sentido aqui dentro algo que ainda não vi lá fora...
as coisas tem tido um cheiro peculiar, que me faz lembrar o que não identifico,
estou confuso,
estou com frio,
e estou com chuva aqui dentro...
estou querendo silêncio em mim...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

com versos, com poesia...

às vezes a poesia tem gestos,
às vezes ela tem palavras,
e às vezes ela tem pessoas...

eu te quis menino poesia,
te quis perdido em mim,
no que é meu, nas coisas que te dei...

gosto da tua sensibilidade quase carente,
da pureza que te faz sóbrio,
do medo de ser piegas...

gosto do sentir por você,
gosto desse gosto que tua poesia deixa,
gosto desse deixar que acaba...

gosto das frases que te gritam,
e você com receio em não agradar o que gosta,
pede desculpa...

gosto de você pedindo,
e gosto mais ainda de você dando,
gosto de você menino poesia...

gosto da tua necessidade de cuidado,
e do teu cuidar,
você é porto seguro,
e um dia vai entender que pedir colo é dar segurança também...

gosto do teu lugar em mim poesia,
gosto de você solto em meus pensamentos
e porque não gostar menino?

quero teu colo poesia,
te quero por inteiro, sem querer ser meu,
sendo teu e gostando tanto do que tem que me oferecerá um pedaço...

te quero além das noites poesia,
te quero além dessas linhas,
e quero carne.

deixe doer,
e deixe parar de doer,
e deixe ser vastidão de silêncio,
deixe de ser meu,
me deixe,
vá embora,
e depois volte,
deixe de ser teu,
mas nunca deixe de ser poesia.


terça-feira, 26 de abril de 2011

todos os dias perco um pouco de mim,
perco um pouco mais de mim,
perco o que sou,
o que estou,
perco quem fiz de mim...

todas as noites perco um pouco de mim,
perco um pouco mais de mim,
perco o que sou,
o que estou,
perco quem fiz de mim...

perco coisas que não quero mais encontrar...

domingo, 24 de abril de 2011

Dança de ritual...

Quando ela dançava,

Evocava deuses que eram só seus...

Distribuia bebidas,

E fazia da festa um ritual...

Ela sabia como ser divina no profano,

Sabia do profano o que se deve saber,

Como se deve saber...

Ela sabia servir,

Ela ser, e vir...

sábado, 23 de abril de 2011

...

hoje tive ódio de mim,
acordei inquieto, com vontade de você...
te procurei pelo que sobrou de mim,
pela raiva que me consome,
tentei te achar em meio a esse desespero que me jogou...

hoje teu cheiro ausente me incomodou,
e meus olhos perderam a referência sem você pra procurar,
estou chovendo por dentro,
e fazendo frio sem você...
estou sendo catástrofe em dia de sol.

e o que mais me mata não é a tua falta em mim,
o que me consome é falta,
é o desejo de ter,
de ser de alguém...
tenho asco a tua indiferença, a tua liberdade que abandona...

hoje to assim, sentindo as dores de um egoísmo que ensina,
e como diria o poeta "morrendo pra aprender a ser imortal..."
hoje to vazio de vontade, cheio de tudo...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fim do dia, começo de vida...

"Tirei os sapatos.
Sentei.
Recostei-me em respiração profunda.
Olhos fechados.
Pensamentos solto.
Corpo que acusa o tempo.
De repente: barulho.
Sorriso largo.

-Sim filho, o pai pode brincar agora... "

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Presentes do passado ou passados do presente...

Ele podia ter sido o primeiro, mas fez o único.
Foi descoberta e turbilhão de sentimentos;
Sonhos que privei da noite,
foi noites que doí em amanhecer...

Ele foi desejo que reprimi e que gritei!
Foi o brilho que meus olhos carregaram,
e a música que conheci, que aceitei.
Foi companhia certa,
foi graça que fiz,
presente que recebi...

Ele foi a voz que eu esperava ouvir,
a mão que nunca senti.
Foi o gozo da verdade que não sei se vivi,
foi confissões que fiz, que não soube esconder,
ele foi eu por inteiro,
foi o travesseiro,
a chuva, o vento...

E foi a lágrima...

Obsessão.

Paixão sem fim...

Foi o que o amor é pra mim...

Etéreo.

Ele foi tanta coisa, que de todas, mais me agrada é saber que foi meu,
e que foi livre...
Ele foi tanta coisa, que o que me move é saber que ele ainda é quem ele quer ser...
Ele é o som do meu coração,
é a promessa que vou cumprir...

Ele é distância que não afasta,
é descoberta.

E hoje não sei quem ele é,
mas nunca vou duvidar do que ele é...

sábado, 16 de abril de 2011

grande[mente] PEQUENO!!!

cansei do medíocre,
do grande.
cansei do inatingível.
por agora estou desejando coisas PEQUENAS:
ESTOU QUERENDO UM CANTINHO,
UM COLINHO QUENTINHO...
UM AMORZINHO,
ESTOU QUERENDO UM RESTINHO DE ATENÇÃO,
UM PEDACINHO DE CORAÇÃO...
ESTOU QUERENDO UMA PEQUENA TENTAÇÃO...

ESTOU ENTENDENDO O PEQUENO, e finalmente me libertando do grande comum.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

[cho]vendo coisas...

...sentiu cores novas e se entregou.
sentiu vento fresco e se abriu.
viu o desejo se anunciar e foi seu.
deitou-se no chão com respiração de querer,
foi passivo à situação.
molhado.
sentiu os pingos de entrega.
se entregou.
foi entregue.


era troca.


quando a vida foi maior,
o ato foi maior que algum nome podia limitar.
quando a força cresceu ele apenas aceitou se esperar...
teve prazer em sentir jorrar...
esperou o prazer do outro lhe satisfazer.
e ali, deitado na chuva, em sua plena companhia
soube amar o ato de chover....

domingo, 10 de abril de 2011

Crú e [dez]necessário...

Com 25 anos já troquei mais de 15 vezes de emprego. Desisti do magistério na metade. Troquei 4 vezes de curso de graduação, sem terminar nenhum até agora. Comprei meu atual corpo com uma redução de estômago. Mudei mais de 32 vezes de casa. Namorei com quem me deixou com mais chifres que cabelos na cabeça.
Errei a cada um dia dos meus atuais 9181 dias vividos. Fiz coisas erradas que julguei serem as mais belas do mundo, e vi belezas se acabando em casulos que não se romperam. Tive mais medo que sorte e menos verdades em assumi-los que coragem, eu sou assim: IMPERFEITO!
Eu quis por tudo fora, quis me desfazer de quem sou e de quem tenho de mim, mas acontece que sendo completo sou ruim, sou errado, e sou bom; Acontece que sendo eu, sou meu!
Gosto desse gosto de frustração que às vezes insiste em vir antes da sensação de dever cumprido, de alívio.
Gosto dos conselhos que segui, e amo os que nem ouvi. Tive trabalho em viver até aqui, e mais ainda em morrer até aqui; e em morrer nem sempre tive sucesso.

Esse sou eu, crú.
Sem cor, sem dor, sem amor, só os fatos; e querem saber por que? Porque essa imparcialidade que não sei ter da uma certa credibilidade que não quero ter, mas que por agora vai me ajudar a te fazer entender um anseio, uma advertência necessária para a vida de qualquer pessoa:


-NÃO FAÇA AS COISAS PERFEITAMENTE!!!

E quer saber por que? Porque perfeição é sinônimo de inexistente, quem fez perfeito nunca fez. Mas quem fez, viveu.
Estou cansado de esperar pelo tempo certo, pela hora exata, pelo sentimento que não machuca, EU QUERO VIVER! Quero amor eterno até que se feche a porta, quero doer se não der certo, quero entender e sentir que amanhã é hoje. Chega, não percamos nossas vidas esperando.
Precisamos andar...

terça-feira, 5 de abril de 2011

ser noites e dias...

e quando viu que a noite não era mais presença,
pensou em dormir,
em acordar acordos que não sabia fazer,
pensou em ser dia,
em ser chuva de verão,
pensou em todas as possibilidades do ser...
mas quando viu que a noite não era mais, apenas aceitou viver...