quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sóbrio...

Eu queria beber algo mais forte,
algo mais morte.
queria algo mais intenso que você,
queria beber nos teus olhos o que os meus não conseguiram esconder.
eu queria despedida.

Eu queria beber algo mais intenso,
algo que me fizesse viver,
esquecer.
queria ter motivos pra te procurar,
pra te enterrar,
pra fazer passado,
fim e acabado.

Eu queria beber algo mais cortante,
mais vidro, mais transparente,
algo mais atraente que a mentira de você.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mais perto do inteiro!

Voa Ícaro!
Voa alto e sê o que te fiz,
Sê o que te quis,
Quem te profetizei.
Voa e vai alto,
Subir, subir...
Pro alto com meu coração,
Subir até o sol
E ser Ícaro!

Voa e me deixa ser lagarta,
Me deixa ser só.
Distante da glória,
Tão perto da história,
Vai...
Voa Ícaro,
Acorda em mim o que em você não dormiu,
Pro alto, mais alto...
Subir até o sol,
E ser Ícaro!

Voa Ícaro, e sê metamorfose,
"Seja para eu o que te criei..."
Cera quente, chão macio,
Voa mais alto e vê.
São dois sóis,
São dois, só.
Somos dois.
Voa Ícaro
Pro alto, mais alto...
Subir, subir
E ser Ícaro.

Voa agora.
Vou ser casulo,
Ser medo que criei,
Vou ser sonho que acordei.
Eu te desejei alto,
Te dei o vento...

Voa Ícaro, porque agora conheces o gosto amargo da liberdade,
Mais alto, mais perto de você,
Voa!
Subir; subir até o sol,
Até os sóis
Até ser Ícaro por inteiro!
Voa e conheça o que não escrevi,
Sê o Ícaro que profetizei,
Pro alto...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Pobre homem que amava...

Cabisbaixo, roto e silencioso.
Anda sem querer chegar,
sem querer sair...
Pobre do que amava;
Pobre em sua riqueza agora tão vã.
Acordava tão sonhador,
sonhava tanto acordado,
Pobre do que amava...

Vagava de vagar,
andava só,
Sem mãos pra segurar,
Sem pés para compassar,
Pobre do que amava...

Era frio em noite de rua,
era veneno que lentamente não fazia matar,
Era liberdade que fazia morrer,
Pobre do que amava...

Nunca antes pensara,
em andar só, em viver só,
E pior, nunca antes pensara em sonhar só...
Ah! Pobre daquele que agora amava só e solitário.

Ele não era dia,
não era sangue que pulsava,
carne que é fresca,
O pobre só era o que antes amava,
Era que quem era e a quem tinha.
Era quem ainda não sabe ser,
por não ter sabido ter,
Pobre do que amava...

de olhar indireto,
de corpo frio
De pedaços que a vida fez separar,
pobre do que amava...

Sem versos, sem vícios,
Sem ser o que ama: Pobrezinho do homenzinho,
sem seu amorzinho,
preso em seu mundinho de imensidão que só o vazio pode dar,
Pobre dele,
Daquele de amor perdido,
de ego dolorido,
de abandono sofrido,
de sorriso esquecido,
de ombro caído,
de dia?! Perdido!
De dia perdido.
De dia seguido de dia, sempre cada um deles perdidos...
Pobre do que amava...

Daquele, que sem forças nem lamentava,
não levantava,
e fazia da cama, sozinha, casulo de dor.
Pobre do que amava...

Do que me compadecia,
me enchia de luto e altruísmo,
me fazia egoísmo em sentir por aquele que hoje é só o Pobre que amava...
Pobre do que amava...

Que aprisionado no passado
sofria um presente sem muito futuro,
Pobre do que amava...

Um homem que chorava e a dor não terminava,
um homem que via os dias acabarem sem o tempo passar,
sem o sentimento mudar, sem ter de novo a quem amar,
Pobre homem de alma rota,
Pobre do que amava...

Nada o recuperava,
Nada voltava,
Nada fazia dele o homem que antes amava,
E assim, seguindo cabisbaixo,
e se ia sendo só,
O pobre homem que amava...





(02/12/2010)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sonhando sonhar o sonho...

Num súbito assalto me beija afoitamente,
A sede do passado é castigo que carregamos,
As mãos mais uma vez com força ganham liberdade em tocar.
Meu corpo é complemento do seu calor,
eu sinto seu coração dentro de mim.
"Eu te amo"
Me pega com força e jorra dentro de mim o seu infinito.
Mais uma vez sou mansidão.
Cheio de ti.
Vira pro lado e acorda...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mudanças

Os abraços estão diferentes,
e o calor agora não tem mais malícia...
No rosto o cuidado em não errar e deixar o desejo acertar o canto da boca.
Dos abraços, as mãos são serenas e cuidadosamente ingênuas.
Estamos amigos, mas até quando seremos amantes?
É doce o término quando o ombro que se chora é o mesmo que se afasta,
e a partida não tem gosto de despedida, mas cheiro de chegada,
a partida é começo que dói como o que nasce entre nós na cama,

A cama! Ah a cama, agora ela cheira a cuidado, apenas cuidado...

As fortes batidas agora são apertadas, de um coração parado.
Não julgo passado, não entendo o presente e nem espero pelo futuro,
eu não quis até doer de tanto querer...
Vou matar uma a umas as borboletas que depois de um tempo de descuido saíram de casulos abrigados pelo meu estômago.
Vou chorar baixinho, rir alto,
Voltar a ser meu, e não por nada fora.
Gosto do que guardo.

Ainda vou me procurar em teus sonhos,
e dormir soluçando por você.
Vou viver o tempo, e comer dele, o que ele me oferecer,
seja qual sabor for.
Vou andar por aí conversando comigo,
sendo meu amigo.
Mas te levando comigo, se quiser...

LUTO

Silêncio, vamos respeitar a memória daquele que esfria, branco e sem reação.
Olhos vidrados no passado,
lágrimas no presente,
incertezas no futuro...
Eu sou o meu luto e sou o que luto.
Sinto o cheiro de flores e velas...
Vejo luzes embriagadas,
Eu não sinto mais mãos quentes...
Vejo o que morreu, e como deve ser o imortalizo em boas lembranças.
Eu vejo esse que morre, e me mata saber disso.
Sinto a dor, e entendo a morte.
Não tenho medo ou respeito, apenas a reconheço com desprezo e distância.
Estou de luto e não sei até onde quero lutar.
Descobri no meu luto, que nem sempre preciso lutar.
Entendi que lutar no luto é não aceitar a dor que vai ser maior que qualquer vitória.
Mas luto meu luto.
Silenciosamente eu luto.

sábado, 27 de novembro de 2010

aprendi a voar, e não esqueci que o chão é amigo...

as coisas estão diferentes em estar tão iguais...
os abraços voltaram a ser apertados,
e como sempre, carregados de afeto...
os beijos se tornaram uma troca de preocupações,
e tudo está tão semelhante ao que se difere.

as noites abraçados agora têm outro cheiro,
mas os corpos burros de desejo e egoísmo ainda sã o os mesmos,
ainda não reconhecem o tempo,
ainda insistem em tornar incestuoso uma virtude que nem sabíamos ter.
tudo é tão diferente em se igualar agora...

nunca antes eu chovi tanto,
nem antes havia percebido de forma tão clara minha fraqueza
estou desarmado, quebrado.
eu sou dor que não quer curar sozinha,
sou medo que cresce, e pela primeira vez sei como é sentir a dois a solidão.

estou crescendo tanto que perdi meu lugar dentro de mim.
estou esperando tanto que tudo volte...
ainda preciso de asas e não vou esquecer jamais que "o chão é amigo..."

e se perguntarem: Ainda amo! E talvez ame mais que antes...
e se entenderem, me expliquem...
as coisas ainda estão iguais, mas doem tão diferentes...
e de tudo só tem uma coisa que não nos cabe: o fim.
estamos começando, igual, mais uma vez,
mas agora um compromisso diferente...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

...coxia

eu queria chover lá fora como chovo aqui dentro,
queria sentir derramar mais de mim,
há tempos parei de sentir água,
e comecei a ser pedra,
comecei a esquecer das coisas que fluem
e passei a forçar as que achava necessário.

eu queria ser fraco aqui fora,
assim como finjo ser forte lá dentro.
eu criei conceitos e teorias que não soube explicar,
que não consegui sustentar.
eu deixei de ser meu por mim.

eu queria jorrar mais.
queria pedaços meus pela casa,
eu preciso de fortaleza desfeita.
onde estão meus medos?
quero sentir verdades que escondi em mentiras protetoras.
eu quero um fim,
e quero também mais fogo nessa brasa que não se apagou.

eu queria ver as luzes ali na frente,
assim como não se apagam aqui dentro,
eu preciso ouvir mais mãos se juntando,
e saber da altura que um vôo pode ter,
saber do peso que um texto pode ser.
eu quero gritar e admitir,
por isso vou continuar a fingir e fugir.

cortejo sonhador...

eu seguia o cortejo...
era preto, era branco,
era canto e era reza.
com o velar nos passos,
com a noite entrando em dia,
com dias afogados em confusão de irreal.
não teve cheiro,
não teve carne.
era espírito livre,
bordados em cetim,
brilho fosco de entardecer.
eu cortejava perdido aquilo que ainda não achei.
eu era multidão de um,
era cortejo solitário,
era solidão acompanhada,
preso na liberdade de sonhar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

...segredos de querer

eu queria ser faca e cortar o vento,
queria ser mestre e explicar o que as cores sutilmente escondem.
eu queria voar com asas vermelhas que não libertam além de um céu de flores,
andar descalço por um caminho de sapatos perdidos e achados de si.
eu queria escorregar por entre meus dedos,
dançar em cheiros de silêncio, em expectativas de festa.
eu queria esperar.
quando corro, não tenho a pretensão de alcançar,
e menos ainda a de chegar,
quando corro apenas quero ser vento.

eu queria ser luz que apaga,
ser mente que mente pra alegrar em lembranças que esqueci.
queria ser nota de violão choroso,
ser melodia de dança em pés cansados.
ser movimento que o vento esqueceu de mexer, esqueceu de fazer.
eu queria ser casulo irrompido,
casa abandonada em nome de liberdade que só as cores da luz conhece.
quando acordo não desejo fazer, o segredo é saber apreciar.

eu queria ser pedra que rola,
ser despenhadeiro que faz subir quando cai,
queria cores de vermelho terra pintados em som de calor.
eu desejei ser cortado por água,
me tornar caminho de lendas
abrigo de estrelas cansadas.
eu seria deserto a noite, e praia de manhã só para poder entardecer rio.
eu seria personagem de conto de fadas, que o livro não fechou.

eu desejei tanto,
sonhei tanto,
vi sons, ouvi cores, temei estações e passei por sentimentos...
e hoje sou o que nunca soube admitir que queria ser,
hoje sou mudança que gosta de andar,
mudança que sabe parar, que sabe continuar,
sou mudança que só faz uma coisa: MUDAR.
porque mudar faz aprender,
porque mudar não significa abrir mão do que é bom,
mas mudar significa valorizar o que não se quer deixar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

desafios da noite...

a noite eu vejo ratos, eu sinto gatos,
todos arranhando dentro de mim
a noite eu vejo pó,
eu sinto a solidão prantear e gritar em meus olhos vermelhos.
me sinto só...
a noite eu digo coisas que não sinto,
eu nunca minto
e a noite eu vivo dias que as batalhas não venceram,
vivo momentos que não morreram
faço viagens que o dia esconde,
a noite é quando estou sóbrio,
quando me entrego ao opróbrio
e me sinto só mais um...
é quando sou um número que esqueci de contar...
quando esqueci de acordar...
quando escuro me faz ver.
é quando no silêncio alguém me chamar...
alguém me matar...

DECLARAÇÃO PROFANA!

"Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas..."







Respeitosamente, bem digo em ti profana de olhos e santa de beijos, os nomes e os desejos que meu alento não deixam fugir.
Em ti grito ô mulher de muitos amores, as dores que meu peito não deixa crescer por medo de morrer na humanidade que os teus olhos não sabem ver.
Deusa de sons e ruídos conhecidos, mulher de muitos maridos, mas fiel a um só amante: o tempo.
Dai-me tempo, dai-me vida que emana de ti ô minha vaca, minha profana.
Quando te cantaram, sabiam que um dia eu te roubaria; que contigo fugiria; que casaria e que depois festaria a tragédia que acordamos por estarmos sóbrios.
Sejamos sempre festa!
E que as dores mortas por nossas mentiras existam vivas em nossos destinos,
Sintamos nós minha entidade Larissa, minha epidemia maior, o amargo do mel e o doce do fel,que os outros não encontram por medo de esmiuçar o pequeno, e desespero em viver o grande.
Façamos nós amor em palavras ferinas que os olhos não sentem, que os corações não mentem; e bem sabes tu minha deusa entidade epidêmica bovinamente profana: EU TE AMO EM LETRAS MAIORES QUE A DE CAETANO, QUE ANTES TE CANTOU...
Te sentirei sempre como café, sempre sem açúcar, sempre errando em te beber por excesso, criando palpitações, tendo tonteiras lendo besteiras, acelerando o coração...
Preciso de ti no limite que desconheço e desprezo.
Te abuso com gosto e gozo, minha sempre café e deusa entidade epidêmica bovinamente profana Larissa...
Contigo guardo segredos escrachados, e músicas só nossas que alguém cantou, músicas que todos conhecem mas que em nós são segredos sentimentais...
São minhas as lágrimas que derramas e que te lavam alma; lágrimas que escondem um porque alheio.
E embora eu não admita, para ti meu mantra é : "Mostra, mostra, mostra as tuas tetas, deixa que eu veja as tuas tetas, não mostra para os caretas, mas se preciso for, careta também ser meu amor, então mostra, mostra..."
Te mostra Larissa, tu é grande demais pra pedir atenção!
Te faz mulher lagarta de casulo apertado.
Desabrocha em ti, sai desse vício de ser, e te torna aquilo nasce pra fazer: ser Larissa.
Te faz Larissa, degringola!
Minha sempre café e deusa entidade epidêmica bovinamente profana Larissa...

chegado...

chegou e me pegou como a um violão,
me pôs no colo e me passou a mão,
me fez cantar no tom exato,
me fez gemer no ato,
chegou e me fez beleza complemento,
me deu alento,
e comigo assoviou Caetano,
dedilhou notas surdas de músicas que não conhecia,
me fez cantiga,
despertou meninas,
me fez serenata,
me fez sentido o colo quente,
onde no peito batia um amor que nem sabia,
mas em mim também vivia.
chegou e me pegou,
me tocou,
me fez beleza e completei pequeno sua nobreza,
brilhei sua grandeza.
chegou e me fez violão,
me fez música e canção...

domingo, 31 de outubro de 2010

Por Ontem...

Sempre preferi as fugas às despedidas, parecem doer menos. Sempre optei por lançar fora tudo aquilo que tive medo de perder, mas às vezes despedidas são necessárias. Às vezes despedidas fazem um sangrar de coração necessário e libertam a alma...
Às vezes o tempo se encarrega de despedidas que não temos força ou vontade de fazermos, mas Às vezes ele (o tempo) aparece como um presente, uma chance e até mesmo uma necessidade de tentarmos mais uma vez esse sangrar necessário e libertador que é a despedida...



17/04/2010



Eu só preciso te deixar ir.
Te sentir partir de mim, quando a vontade é prender.
Preciso te ver livre pra lembrar de mim.
Preciso vagar em lugar nenhum,
e mais uma vez não ter ninguém pra precisar só de mim.

Eu quero você distante por agora,
Quero me sua distância me aproximando de mim.
Quero passos no chão,
Não vou mais voar com tuas asas.

Prefiro ser solidão sem dor.

Eu preciso de você longe de mim,
Preciso estar vazio para poder achar um lugar onde ficar
Preciso de mim plantação,
E saber que ainda tem o que crescer, o que querer;
Saber que ainda vai ter que morrer.

Preciso saber que sem você ainda vai ter alguma coisa.


...
































Despedidas feitas. E ainda e estou vivo;

sábado, 30 de outubro de 2010

Busca pés...

Cabeça baixa,
peso da fé,
e amar até o chão,
mesmo depois do não,
mesmo sem tua mão, teu pão,
amar mesmo sem ter teu coração.
Andar solitário por entre você,
estar em você e ser de você o bem querer
sonhar na rua,
viver na lua,
me fazer da tua carne nua e crua.
ver o sol que você deixar passar,
sentir o cheiro que você exalar,
exaltar e te ressaltar,
sonhar com nós dois em altar,
sonhar com você, em estar...
fazer carinho de mansinho,
ser seu "neguinho", seu pedacinho de céu,
te levar em mel, usar contigo um anel,
te buscar quando acordar
me arrastar, buscar teus pés
e te achar...

... sábado

É sábado de tarde, e a cidade vai com uma cor peculiar.
É sábado e a voz que canta é Bethânia.
Eu vejo cinza em dias como hoje.
Sinto cheiros de cítrico calor,
e o vento que espero faz frio e arrepio em corpo distante.
É sábado de tarde e a chuva vai começar....
vai lavar e levar coisas que eu esperei e detestei por tempos...
É sábado de tarde, e ainda não é tarde para ser sábado.

sábado, 23 de outubro de 2010

vontades

Brigamos.
Eu ouvi o que não queria,
disse o que não devia.
Chorei sozinho.
Chorei com amigos.
Chorei com o silêncio.
Meus olhos desviavam os seus.
Eu silenciei o choro e ouvi: Eu te amo!
Chorei agora com certezas...
Estamos bem.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um ensaio sobre a cegueira, do perdão...

Amem, ou o odeiem; pouco me importa; nem eu sei ao certo o que sinto por Fabrício Carpinejar. Fato é que ele é inteligente e engraçado, com "sacadas" únicas que acabam fazendo coisas tolas serem motivo de grandes reflexões. Acabei ler de uma de suas tuítadas dizendo que não se ensaia o perdão, quero ir além...
Concordo com Carpinejar, no fato que perdão não pode ser algo ensaiado, que deve ser espontâneo, que não temos uma forma padrão de perdoar. Acho que perdoar é quase amar sem orgulho, é lançar mão de entendimentos e agir com sentimentos mais sublimes, não ver coisas que se mostram nítidas por vontade própria e mesmo assim não ser cego...
Perdão não é ensaiado, mas a menos que seja praticado diariamente não é perdão por inteiro. Eu não sei perdoar tudo, e nem tudo me agrada perdoar. Existem coisas / pessoas que não quero, não consigo e não vou perdoar; e ao contrário do que alguns possam pensar, tanto suporto essa verdade que até há admiro e faço por cultivá-la...
Perdoar é digno, enobrece a alma; mas não perdoar dá forças.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Inspiração

não sei o que exatamente acontece quando as palavras se escondem em inspirações inesperadas,
mas sei que é engraçado e agoniante saber do que falar e ver a criatividade calar.
eu ando em crise de verboragia, logo eu!
eu que sempre fui bom em enrolar, divagar, estragar de tanto falar...
logo eu que sempre tinha algo a dizer mesmo quando silêncio bastava.
irônia?! até podia, mas prefiro definir como agônia essas palavras que insistem em calar.
eu queia falar de Liana que é chá, de Larissa que é café,
queria perguntar onde está Andréa...
e contar dos voos que o menino passarinho anda dando...
eu queria pedir das pernas que me perdem, e queria contar das penas de Roque.
eu queria chorar em versos com Bethânia...
mas cadê?
cadê!
cada essa tal inspiração verborragica que embriaga a alma e solta os verbos?
cadê os sonhos que só as palavras podem sonhar?
cadê a eloquência que afogava o siliêncio em frases nem sempre bem ditas, em frases bem vividas...
cadê as poesias que faziam de mim um bobo em fim de festa?
cadê essa tal inspiração que sumiu e deu vazão a esse mar de vontade...


(-Ah que vontade de gritar palavras minhas, que o silêncio ainda não conhece...)


cadê minhas palavras que me traiam, e que tanto atraiam?
cadê?

domingo, 26 de setembro de 2010

Pra não dizer que não falei das flores...

Sentir cansaço, vontade de isolamento, asco a idiotice humana ou ao ponto que ela pode chegar, é normal às vezes; o que preocupa é a apatia e/ou ignorância eterna a tudo isso. Eu entendo e participo do sentimento de "deixa assim" que às vezes nos arrebata em relação aos aconteciemntos de forma geral ou específica, mas chega uma hora que o silêncio falará tanto por nós que precisamos nos representar, precisamos expor coisas que ferinas ou não são nossas, coisas que escondemos em sorrisos diplomatas e cordiais, então caros (as) leitores (as), vou me dar ao luxo da verborragia e destilar meus devaneios a respeito de alguns "acontecimentinhos" (estou avisando para que não precisem ler até o final... Acho que os escritores deveriam fazer isso sempre, sem pretenções ou prepotências...).



Primeiro, vou seguir as tendências e falar sobre a ultrapassagem dos mil acessos ao meu blog (zilhões de pessoas que têm blog fazem questão de postar agradecendo esse marco ou pousando de suspresos), a verdade é que não fez diferença nenhuma na minha vida, não criei um blog para ser aclamado pelas massas, ou para persuadir pessoas. Criei simum blog para gritar sentimentos que me prendiam em silêncio que mata, em silêncio que emburrece, criei um blog porque queria que as pessoas soubessem da minha vida sem ter que responder a perguntas, para expressas sentimentos que não sei demonstrar; criei esse blog porque gavetas não tem luz... Por isso e só por isso que o "tão fabuloso" número não me emocionou e nem foi digno de mais atenção por minha parte, do mesmo modo meus caros e minhas caras leitores (as) vou relembrar um segredinho, a cada vez que nós moderadores ou donos por assim dizer acessamos nossos blogs para postar algo ou a cada página que mudamos quando estamos nele soma como se fosse mais um acesso, então assim como eu não se impressionem com grandes números de acessos pelos blogs da vida...



Política! Eita coisa estranha... Eu AMO política, mas o fato é que os candidatos não tem ajudado muito o meu amor a continuar sendo "fogo que arde sem se ver"... Vou me abster de falar de candidatos bizarros, de rostinhos bonitos, de eleitos pelas lembranças e sobrenomes conhecidos. Prefiro lembrar aos que votaram nesses seja por protesto, seja por ignorância, que cada o povo tem o governo que merece... E espero profundamente que os políticos sérios que tenham se elegido façam por merecer seus votos e trabalhem com afinco, para essa palhaçada não virar um drama sem fim.



Minha mudança: Mudei tanto que continuo igual...



Atualmente junto com outros dois livros estou lendo A Peste (Camus), o livro é realmente bom, meio chato às vezes, preciso admitir, mas ainda assim um bom livro. Em uma das partes determinado personagem quando endagado sobre sua fé responde: "estudei tanto que não acredito em mais nada", não; au ainda não cheguei a tal ponto, mas anda sentindo falta de algo pra acreditar, algo para "fazer de conta". Viver só do real pode ser tão pouco poético...
Meu quarto de século... Então... Pois é né?!
Mudando de assunto...
(Mas fique claro: ainda penso que vou estar PERFEITO aos 35 anos...)



A Lola finalmente foi pra Alemanhã, finalmente por que a primeira vez que ouvi falar dela, foi quando em contaram que ela estava indo, mas vou confessar aqui por bem sei que ela nunca lê meu blog, JÁ TÔ COM SAUDADE, e isso que me beneficie com alguns livros e a vaca macho dela pelo tempó em que ela estiver na alemanhã, quer dizer, a vaca macho não vou mais devolver... Hehehehe

Pronto chega! Ou vou começar a falar dos meus sentimentos, e não gosto muito dessas frescuras... Digo humanidades... Ah, só mais uma coisinha, minha mãe disse que cheguei aos extremos do anti-social... Será?! (Mãe sempre sabe tudo, né!)

Ok. Aagora no final de todas essas conclusões inconclusas eu percebo que na verdade somos engolidos por uma cultura de desabafo, de exposição, de masturbação mental que nos faz sentirmos melhorzinhos ou inseridos quando nossas verdades estão expostas não necessessariamente a quem quiser saber delas, mas expostas a nós mesmo, quando nos tornamos nossos próprios alvos, e assim poderemos nos atacar e nos destruir para achar sentido no que construimos mesmo quando estamos cansados...
(Vou voltar a escrever agora!)