quarta-feira, 6 de março de 2013

minhas dolorosas verdades

Pássaros não aprendem a voar batendo as asas na segurança de seus ninhos, mas se jogando em abismos...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Grand' Hotel

    

    "A dádiva da dor"(Philip Yance) é um dos meu livros favoritos, demorei várias páginas e muitas horas de introspecção para começar a entender e concordar plenamente com as sábias e bem colocadas palavras do Sr. Philip, e elas sempre me serão eterna e fonte de embasamento em discussões, sobre a vida e o como entender suas nem sempre gratas ou esperadas surpresas; no livro Philip fala da alegria dos leprosos que eram isolados do convívio social, e aos poucos e sem sentir dor física viam seus corpos se desconfigurarem até a morte, para um leproso sentir a dor durante um processo necrótico é uma dádiva, é a possibilidade de buscar tratamento em tempo hábil. Da mesma forma levei tempo para entender o que Renato Russo queria realmente dizer quando cantava que "Clarice está trancada no banheiro, e faz marcas pelo corpo com seu pequeno canivete, seus tornozelos sangram e a dor é menor que parece", mas hoje não só entendo como solidariamente concordo com a garotinha indefesa que busca na dor o alívio e a certeza de estar viva, e que tenta provar a si mesma que existem coisas que machucam mais do que possamos controlar. Como profissional da área da saúde tenho na dor uma forte aliada para diagnósticos nem sempre fácies, e também tenha na mesma um carrasco que atrasa tratamentos e traumatiza pacientes com medo e tentando evitar essa sensação nada agradável.

    Dores físicas são quase sempre curáveis, podem ser tratadas por uma das inúmeras especialidades médicas, é questão remoção de fator etiológico. Mas quando a dor é emocional por mais que da mesma forma possamos contar com a ajuda de algumas especialidades médicas elas são menos exatas e por isso seu tratamento depende não necessariamente da remoção de fatores etiológicos, mas da aceitação dos mesmo, do aprendermos a lidar com eles. 


    Sem sobra de dúvida a dor física que tanto abominamos e maldizemos é quase sempre um presente ou um "puxão de orelha melancólico" nos mostrando tudo o que tínhamos e perdemos sem muito valorizarmos. Mas às vezes a dor física é uma tentativa de amenizar uma dor emocional que de tão intensa parece que irá nos consumir, e impiedosamente nos matar sem que possamos fazer nada, se não passivamente esperar.


  Não há nada melhor que a dor para nos mostrar que estamos vivos e para nos dar a certeza que não cabe exclusivamente a nós controlarmos o nosso nível de dor. 

    Eu tenho sido sucessivamente atropelado por caminhões que faço questão de ambicionar, de abastecer e às vezes de ligar. Agora, se eu fosse mais corajoso ou menos sensato, estaria sentado no meu banheiro, trancado; mas sei pelas experiencias de Clarice que não irá amenizar, sei que pelas páginas do Philip que estou vivo e por por estar vivo é que nunca estarei imune as dores que a vida me irá me impor.

    Estou vivo, e de forma ampla isso implica sentir dor também, e embora eu veja na aceitação da dor um conformismo inteligente não preciso ser hipócrita em dizer que gosto disso, ou que me regozijo de alegria por me sentir destruído, atropelado; mas posso dar a certeza de que isso me fará em um futuro não distante uma pessoa melhor, mais forte e generoso, e com a certeza de que apesar de tudo estou vivo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Axioma





"s.f. Identidade de uma representação com a realidade representada; exatidão, autenticidade: verdade histórica. / O que é certo, verdadeiro: quer saber a verdade. / Princípio certo, constante; axioma: verdade matemática. / Boa-fé; sinceridade: falar com verdade. / Bs-art. Expressão fiel da natureza: retrato de grande verdade. // &151; loc. adv. Em verdade ou na verdade, certamente, seguramente, decerto  "

http://www.dicionariodoaurelio.com/Verdade.html





    Essas é a definição de um famoso e conhecido dicionário para a palavra verdade e creio que não haja quem discorde; mas o fato é que dentro desa definição tão engessada existe uma infinidade de formas de interpretar e vivermos nossas verdades pessoais. E com isso o que para um é verdade absoluta e inegável para outro se quer é admissível como existente, quanto mais como verdade, e é aí que nosso engessado conceito de verdade se torna um mutável conceito de verdade ainda assim verossímil e aceitável.



    Cada um de nós crê e segue algumas ou várias verdades, uns fazem delas justificativas outros as usam como forma certa para levarem sua vidas, ou administrarem seus conflitos; para uns não passam de desculpas ou forma de manipularem a situação a seu favor. Independente da sinuosidade do caminho em que cada um conduz suas verdades elas estão e estarão sempre presentes em nossas vidas, basta pararmos e observarmos, pois às vezes elas estão tão distorcidas aos nossos olhos que nem se quer parecem existir.


    Eu faço das minhas torpes verdades regras de vida das quais por mais fiel que eu seja não as faço imutáveis. Acredito em tudo no que se possa ter fé, mas de nem tudo faço uma verdade minha. Já fiz versículos de bíblicos verdades marcadas na pele pra que elas não fujam de mim em noites intermináveis e de alguns fiz desculpa para a liberdade que tive medo de assumir sozinho. Usei pensadores para fazer de suas verdades as minhas e assim não correr o risco de pensar. Embalado por melodias envolventes dancei verdades que expressavam mais de mim que eu conseguiria fazer sozinho. Agarrei no vento verdades absurdas que me confortavam e que por isso me eram exatas. Fiz de sonhos reais verdades pelas quais entrei em gurras e só pedi paz quando exaurido me dei por satisfeito com o que eu cri ser a vitória. Às vezes encontrei verdades no chão, sentado em um canto do meu mundo chorando e com medo de continuar. Senti verdade em dores que quase me mataram e em mortes que me fizeram mais vivo. E em algumas noites deitado no sofá ansioso pela manhã e fuga vi mais verdades que meus óculos permitiriam que eu visse. Alguns olfatos e paladares nos trazem mais verdades que outros. Em tudo há verdade, mas de nem tudo fazemos as nossas verdades. 

    Tenho me deparado com vários questionamentos e  um deles é sobre quais são minhas verdades e se  elas estão em um processo tão constante de mudança que nem eu mais consigo acompanhar?. Mas de todas as minhas verdades agora inquietantes uma que tem me atormentado é a de que "não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte", tenho duvidado um poco disso, tenho me sentindo meio "escondido". Não seria o eu uma cidade como realmente pensava? Ou não seria o meu monte tão grande quanto pensava? Será que me enganei tanto quanto meu real tamanho? O que há de errado com essa verdade que eu cria ser absoluta? Passei  dias dolorosos remonde essa questão e com ela questionando verdades adjacentes e o elenco que a compõe. Depois de penosamente sofrer essa verdade que antes era conforto e estímulo, acho que cheguei a conclusão: De fato não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte, mas se pode devastá-la com facilidade, pois ao contrário de cidades edificadas em vales, elas estão mais à merce da ação dos fortes ventos ou de outras inevitáveis ações avassaladoras da natureza que inevitavelmente chegarão.


    Minha cidade está devastada, conspurcada e sem condições de se apresentar pra mais uma batalha. O dolorido dessa verdade é que essa tragédia nada mais é do que fruto da ação de um só inimigo: EU. Minha cidade em ruínas e ainda a vista, foi bombardeada por mim e meus medos, por minha vontade de agradar, de dizer sim aos outros e de esquecer que alguns não são necessários para meu bem estar e manutenção desa cidade que com esforço ergui; Abafei  verdades menores que no montante final diziam exatamente que eu sou, e me perdi em meio a sujeira que eu mesmo produzi, esqueci qual a verdadeira face do palhaço atrás de tanta piada pintada em seu rosto. E caí no bordão: Que rei sou eu?!

    Ainda não tenho certeza sobre todas as minhas verdades ou sobre como continuar a mantê-las caso isso valha a pena. Mas sei que ponderar sobre elas é bom, é uma forma de nos expormos as nós mesmos, e mesmo que isso nos devaste e nos pare, quando voltarmos a andar pisaremos com mais segurança, cientes da vontade de continuar, mesmo que o caminho ainda não nos seja o mais seguro.

    Imutáveis ou não, em maior ou menos quantidade, prestes a nos paralisar ou impulsionar, elas sempre estão presentes em nós, então eu te aconselho: Reviva suas verdades, repense-as se necessário, recrie-as caso prefira, mas não deixe de viver baseado nelas. Afinal o que acreditamos ser especial assim o será. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Das minhas profanas confissões para a vaca dona das divinas tetas: Larissa!


Eu poderia estar com saudades, mas isso foi algum tempo atrás; agora estou precisando de você!

Por favor!



...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo

Tem dias que me faltam pés para tocar tanto chão,
e tem dias que minha corrida não alcança a minha linha de chegada,
às vezes sobram mãos em forças que não faço,
em braços que não abraçam,
não prendem,
mas libertos impulsionam o que possuem.
Me faltam ventos em curvas de caminhos que ainda não percorri,
em moinhos que ainda não moí, 
de rios que não chovi.
me falta tanta coisa que as sobras se consomem,
e se dissipam.

Pra onde ir?
Como vir?
caminhos que se perdem em pés que se cansaram.
em dedos que contaram e apontaram.
rimas que se empobreceram
que esfaleceram
que calaram.

confissões:

Às vezes eu me sinto mal por não sentir certos medos;
eu tenho esquecido muita coisa importante. A memória não é mais a mesma;
e eu ainda minto pra mim que não tenho medo do escuro;
eu sinto culpa por tudo, mesmo quando afirmo o contrário;
Não tenho medo da morte, senti isso apenas uma vez em toda a minha breve vida;
Tenho medo de estar só quando chegar a minha hora de morrer 
às vezes tenho fobia de pessoas;
Em um dos espelhos da minha casa está escrito: "CONHECE E RESPEITA!" pra que eu não esqueça dessa verdade diária;
tenho vergonha de admitir, mas reconheço que sou um bom ator quando as pessoas pensam que eu sou forte;
amo pessoas que não conheço e às vezes não gosto das que preciso conviver;
me dói reconhecer que esqueci o cheiro da poesia,
e perdi a hora exata do pôr-do-sol;

eu queria chorar mais;
e eu queria rir mais.
queria perder a hora sem perder compromissos;
queria me perder no mesmo lugar que me abandonei.

eu tatuei: " O VENTO SOPRA ONDE QUER, OUVES SUA VOZ MAS NÃO SABES DONDE VEM E NEM PRA ONDE VAI, ASSIM É TODO O QUE É NASCIDO DO ESPÍRITO"
Gosto desse versículo bíblico, mas nem sempre gosto da bíblia;
sou da Oxum, mas não "guento" um Ogum,
sempre achei que Buda estava certo, mas para os outros. Pra mim não dá muito certo.
Amo o povo e a cultura cigana, mas sou muito capitalista e dependo muito de segurança pra viver sem as "certezas" que acho que possuo;

eu sou cafona, gosto de assistir National Geographic e History e o pior, acho que muitas das merdas que eles falam lá podem ser verdades;
Amo a chuva!
Eu queria viajar mais;
e queria voltar mais.
e queria aprender a nadar.

eu queria contar mais coisas, mas está tarde e preciso estudar,
e depois dormir e continuar a viver sem esconder o que não posso ver.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

os dias têm amanhecido antes,
e as noites estão repletas de conforto,
agora, mais que antes, eu vejo com sobriedade;
eu me distancio, e me aproximo de quem sou e de quem deixei.
por causa de você eu vejo as pedras se moverem,
e como um presente eu vejo a vida fluir,
eu estou livre em você,
e meu sonhos tomam posição de realidade palpável,
você tem sido a causa e forma dessas mudanças,


por ande andei, eu não me encontro,
das escolhas ficam os fatos,
e sempre serão aprendizados as cicatrizes,
por causa de você eu encontrei, e agora perdido eu resplandeço.
levado por ventos que me pertencem por nunca serem de ninguém,
sendo confortado e se deixar levar,
por causa de você eu me libertei,
eu sou voo leve e sem fim.


por causa de você não  há mais desespero, 
e há vida em mim.
tenho sido brisa em amanhecer quente.
e há prazer em não ser, não ter e não pertencer;
por causa de você há liberdade,
e há tempo para crer ainda.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Fatos...

E ao que tudo indica perdemos o respeito e o amor próprio no mesmo lugar...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cicatrizes.




    Hoje quando sai do banho tentei achar algumas cicatrizes da infância. Cicatrizes que nem sempre eram reflexo de um comportamento travesso, mas sim da minha total falta de destreza e atenção, minhas cicatrizes eram a mais pura expressão da falta de habilidade motora, eu era muito melhor imóvel, ao contrário da maioria das crianças, e para a tranquilidade da minha mãe...

    Para minha surpresa algumas das marcas eu não consegui nem localizar; já outras parecem estarem tão recentes mesmo depois de anos; e ainda tem algumas que eu não consigo mais lembrar quando se fizeram ou como, mas que estão ali presentes.

    Moral da história?


    Algumas coisas que nos machucam com o tempo serão esquecidas sem ao menos deixarem marcas; outras depois de um tempo serão apenas marcas, recordações de um tempo ao qual não pertencemos mais. Há também as marcas que carregaremos de forma presente moldando nosso ser, mas que no fundo sequer lembramos a ferida que as causou...


    Cicatrizes tem esse incrível poder de nos fazer lembrar do significado das coisas, mesmo que esqueçamos das ações.



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Liberdade: uma fábula para adultos.

    Finalmente acontecendo. 


    Ele começava a ficar letárgico, assim como se fica sempre que um sonho passa à realidade. Letárgico como quando começamos a palpar o que antes só fazia nossos olhos brilhar em silêncio: liberdade...



    - Ah, a liberdade!


    Depois de anos morto naquela prisão finalmente ele estava livre; Cumprira sua pena com a sociedade; exagerada ao seu ver, mas justa aos olhos do mundo e para ele isso era o que importava, pois agora estava redimido e apto ser gente novamente. Estava apto, curioso e sedento por ser só mais um na sociedade, ansiava por andar por onde costumava andar antes, em se deliciar com a vista dos prédios pobres e das ruas sujas, apreciar produtos que não poderia comprar em vitrines de lojas caras, e isso se elas ainda estivessem abertas pensava ele idealizando as mudanças de um mundo que não morreu em limites gradeados.

    Mal podia esperar por ganhar as ruas. "Ganhar as ruas!": por varias vezes esse fora seu único sonho consolante, e também sua força para continuar insistindo em uma vida que mais lhe parecia um castigo que propriamente uma dádiva.

    Assim que finalmente foi liberado pelo guarda mal humorado, ele viu os portões da prisão se abrirem e no auge de sua euforia e fé tímida pensou: "se existe paraíso suas portas devem ter essa visão".

    -A verdade? Ele não via mais que dois cachorros sarnetos e magrelos perambulando, lixo, uma rua de asfalto esburacado e alguns muros pichados em um dia de sol que cegava, o que talvez explicasse sua comparação: a cegueira momentânea.

    Agora, livre ele andava apressadamente, queria recuperar os anos perdidos. Andar em linha reta por mais de 300 metros, ouvir o som dos carros e sentir o prazeroso ar poluído entrando em suas narinas e fazendo seu pulmão vibrar de felicidade com a realidade que o adentrava. Ele andou por algumas horas. Simplesmente andou, sem destino, sem intenção, apenas fazendo seu pés se cansarem enquanto seus olhos exaltavam tudo o que não fosse cinza. Como cão faminto passou por padarias e deixou a boca se afogar em saliva só pelo prazer de ver coisas que se quer lembrava que existiam, e quando finalmente viu um sonho  recheado com doce de leite seus olhos se encheram de lágrimas, nada lhe apetecia mais do que o doce naquele momento, e de tudo o que tinha ele só não abriria mão de sua liberdade por aquele doce, de resto trocava sem se quer pensar...

    (...)

    

    Os dias se passaram, a vida foi se moldando novamente. Ele fazia tudo certo, não ousaria arriscar seu maior bem: a liberdade sonhada. Ele, o indivíduo, procurou a família, tentou reencontrar os amigos, madrugou todos os dias em busca de um emprego, fosse ele qualquer coisa. O agora, quase infeliz tinha noção que independente do que fizesse nada seria tão difícil ou humilhante quanto estar preso.


    Dia após dia ele tentou. Eu sei. Deus sabe o quanto o infeliz buscou uma vida de homem livre, mas tudo o que ouvia, quando chegavam a falar com ele, era: Não. Uns mais incisivos, outros tímidos, alguns quase mudos; ouviu nãos de todas as formas, em todos os tons, com todos os timbres, sempre NÃO, mas todos sem exceção acompanhados de olhos repressores, olhos que só viam um passado ao qual ele jurava não mais pertencer.



    E assim, sem maiores condições de sonhar e condição alguma de realizar ele finalmente entendeu o que ninguém conta, o que velamos em silêncios cortantes e ações desmedidas, ele percebeu que uma vez prisioneiro, eternamente preso.



(...)


Assim somos nós. Prendemos as pessoas, e independente do quanto mudem ou se esforcem sempre as deixaremos no mesmo lugar; às margens da nossa "perfeição". Às margens daquilo que não se condenou ainda.

domingo, 7 de outubro de 2012

Água!

Um dia ainda descubro porque as lágrimas dos outros me saem tão fácil...

sábado, 29 de setembro de 2012

Tempo livre, peito rasgado...







Com o tempo aprendi que um peito rasgado pode ser sinônimo de dor; mas pode também ser um sinal de abertura, um lugar por onde algo especial entrará...

domingo, 23 de setembro de 2012

Das curas que matam...

Às vezes eu sinto falta de um certo tipo de dor...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

As caminhadas dos ser e estar...

Eu usei toda a força que tinha,
mas agora exausto no chão eu vejo que essa corda puxa apenas para um lado,
Sua justiça e sua tolerância não parecem respeitar meu desejo.
Estou cansado de ameaças veladas em um amor desigual.
Estou no chão e não há mais forças para levantar.

Eu quis ver mais luz, mas a escuridão foi o caminho.
corri sem enxergar nada porque acreditei na chegada,
mas agora percebi ser melhor a espera,
aprendi com a dor o que só ela pode ensinar.
Aprendi a calar e perdido temo não saber recuar,
adentrei em mim e me perdi.
Sou confusão que a terra engole.
Sou silêncio que esconde, e silêncio que é verdade absurda.


Estou um homem calado em dores que o medo afaga...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

oração

eu te entrego as correntes,
aceito ser vítima do meu cansaço, 
e da sua balança corrompida;
tenho as mãos livres, mas não tenho força para carregar mais nada,

estou tão perdido com tanta neblina,
e o sol faz tanta falta em tamanha dor,
eu queria olhos que enxergassem
eu queria um coração cego;
e queria não saber que a culpa é dessa vontade incontrolável de querer,
e querer mais, e mais uma vez querer.

eu te entrego a pá,
cavei e agora desço esse abismo que desejei,
soterraremos mais um pouco de nós em mim;
eu respiro tão pouco aqui.

não reconheço o fim dessa descida, 
mas entendo que ela não é menor que meu desistir,
que meus pés se cansem, 
que minhas pernas parem, que a recusa da descida seja fato.
nem sempre continuar é uma boa escolha, preciso parar.

quero parar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Atos e fatos da espera...



...

De repente tudo ficou tão perdido na luz,
é como se andar no escuro me desse certezas,
eu temo pelo que agora vejo,
e sinto falta da ilusão que acariciava a alma.

Eu quero mais, mas sinto medo de admitir a ausência.
Temo e tremo em pensar,
tremo e sublimo em sentir;
eu quero mais.

Eu não sei ao certo com agir,
não sei o que sentir, ou o que esperar,
Eu não posso negar o que sentimos,
nem não posso fingir o quanto não sei do tanto que nos pertencemos.
Eu te pertenço tanto quanto a mim pertence a certeza desse amor.

...

De repente anoiteceu lá fora, 
e no quarto a luz das verdades nos cega em olhos úmidos,
eu te desejo mais agora,
eu consumo fatos, silêncio, falo com os olhos, toco com a língua,
me entrego. E em tua perdição me encontro.
Me alimento do mel.
Me completo em você.

...

De repente tudo passa a ser grande novamente,
E eu volto a esperar.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Eu vento...

Eu vento...
voo longe,
me deixo levar,
apenas vou,
eu vento,
evento único para acompanhar o tempo que vai...
eu vento...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dança comigo?!

Acho que não estou enxergando muita coisa,
e meu pés começam a amortecer,
sinto um incomodo estranho,
é muita gente para quem está só em uma festa.


Eu poderia beber mais,
poderia sorrir e fingir estar me divertindo,
eu até poderia dançar, mas sem você fico pequeno.
Sem você erro os passos, perco a graça.


Então eu peço:
-Dance comigo essa noite?!


Esqueça a música, 
não há mais pessoas,
somos eu, você e nossos corpos.
Apenas dance.


Por dias eu sonhei com você em mim,
e agora que minhas preces se tornaram festa, dance.
Dance comigo quando acabar a música,
quando meus pés não alcançarem mais o chão,
ou mesmo quando as luzes fizerem dia.
Dance comigo, apenas dance.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Pobres Putas Pobres...

gosto da rameiras mais pobres,
as de baixo calão mesmo.
gosto dos desapudores,
dos desapegos e dos desassossegos que carregam em suas almas rotas.
eu gosto de putas pobres.
dos cheiros peculiares de agrado desmedido,
de suas gargantas quente e suas bocas silenciosas,
gosto de suas habilidades inacreditáveis e gosto de suas humildades desnecessarias.
eu gosto de sua falta de noção,
da sua ignorância de troca,
gosto das suas burrices,
gosto de putas pobres porque tudo dão,
porque pouco pedem,
gosto dessas putas servis,
essas tortas mães e amantes em relações quase de Édipo,
em fantasias cruéis que só existem pra elas,
não há relação, não mães e tão pouco sentimentos,
são apenas pobres putas, nem eu existo por tão pouco.
é ilusão.
são putas e são pobres, o que as faz não ser...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Amor em três atos.

Eu doí.
Senti meus dedos inúteis,
e você se afastando.
Parei. Meus pés não encontravam mais  chão.
Você me pediu tempo, mas ele agora insistia em machucar parando,
quase inexistindo, prolongando a dor.
Refrescando a memória,
lembrando que o amor conhece o medo,
e que o medo dói.



Eu insisti.
Ainda sentia um resto de força,
um muito de vontade.
Me joguei. Se for abismo, que seja em voo livre.
Te pedi para voltar, para entrar onde nunca saiu,
assentar trono onde  é teu território, sendo meu.
Refrescando a memória,
lembrando que o amor conhece a esperança,
e que a esperança salva, faz vida.


Ainda alterado pelo medo, senti seu cheiro.
Silencie, fugi dos seus olhos que fugiam acuados dos meus.
Senti coração compassando o meu.
Você.
Sorri. Fui entrega. Sou teu.
Me despi, e, mais uma vez te dei tudo o que sou e sinto.
Choramos, cúmplices de um amor maior do que esperávamos.
Teu abraço seguro, de berço quente e terço inteiro de fé inabalável.
Teu beijos de vida plena.
O mel que me enche de vida e gozo.
Refrescando a memória,
lembrando que o amor conhece o perdão,
e que o perdão faz o imortal.
Dando a certeza que conforta, estamos bem.