sexta-feira, 10 de junho de 2016

Lamento, por você...


Como você está?

Ouvi dizer que estava bem, que sua vida seguia...

Que conseguiu seguir, que as coisas estão em seu rumo...

Eu sindo muito, lamento.


Lamento por você não estar sentindo esse ódio que me toma,

lamento por a sua vida não ter sido descompassada,
por você não ter sido derrubado pelo furacão que nasceu em mim.
Eu sinto por você ter sido sempre tão"certo" .


Como disse você um dia, "acabou, isso prova que existiu..."

Sinto pelas borboletas que nunca passaram de lagartas em seu estômago.
Sinto pelas vezes que estive preso em seus olhos,
e pelas vezes que você quis que eu voasse, eu queria continuar em você...


Eu sinto por cada coisa que guardei,

por cada peso que carrego,
por lembranças de nós...

Eu lamento pelo aprendizado sobre ser um quando são dois,

eu profundamente lamento por tanta teoria...

Eu sinto muito por você estar bem, de verdade.
Eu queria que você tivesse sentido um pouco do que eu senti, 
que tivesse sofrido esse presente,
que fosse desconforto esse prazer.

Eu queria você sentindo como eu, queria continuar aprendendo com você...


domingo, 1 de maio de 2016

Me espera...

Perdido em fragmentos mal quebrados,
em sonhos que a noite não deixa acordar,
em bagunças que minha ordem luta para mentir,
em você, bagunçado...

Perdido em uma ordem dolorosa,
acostumado, mentindo e acreditando,
silenciando desejos,
afastando escuridões, clarões e verdades,
reprimindo trovões,
sendo meu por medo de ser seu,
clamando: tenta me reconhecer...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

sei que você se importa...

chorando, sozinho em casa, eu te odeio...
odeio seus olhos,
seu cheiro,
odeio seu coração pulsando forte em nosso abraço,
odeio seus olhos refletindo o meu prazer,
e odeio sua doação,
odeio saber que você é o ninho que sempre quis, 
odeio nunca ter sabido tua idade,
e ainda assim ter a certeza de que você é o cara certo,
odeio cada sonho que tenho com você,
odeio o medo de estar sem você.
eu odeio seu cuidado comigo,
odeio os dias que não virão ao seu lado,
odeio tanto essa dor...
te odeio mesmo preso a você,
 e odeio cada uma das coisas que eu amo em você...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

do outro lado, dentro de casa...


quando tudo parou, eu estava perdido em você,
em seus olhos sorridentes,
em seu sorriso de quem descobre o mundo,
e em meio a tantos mundos, tudo em você era maior,
um universo de possibilidades...

afoito, perdi as palavras, o jeito, a coragem,
e vi crescer a necessidade...
desejei que os silêncios que estavam em você,
quis a beleza das suas cores,
o aconchego da sua doçura,
quis que o tempo fizesse sua função, que passasse,
que você chegasse mais perto,
que o desejo se tornasse ato inevitável,
esperei pela hora exata do toque...
eu queria a imensidão que você representava.
queria o gosto do momento guardado em mim...

você era tão cheio de possibilidades...

parado, alheio à dança, e ainda assim tão cheio de músicas...
havia em seu silêncio uma melodia única...
cheio de descobertas, o dono do sorriso.
os doces e curiosos olhos que procuravam mais,
achavam em tudo a grandiosidade que só o simples pode expressar.
você era o melhor depois que eu queria ter...


por isso, agora...

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Médico, O Monstro e o Tempo...

Eu vejo os dias passando,
E estar com você, às vezes, me faz sentir sua falta sempre.
Eu sinto tanto por não sermos,
Por estarmos,
Eu desejo tanto...

Eu vejo as coisas mudando,
E sinto a distância se consolidar com toda essa proximidade que se consolida,
Eu não posso te tocar como eu quero...
Mas não quero correr o risco de ficar sem teu toque...

Eu sei, eu falo muito, mas não direi nada,
Continuarei preso em seus olhos,
Seguro em seus abraços,
Desesperado pela sua ordem,
Seguirei velando o sentimento criança, que nasceu mas não vingara...

Estou tão confuso com você,
Sem você...
Estou tão melhor por você...

Eu seguirei,
Não há caminho ruim, se bem aproveitado.

Eu estarei observando o tempo...







domingo, 17 de janeiro de 2016

enquanto tereza não aparece...

livre do tempo ele dançava,
amanhecia em luzes dos olhos
e clareava sorrisos de sol.
dançava como se houvesse amanhã, e por isso era preciso aproveitar o agora.
dançava sozinho,
comigo,
e com quem mais quisesse ser mais que um.
dançava com as mãos,
coma alma em curvas, 
com o coração que batia e apanhava músicas fortes.
dançava desejos alheios,
roubava os desejos e os adoçava,
só para ser livre,
só para ser curva e melodia,
não tinha nome, mas tinha voz,
tinha vez...
tinha a liberdade de entrar sem convite,
de permanecer em paz,
era a festa em silênico
ele dançava,
dançava,
dançava...

sábado, 9 de janeiro de 2016

está tudo bem...

às vezes é bem difícil seguir com essa mentira,
fingir o tempo todo...
viver de ilusões.

a sua falta é algo que eu não sei lidar,
há muito espaço sem você aqui.

tenho forçado sorrisos,
dito que está tudo bem,
e que você não era tão importante,
digo que estaremos bem na próxima estação,
mas eu não acredito nisso.
eu não lembro mais como é acreditar no vazio...
e nem entendo muito bem como é que as coisas mudaram antes e agora estão inertes...
eu não conheço mais as possibilidades,
e as verdades não parecem mais te agradar como antes...
então eu minto: está tudo bem, eu te entendo...

sábado, 7 de novembro de 2015

malinha de mão...

eu tenho um pedacinho,
um coração doloridinho,
um lugar e um caminho...

eu tenho um pouco de dúvida,
e uma certeza bem cretina, 
uma vontade sem vergonha...

eu tenho medo,
insegurança,
e nem tenho nada...

eu tenho sido eu,
tantos,
ninguém...

eu ando atoa,
ator,
tenho um finzinho de história pela metade...

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Logo ali, no futuro...


Acordo assustado, amanheceu e a cama está vazia.

Rolo até o outro lado da cama apenas para me enrolar no teu calor, para sentir teu cheiro tão presente no travesseiro.
Rápida a memória aviva o gosto do teu corpo;  em resposta, a boca saliva o desejo de ter você em mim, mas amanheceu...


Saiu da cama, caminho lenta e preguiçosamente até a sala...

Você está sentado, de cueca, lendo Gaarder.
O sol da manhã ilumina teus desenhos, banha tua pele e aquece meu coração...


Os óculos, o café, o cachorro deitado no chão, você tão presente na distância da entrega, o silêncio, tudo tão espontaneamente milimetrado, cada coisa a seu lugar, minha prova de que o paraíso cabe em pouco espaço e pequenos raios de sol da manhã...



Eu fico ali, parado, eternizando.



E então eu entendo, amores de uma madrugada devem nos inundar em doses homeopáticas, se possível.

... salve-me




eu sinto cheiro de prazer no seu sopro de vida,
sinto a manhã acordando meu coração,
e sinto a vida começar quando você me toca...


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

https://www.youtube.com/watch?v=2EwViQxSJJQ

Saia.
Baixe sua mão, baixe sua voz.
Mantenha a distância ao pegar suas coisas...

As coisas mudaram,
sem gritos,
sem marcas,
sem "nós", 
agora sou eu,
e você longe o suficiente para não me ferir...

Vá, já demoramos muito,
há histórias que ficam melhor no passado...
Leve suas coisas, guarde o que puder.
Me olhe nos olhos pela última vez,
e veja como estou mais forte,
mesmo estando mais dolorido e mais marcado.

Cale-se,
sua voz doce machuca tanto quanto sua mão pesada.


Feche a porta,
faça seu caminho só de ida,
toque sua vida,
e acima de tudo não toque mais em mim...

Apenas vá, saia da minha vida,
mas não esqueça dos meus olhos feridos
das marcas que não se apagarão,
e do preço que teve minha liberdade,
leve com você o peso de cada lembrança,
a dor de cada marca,
e a certeza do fim...

domingo, 2 de agosto de 2015

da leveza do tempo...

então é assim, aconteceu...
finalmente o tempo se fez acidente,
finalmente a ferida fechou,
sem marcas, sem cicatrizes,
sem rancor e sem amor.

finalmente eu olho para você sem dor,
eu olho você e vejo você, simples.

finalmente estou livre de mim,
livre dos desejos que alimentei,
das paixões que foram acalentadas pelo tempo,
finalmente há vento para levar...

indo, finalmente móvel de mim...
livre em voltar a sentir o gosto mais profundo,
em enxergar além da neblina...

aconteceu, simples como não foi...

domingo, 26 de julho de 2015

Tempo

Há tempo.

Ainda há tempo.


Eu vou estar em casa, só, e vou doer sua falta.

Eu vou acordar e achar que o dia está errado,
que as coisas estão fora do lugar,
que o sol não deveria ter nascido,
e que é um absurdo o tempo não parar se você não está aqui.
Eu tenho a certeza que seu lugar é em mim.

Há tempo.
Ainda haverá tempo.

Eu serei nostalgia em manhãs sem teu cheiro.
Serei espaço em uma cama vazia,
e talvez eu seja dor em uma cama a três, eu, qualquer outro e a lembrança...
Eu serei a prece para a cura do tempo...

Há tempo.
Ainda virão tempos...

Virão tempos em que eu cicatrizarei.
Virão tempos que as lembranças serão compartilhadas com sorrisos,
tempos que em nossos plurais voltarão a ser prazer.

Até lá, enquanto o tempo passa,
até que chegue o tempo certo, eu peço, esteja comigo,
será mais fácil ao seu lado,
Vamos aprender juntos a passar o pelo tempo até o tempo certo que há de vir.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

por esses dias...

o tempo passa sem pressa,
em marcas que desenham meu rosto,
se arrastando em dores que aos poucos matam,
o tempo se faz carrasco de uma prisão que eu quis estar...

os dias são pequenas eternidades feitas para doer,
e fugir é ilusão.
há tanto sentimento preso nesse silêncio,
há tanta dor viva e pulsante nessa morte.

eu reprimi palavras, e represadas elas me ameaçam,
crescem e forçam meu peito em uma provável explosão...

cego eu ainda mantenho as portas abertas,
e cansado ainda espero você voltar, 
não espero mais pelo amor que você dizia sentir,
mas pela presença que acostumamos a ter,
espero pelo espaço no seu abraço...

eu tenho acompanhado você de longe, esperando por um sinal,
tenho aprendido a ter fé em verdades passadas, em certezas bêbadas,
faça sua parte, por favor...

quarta-feira, 17 de junho de 2015

vulnerabilidade

quando entrei, cobria minha nudez com frágeis mentiras,
escondia minhas vergonhas em falsas certezas...
nu, me sentindo vivo pelo frio que cortava,
sozinho de mim, 
acompanhado de você,
morrendo verdades...

quando entrei teu, me fiz tão meu que nem suportava tal peso.
nu, me dispus a você,
à transparência dos seus olhos,
ao chão da sua voz,
ao doce de sua atenção.

talvez meu medo tenha te assustado, 
talvez tenha sido frágil minha força em negar,
mas foi entrega minha honestidade,
foram verdades que só a você confiei.

há em mim mais medos que a luz poderia mostrar,
e há em você tanta paixão em descobrir,
tanta segurança em permitir,
há tanto conforto que agora que entrei não quero sair...

domingo, 14 de junho de 2015

"moscas en la casa..."

... simples como Shakira cantou.



segunda-feira, 25 de maio de 2015

preces de domingo...

bendito seja esse ladrão que é o tempo.
no tempo certo,
ao certo que ainda dará tempo.
bendito seja...

benditas sejam tuas cores,
teus desenhos e tuas artes,
benditos sejam teus cantos de ninar
teu martírio ao acordar...

benditas sejam as vontades,
as necessidades em despir,
em descobrir,
e ventar...
bendita seja a necessidade de inventar esse sentimento,
e se não sobrou tempo para nos amarmos, 
que o tempo nos permita amar o que ele nos deu.
o muito que nos ofereceu,
que caiba tanta liberdade em uma cama só...

bendito seja o nosso Pai, 
benditas sejam as ligações,
as intervenções, interjeições,
benditos sejam os silênicos...

benditas sejam as noites que se repetirão,
benditas as manhãs com cheiro de café,
bendita seja minha fé...


quarta-feira, 20 de maio de 2015

sobre não ver, não duvidar; sobre entregar...

há muito peso em tantas verdades,
e há muito de mim aqui,
me sinto sufocado pela iminência do ser,
assustado pelo que você vê em mim...


afogado na umidade de seus olhos,
perdido na segurança do embargo da sua voz,
seguro em você,
nas suas verdades confortantes,

perdoe-me pela incredulidade dos meus desejos,
pelos medos norteadores,
e mais, perdoe-me pela vontade em possuir...

eu desejei a tempestade,
e agora não sei como suportar a chuva,
não há mais voo com tanto vento...

sua fragilidade real.
suas verdades reais,
há tanta entrega, que a segurança se faz certa em aceitar você...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

acabou.

olhe para mim,
diga, quanto mais dessa carne ainda será rasgada?
quanto ainda essa dor irá ditar o ritmo da caminhada?
eu sa[n]gro, e isso me faz fraco
me faz tão mal quanto deixar de ser cego,
me faz perder a esperança,
e acreditar no tempo,
me faz reconhecer as feridas, aceitá-las...


eu sou soldado desfalecendo na trincheira,
eu estou cansado, ferido.
estou com frio.
não há mais forças para continuar
eu errei  em querer você,
hoje eu sei, nem todas as batalhas devem ser vividas...


eu não quis ver o que era claro,
me ceguei, mas agora é tempo de lucidez,
eu vejo você além de mim.
quanto ainda irei morrer aos poucos,
a cada foto, a cada pedaço de desprezo seu?
tudo em mim é dor,
não há mais carne que sinta a navalha
não há dor que supere a desse coração que não pára,
que insiste em arrastar meu tempo no sofrimento,

quanto ainda vou lembrar?!
eu quero voltar a ser cego
ou morrerei na luz,
estou cansado...

eu queria odiar, mas a dor ocupou tanto espaço,
fez tantas marcas, tantas feridas...
não tenho forças para odiar aquilo que amo...

quanto mais ainda vou viver essa morte cantada em dramas
quanto ainda preciso doer,
é prisão essa dor,
como soldado derrotado vou me encolher no chão e esperar a guerra acabar,
vou esperar o fim da glória,
do frio, da dor,
vou viver o fim...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

partido[a]

tantas vezes já te pedi para ir embora,
já te implorei por um último gesto de humanidade...
tantas vezes já quis te ver saindo,
batendo a porta como quem conhece a certeza de que não irá voltar.
mas agora quem está saindo sou eu,
você não está pronto parar viver a dois,
e a três eu estou cansado,
enquanto você e seu passado forem pesados eu não os quero mais,
não há dor que eu possa suportar daqui em diante,
o peso dessa dor que você causa está maior que o peso do amor que tínhamos,
e quando a dor supera o amor, ele perde a dignidade,
se torna nocivo.

eu estou indo sem levar muita coisa,
vou deixar com a você a história; aumente seus passados.
mas estou indo enquanto ainda há amor,
enquanto a dor ainda é poesia,
vou sair enquanto a bagagem ainda cabe em um coração machucado...

tanto disse que te amava que está difícil de duvidar,
nesse momento há mais dores em estar que em partir,
então, estou indo embora.
fique com sua bagunça,
resolva seus medos
e não me convide mais para jantar,
não peça que eu ampare suas lágrimas,
eu não caibo na sua cama, 
e sem espaço não quero ficar na sua vida,
esqueça as promessas que me fez,
viverei sem elas,
só preciso estar longe...

preciso ir embora,
ironia, tantas vezes te pedi,
tantas vezes implorei pela sua partida que nunca acontecia,
acho que entendo você...
mas de fato, eu preciso...
não me peça pra ficar ou pra voltar, não me faça tanto mal assim...
vou embora e  levarei o pouco de amor que sobrou, e nem sei mais se é por você ou por mim.
mas estou indo...