segunda-feira, 18 de abril de 2011

Presentes do passado ou passados do presente...

Ele podia ter sido o primeiro, mas fez o único.
Foi descoberta e turbilhão de sentimentos;
Sonhos que privei da noite,
foi noites que doí em amanhecer...

Ele foi desejo que reprimi e que gritei!
Foi o brilho que meus olhos carregaram,
e a música que conheci, que aceitei.
Foi companhia certa,
foi graça que fiz,
presente que recebi...

Ele foi a voz que eu esperava ouvir,
a mão que nunca senti.
Foi o gozo da verdade que não sei se vivi,
foi confissões que fiz, que não soube esconder,
ele foi eu por inteiro,
foi o travesseiro,
a chuva, o vento...

E foi a lágrima...

Obsessão.

Paixão sem fim...

Foi o que o amor é pra mim...

Etéreo.

Ele foi tanta coisa, que de todas, mais me agrada é saber que foi meu,
e que foi livre...
Ele foi tanta coisa, que o que me move é saber que ele ainda é quem ele quer ser...
Ele é o som do meu coração,
é a promessa que vou cumprir...

Ele é distância que não afasta,
é descoberta.

E hoje não sei quem ele é,
mas nunca vou duvidar do que ele é...

sábado, 16 de abril de 2011

grande[mente] PEQUENO!!!

cansei do medíocre,
do grande.
cansei do inatingível.
por agora estou desejando coisas PEQUENAS:
ESTOU QUERENDO UM CANTINHO,
UM COLINHO QUENTINHO...
UM AMORZINHO,
ESTOU QUERENDO UM RESTINHO DE ATENÇÃO,
UM PEDACINHO DE CORAÇÃO...
ESTOU QUERENDO UMA PEQUENA TENTAÇÃO...

ESTOU ENTENDENDO O PEQUENO, e finalmente me libertando do grande comum.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

[cho]vendo coisas...

...sentiu cores novas e se entregou.
sentiu vento fresco e se abriu.
viu o desejo se anunciar e foi seu.
deitou-se no chão com respiração de querer,
foi passivo à situação.
molhado.
sentiu os pingos de entrega.
se entregou.
foi entregue.


era troca.


quando a vida foi maior,
o ato foi maior que algum nome podia limitar.
quando a força cresceu ele apenas aceitou se esperar...
teve prazer em sentir jorrar...
esperou o prazer do outro lhe satisfazer.
e ali, deitado na chuva, em sua plena companhia
soube amar o ato de chover....

domingo, 10 de abril de 2011

Crú e [dez]necessário...

Com 25 anos já troquei mais de 15 vezes de emprego. Desisti do magistério na metade. Troquei 4 vezes de curso de graduação, sem terminar nenhum até agora. Comprei meu atual corpo com uma redução de estômago. Mudei mais de 32 vezes de casa. Namorei com quem me deixou com mais chifres que cabelos na cabeça.
Errei a cada um dia dos meus atuais 9181 dias vividos. Fiz coisas erradas que julguei serem as mais belas do mundo, e vi belezas se acabando em casulos que não se romperam. Tive mais medo que sorte e menos verdades em assumi-los que coragem, eu sou assim: IMPERFEITO!
Eu quis por tudo fora, quis me desfazer de quem sou e de quem tenho de mim, mas acontece que sendo completo sou ruim, sou errado, e sou bom; Acontece que sendo eu, sou meu!
Gosto desse gosto de frustração que às vezes insiste em vir antes da sensação de dever cumprido, de alívio.
Gosto dos conselhos que segui, e amo os que nem ouvi. Tive trabalho em viver até aqui, e mais ainda em morrer até aqui; e em morrer nem sempre tive sucesso.

Esse sou eu, crú.
Sem cor, sem dor, sem amor, só os fatos; e querem saber por que? Porque essa imparcialidade que não sei ter da uma certa credibilidade que não quero ter, mas que por agora vai me ajudar a te fazer entender um anseio, uma advertência necessária para a vida de qualquer pessoa:


-NÃO FAÇA AS COISAS PERFEITAMENTE!!!

E quer saber por que? Porque perfeição é sinônimo de inexistente, quem fez perfeito nunca fez. Mas quem fez, viveu.
Estou cansado de esperar pelo tempo certo, pela hora exata, pelo sentimento que não machuca, EU QUERO VIVER! Quero amor eterno até que se feche a porta, quero doer se não der certo, quero entender e sentir que amanhã é hoje. Chega, não percamos nossas vidas esperando.
Precisamos andar...

terça-feira, 5 de abril de 2011

ser noites e dias...

e quando viu que a noite não era mais presença,
pensou em dormir,
em acordar acordos que não sabia fazer,
pensou em ser dia,
em ser chuva de verão,
pensou em todas as possibilidades do ser...
mas quando viu que a noite não era mais, apenas aceitou viver...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Como se amasse...

Me viu e se encheu de luz,
Fez dos olhos grandes jóias que pensei serem minhas.
Correu,
pulou em mim,
E como se mais nada existisse me beijou a face,
me cheirou o pescoço,
disse que estava com saudade.
Me fez desejo,
se fez desejo.
Como se me amasse foi chuva no deserto,
foi o que quis,
porque paciente eu a esperava simplesmente ser...
Como se amasse me deu "amor"...
Virou-se, distraiu-se com algo e se foi...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Or[ação]

Quase sempre sou meu. Não sei ser inteiro com quem me quer, mas sempre sou eu por quem eu quero, sou meu de quem eu quero, de quem eu desejo ser...
Não sou um bom exemplo de constância, e nem um bom exemplo de dedicação, faço as coisas movido por um coração teimoso e às vezes, porque não admitir, burro.
Nunca gostei de esperar; nunca gostei de não ter o que desejo, e por vezes meu orgulho deve ter me cegado, e não vi o quanto eu tinha a agradecer... Às vezes peço tanto que esqueço de agradecer;E às vezes ganho tanto que também esqueço de agradecer.
Não sou do tipo que desacredita, pra mim, tudo é, mas nem sempre sei expressar, minha fé.
Agora mesmo, eu queria estar de olhos fechados, em contato com o meu Deus, queria estar seguindo protocolos; mas acho melhor ser eu nesse momento, e não que seja uma questão de me expor, ou expor esse momento da minha vida, mas gosto do poder das palavras, da força que elas ganham quando são pronunciadas, então por isso resolvi "eternizar" meu agradecimento e ecoar ele por aí...



"... esses tem sido dias diferentes,
melhores eu arriscaria...
Tem sido dias onde eu tenho provado o peso do sentir,
onde tenho me torturado e me disciplinado a me permitir sentir por inteiro, sem medo, e também sem esperanças, sentir apenas pelo prazer da verdade do momento.
Tenho abandonado velhos pecados com sentimentos contraditórios de pesar e alegria, e da mesma forma sei que tenho adquirido e cultivado novos...

Esses tem sido dias em que meu coração tem experimentado uma nova oração, um novo motivo...
tem bebido de sentimentos como o ciúme e por vezes ele me afoga, mas também é ele quem tem me mostrado que ninguém se queima sem fogo...
Tenho desejado ter, mas tenho entendido que bom mesmo é o prazer do ser.
Ser Um.
Ser especial.
Ser mais.
Ser dele, porque facilmente ele me tem.

Esses tem sido dias onde o improvável tem se feito diário,
onde encontrei motivos pra acordar antes,
pra dormir depois,
dias em que o que me perco por caminhos que me trazem pra perto.
Tenho sentido paz em ouvir,
Tenho sentido um turbilhão de emoções em tocar...

E ainda que às vezes eu fique impaciente, ainda que às vezes eu tenha medo de não ganhar, que eu sofra por não dominar,
Tenho sido feliz, em esperar...

Tenho tido motivos pra agradecer..."

quinta-feira, 10 de março de 2011

[dia]rio...

Sabe aqueles dias que você precisar gritar em silêncio porque o escuro fará sua voz propagar de uma forma sem igual?!


Hoje estou me sentindo assim, meio A Menina que Roubava Livros do Markus Zusak, poeticamente engessante.


Estou sentindo a garganta apertar de vontade de contar coisas que ainda não devo falar, segredos que acham que tem vida própria, e que por serem fortes pensam já poder sair sozinhos de mim e ganhar o mundo...


Sempre gostei de ver a vida por um prisma mais poético que a maioria das pessoas, ou como alguns preferem classificar: "mais patético"... Sempre tive verdadeiro encantamento na beleza que só o feio suportaria carregar, como diz uma sábia amiga poetiza: " ...Ver a beleza do prego enferrujado..." (Zilka jacques). Sou assim: esse devaneio que finge ser sonhador...



A verdade é que vejo as coisas de forma diferente, sinto elas de forma diferente, tanto que hoje assim como A Menina Que Roubava Livros, eu posso sentir o cheiro do som dos passos...


Vou resumir, admitir, e explicar:

QUEBRARAM-SE OS CASULOS NOVAMENTE! É tempo de novas cores, novas asas cintilando pelo meu céu de flores, o toque passou a ser obrigação de reprimir desejos, e o cheiro é porta aberta...


Tenho medos; tenho dúvidas; mas também tenho vontades e certezas que a sobriedade não dá. Encontrei coisas que só encontramos quando estamos perdidos. Ganhei coisas que só se ganha quando nos permitimos não buscar-las, mas quando elas chegam, aceitamos.




sábado, 5 de março de 2011

Ganho!

Ganhei amigos,
ganhei confissões,
ganhei companhia certa.
E quando tive fome, comi...
quando tive sede, bebi;
e bebi também para ter mais vontade,
e quando a tive vontade; eu tive muita vontade,
E aí, reprimi...
Ganhei cama necessária...
ganhei abraços,
E quando tive sono, ganhei mais abraços...
Ganhei a noite!
Ganhei mais uma vez teu cheiro no meu travesseiro...
E ganhei a melhor forma do mundo de acordar,
Só para o dia também ganhar...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pobre sambinha de verso apertado...








...lavei a fronha do meu travesseiro,
perdi teu cheiro,
e agora como vou dormir?
quem vai perfumar meu sono
como vou lembrar de você que não esqueço?
e se eu perder o sono,
e depois perder a hora marcada para sair,
espero que você chegue,
que deite do meu lado,
que perfume esse travesseiro lavado,
dormindo comigo abraçado...











terça-feira, 1 de março de 2011

Laura...

Quando dançou, fez com força.
Foi planta de pé no chão.
Foi barulho e suor.
Mas foi brisa que escorre entre cores de fazeres...
Quando foi lagarta, construiu casulo.
Fez ninho escondido.
Fez do feio a única chance de ser belo.
Fez casco, escudo...
Mas quebrou tudo em asas que cintilavam e voou...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Gosto

Gosto do teu cheiro no meu travesseiro,

Do teu sono na minha cama,

Gosto das tuas mãos no meu corpo

E dos teu sonhos no meu futuro.

Gosto de você em mim

E gosto também de estar em você

De sair acabado de você, em você.

Gosto dos teus olhos gratos em fim de ato.

Gosto e como gosto dessa respiração ofegante,

Desse cheiro que você exala pra me atrair,

Para me fazer fácil.

Gosto de sentir teus dedos cuidando de um espaço que é só teu.

Gosto de ver os teus beijos correndo meu corpo,

De sentir o umidecer da vontade...

Gosto tanto de ti que não meço

Que não arrisco a pedir nada,

Gosto tanto que apenas espero o teu gostar encontrar o meu...

Começo do tempo...

Hoje bebi o resto de sua água e chorei o começo de suas lágrimas...
Você não entende,
É tempo.
Que não seque a fonte,
que nada se esgote,
porque estarei com você.
Vou ser passos e pisadas,
e você braços e largadas,
em cama gigante,
em noite de amigo, manhã de amante.
E ainda assim é tempo...
Seja meu em horas que me perco,
seja eu quando eu não tiver identidade,
mas antes: seja teu!
E continuaremos sendo tempo!
Faça de mim aconchego,
faça em mim tempestade,
mesmo pela metade é tempo, e eu espero...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"que seja letra que me faz voar..."

eu nem sempre lembro o caminho exato de casa,
e voltar, às vezes, é pior que se perder por ficar.
não sou bom com pedidos,
não sou bom com novas músicas em velhos violões,
não sou melodia sem voz.

nem sempre acerto o tom,
e às vezes a voz precisa de companhia.
às vezes os pés não estão no chão assim como o coração não está sozinho,
espera!
ouve!
podemos dançar com esse silêncio.
sempre quero dançar contigo no silêncio,
mas te prefiro grito!
te sinto melhor quando as mãos afagam soltando palavras.
quando o desejo é segredo de luz acesa.

podemos andar muito ainda,
podemos ser companhia,
e às vezes seremos ausência...
você pode ser dor em dias de melancolia,
mas que não seja nunca privação,
e que sempre seja pra sempre enquanto quisermos.
que seja na medida do nosso eterno.

que você seja saudade gostosa de sentir e matar...
que seja abraço necessário de ganhar,
que seja letra que me faz voar,
escreve.
não deixe de fluir,
não deixe de jorrar...

Sóbrio...

Eu queria beber algo mais forte,
algo mais morte.
queria algo mais intenso que você,
queria beber nos teus olhos o que os meus não conseguiram esconder.
eu queria despedida.

Eu queria beber algo mais intenso,
algo que me fizesse viver,
esquecer.
queria ter motivos pra te procurar,
pra te enterrar,
pra fazer passado,
fim e acabado.

Eu queria beber algo mais cortante,
mais vidro, mais transparente,
algo mais atraente que a mentira de você.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mais perto do inteiro!

Voa Ícaro!
Voa alto e sê o que te fiz,
Sê o que te quis,
Quem te profetizei.
Voa e vai alto,
Subir, subir...
Pro alto com meu coração,
Subir até o sol
E ser Ícaro!

Voa e me deixa ser lagarta,
Me deixa ser só.
Distante da glória,
Tão perto da história,
Vai...
Voa Ícaro,
Acorda em mim o que em você não dormiu,
Pro alto, mais alto...
Subir até o sol,
E ser Ícaro!

Voa Ícaro, e sê metamorfose,
"Seja para eu o que te criei..."
Cera quente, chão macio,
Voa mais alto e vê.
São dois sóis,
São dois, só.
Somos dois.
Voa Ícaro
Pro alto, mais alto...
Subir, subir
E ser Ícaro.

Voa agora.
Vou ser casulo,
Ser medo que criei,
Vou ser sonho que acordei.
Eu te desejei alto,
Te dei o vento...

Voa Ícaro, porque agora conheces o gosto amargo da liberdade,
Mais alto, mais perto de você,
Voa!
Subir; subir até o sol,
Até os sóis
Até ser Ícaro por inteiro!
Voa e conheça o que não escrevi,
Sê o Ícaro que profetizei,
Pro alto...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Pobre homem que amava...

Cabisbaixo, roto e silencioso.
Anda sem querer chegar,
sem querer sair...
Pobre do que amava;
Pobre em sua riqueza agora tão vã.
Acordava tão sonhador,
sonhava tanto acordado,
Pobre do que amava...

Vagava de vagar,
andava só,
Sem mãos pra segurar,
Sem pés para compassar,
Pobre do que amava...

Era frio em noite de rua,
era veneno que lentamente não fazia matar,
Era liberdade que fazia morrer,
Pobre do que amava...

Nunca antes pensara,
em andar só, em viver só,
E pior, nunca antes pensara em sonhar só...
Ah! Pobre daquele que agora amava só e solitário.

Ele não era dia,
não era sangue que pulsava,
carne que é fresca,
O pobre só era o que antes amava,
Era que quem era e a quem tinha.
Era quem ainda não sabe ser,
por não ter sabido ter,
Pobre do que amava...

de olhar indireto,
de corpo frio
De pedaços que a vida fez separar,
pobre do que amava...

Sem versos, sem vícios,
Sem ser o que ama: Pobrezinho do homenzinho,
sem seu amorzinho,
preso em seu mundinho de imensidão que só o vazio pode dar,
Pobre dele,
Daquele de amor perdido,
de ego dolorido,
de abandono sofrido,
de sorriso esquecido,
de ombro caído,
de dia?! Perdido!
De dia perdido.
De dia seguido de dia, sempre cada um deles perdidos...
Pobre do que amava...

Daquele, que sem forças nem lamentava,
não levantava,
e fazia da cama, sozinha, casulo de dor.
Pobre do que amava...

Do que me compadecia,
me enchia de luto e altruísmo,
me fazia egoísmo em sentir por aquele que hoje é só o Pobre que amava...
Pobre do que amava...

Que aprisionado no passado
sofria um presente sem muito futuro,
Pobre do que amava...

Um homem que chorava e a dor não terminava,
um homem que via os dias acabarem sem o tempo passar,
sem o sentimento mudar, sem ter de novo a quem amar,
Pobre homem de alma rota,
Pobre do que amava...

Nada o recuperava,
Nada voltava,
Nada fazia dele o homem que antes amava,
E assim, seguindo cabisbaixo,
e se ia sendo só,
O pobre homem que amava...





(02/12/2010)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sonhando sonhar o sonho...

Num súbito assalto me beija afoitamente,
A sede do passado é castigo que carregamos,
As mãos mais uma vez com força ganham liberdade em tocar.
Meu corpo é complemento do seu calor,
eu sinto seu coração dentro de mim.
"Eu te amo"
Me pega com força e jorra dentro de mim o seu infinito.
Mais uma vez sou mansidão.
Cheio de ti.
Vira pro lado e acorda...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mudanças

Os abraços estão diferentes,
e o calor agora não tem mais malícia...
No rosto o cuidado em não errar e deixar o desejo acertar o canto da boca.
Dos abraços, as mãos são serenas e cuidadosamente ingênuas.
Estamos amigos, mas até quando seremos amantes?
É doce o término quando o ombro que se chora é o mesmo que se afasta,
e a partida não tem gosto de despedida, mas cheiro de chegada,
a partida é começo que dói como o que nasce entre nós na cama,

A cama! Ah a cama, agora ela cheira a cuidado, apenas cuidado...

As fortes batidas agora são apertadas, de um coração parado.
Não julgo passado, não entendo o presente e nem espero pelo futuro,
eu não quis até doer de tanto querer...
Vou matar uma a umas as borboletas que depois de um tempo de descuido saíram de casulos abrigados pelo meu estômago.
Vou chorar baixinho, rir alto,
Voltar a ser meu, e não por nada fora.
Gosto do que guardo.

Ainda vou me procurar em teus sonhos,
e dormir soluçando por você.
Vou viver o tempo, e comer dele, o que ele me oferecer,
seja qual sabor for.
Vou andar por aí conversando comigo,
sendo meu amigo.
Mas te levando comigo, se quiser...

LUTO

Silêncio, vamos respeitar a memória daquele que esfria, branco e sem reação.
Olhos vidrados no passado,
lágrimas no presente,
incertezas no futuro...
Eu sou o meu luto e sou o que luto.
Sinto o cheiro de flores e velas...
Vejo luzes embriagadas,
Eu não sinto mais mãos quentes...
Vejo o que morreu, e como deve ser o imortalizo em boas lembranças.
Eu vejo esse que morre, e me mata saber disso.
Sinto a dor, e entendo a morte.
Não tenho medo ou respeito, apenas a reconheço com desprezo e distância.
Estou de luto e não sei até onde quero lutar.
Descobri no meu luto, que nem sempre preciso lutar.
Entendi que lutar no luto é não aceitar a dor que vai ser maior que qualquer vitória.
Mas luto meu luto.
Silenciosamente eu luto.

sábado, 27 de novembro de 2010

aprendi a voar, e não esqueci que o chão é amigo...

as coisas estão diferentes em estar tão iguais...
os abraços voltaram a ser apertados,
e como sempre, carregados de afeto...
os beijos se tornaram uma troca de preocupações,
e tudo está tão semelhante ao que se difere.

as noites abraçados agora têm outro cheiro,
mas os corpos burros de desejo e egoísmo ainda sã o os mesmos,
ainda não reconhecem o tempo,
ainda insistem em tornar incestuoso uma virtude que nem sabíamos ter.
tudo é tão diferente em se igualar agora...

nunca antes eu chovi tanto,
nem antes havia percebido de forma tão clara minha fraqueza
estou desarmado, quebrado.
eu sou dor que não quer curar sozinha,
sou medo que cresce, e pela primeira vez sei como é sentir a dois a solidão.

estou crescendo tanto que perdi meu lugar dentro de mim.
estou esperando tanto que tudo volte...
ainda preciso de asas e não vou esquecer jamais que "o chão é amigo..."

e se perguntarem: Ainda amo! E talvez ame mais que antes...
e se entenderem, me expliquem...
as coisas ainda estão iguais, mas doem tão diferentes...
e de tudo só tem uma coisa que não nos cabe: o fim.
estamos começando, igual, mais uma vez,
mas agora um compromisso diferente...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

...coxia

eu queria chover lá fora como chovo aqui dentro,
queria sentir derramar mais de mim,
há tempos parei de sentir água,
e comecei a ser pedra,
comecei a esquecer das coisas que fluem
e passei a forçar as que achava necessário.

eu queria ser fraco aqui fora,
assim como finjo ser forte lá dentro.
eu criei conceitos e teorias que não soube explicar,
que não consegui sustentar.
eu deixei de ser meu por mim.

eu queria jorrar mais.
queria pedaços meus pela casa,
eu preciso de fortaleza desfeita.
onde estão meus medos?
quero sentir verdades que escondi em mentiras protetoras.
eu quero um fim,
e quero também mais fogo nessa brasa que não se apagou.

eu queria ver as luzes ali na frente,
assim como não se apagam aqui dentro,
eu preciso ouvir mais mãos se juntando,
e saber da altura que um vôo pode ter,
saber do peso que um texto pode ser.
eu quero gritar e admitir,
por isso vou continuar a fingir e fugir.

cortejo sonhador...

eu seguia o cortejo...
era preto, era branco,
era canto e era reza.
com o velar nos passos,
com a noite entrando em dia,
com dias afogados em confusão de irreal.
não teve cheiro,
não teve carne.
era espírito livre,
bordados em cetim,
brilho fosco de entardecer.
eu cortejava perdido aquilo que ainda não achei.
eu era multidão de um,
era cortejo solitário,
era solidão acompanhada,
preso na liberdade de sonhar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

...segredos de querer

eu queria ser faca e cortar o vento,
queria ser mestre e explicar o que as cores sutilmente escondem.
eu queria voar com asas vermelhas que não libertam além de um céu de flores,
andar descalço por um caminho de sapatos perdidos e achados de si.
eu queria escorregar por entre meus dedos,
dançar em cheiros de silêncio, em expectativas de festa.
eu queria esperar.
quando corro, não tenho a pretensão de alcançar,
e menos ainda a de chegar,
quando corro apenas quero ser vento.

eu queria ser luz que apaga,
ser mente que mente pra alegrar em lembranças que esqueci.
queria ser nota de violão choroso,
ser melodia de dança em pés cansados.
ser movimento que o vento esqueceu de mexer, esqueceu de fazer.
eu queria ser casulo irrompido,
casa abandonada em nome de liberdade que só as cores da luz conhece.
quando acordo não desejo fazer, o segredo é saber apreciar.

eu queria ser pedra que rola,
ser despenhadeiro que faz subir quando cai,
queria cores de vermelho terra pintados em som de calor.
eu desejei ser cortado por água,
me tornar caminho de lendas
abrigo de estrelas cansadas.
eu seria deserto a noite, e praia de manhã só para poder entardecer rio.
eu seria personagem de conto de fadas, que o livro não fechou.

eu desejei tanto,
sonhei tanto,
vi sons, ouvi cores, temei estações e passei por sentimentos...
e hoje sou o que nunca soube admitir que queria ser,
hoje sou mudança que gosta de andar,
mudança que sabe parar, que sabe continuar,
sou mudança que só faz uma coisa: MUDAR.
porque mudar faz aprender,
porque mudar não significa abrir mão do que é bom,
mas mudar significa valorizar o que não se quer deixar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

desafios da noite...

a noite eu vejo ratos, eu sinto gatos,
todos arranhando dentro de mim
a noite eu vejo pó,
eu sinto a solidão prantear e gritar em meus olhos vermelhos.
me sinto só...
a noite eu digo coisas que não sinto,
eu nunca minto
e a noite eu vivo dias que as batalhas não venceram,
vivo momentos que não morreram
faço viagens que o dia esconde,
a noite é quando estou sóbrio,
quando me entrego ao opróbrio
e me sinto só mais um...
é quando sou um número que esqueci de contar...
quando esqueci de acordar...
quando escuro me faz ver.
é quando no silêncio alguém me chamar...
alguém me matar...

DECLARAÇÃO PROFANA!

"Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas..."







Respeitosamente, bem digo em ti profana de olhos e santa de beijos, os nomes e os desejos que meu alento não deixam fugir.
Em ti grito ô mulher de muitos amores, as dores que meu peito não deixa crescer por medo de morrer na humanidade que os teus olhos não sabem ver.
Deusa de sons e ruídos conhecidos, mulher de muitos maridos, mas fiel a um só amante: o tempo.
Dai-me tempo, dai-me vida que emana de ti ô minha vaca, minha profana.
Quando te cantaram, sabiam que um dia eu te roubaria; que contigo fugiria; que casaria e que depois festaria a tragédia que acordamos por estarmos sóbrios.
Sejamos sempre festa!
E que as dores mortas por nossas mentiras existam vivas em nossos destinos,
Sintamos nós minha entidade Larissa, minha epidemia maior, o amargo do mel e o doce do fel,que os outros não encontram por medo de esmiuçar o pequeno, e desespero em viver o grande.
Façamos nós amor em palavras ferinas que os olhos não sentem, que os corações não mentem; e bem sabes tu minha deusa entidade epidêmica bovinamente profana: EU TE AMO EM LETRAS MAIORES QUE A DE CAETANO, QUE ANTES TE CANTOU...
Te sentirei sempre como café, sempre sem açúcar, sempre errando em te beber por excesso, criando palpitações, tendo tonteiras lendo besteiras, acelerando o coração...
Preciso de ti no limite que desconheço e desprezo.
Te abuso com gosto e gozo, minha sempre café e deusa entidade epidêmica bovinamente profana Larissa...
Contigo guardo segredos escrachados, e músicas só nossas que alguém cantou, músicas que todos conhecem mas que em nós são segredos sentimentais...
São minhas as lágrimas que derramas e que te lavam alma; lágrimas que escondem um porque alheio.
E embora eu não admita, para ti meu mantra é : "Mostra, mostra, mostra as tuas tetas, deixa que eu veja as tuas tetas, não mostra para os caretas, mas se preciso for, careta também ser meu amor, então mostra, mostra..."
Te mostra Larissa, tu é grande demais pra pedir atenção!
Te faz mulher lagarta de casulo apertado.
Desabrocha em ti, sai desse vício de ser, e te torna aquilo nasce pra fazer: ser Larissa.
Te faz Larissa, degringola!
Minha sempre café e deusa entidade epidêmica bovinamente profana Larissa...

chegado...

chegou e me pegou como a um violão,
me pôs no colo e me passou a mão,
me fez cantar no tom exato,
me fez gemer no ato,
chegou e me fez beleza complemento,
me deu alento,
e comigo assoviou Caetano,
dedilhou notas surdas de músicas que não conhecia,
me fez cantiga,
despertou meninas,
me fez serenata,
me fez sentido o colo quente,
onde no peito batia um amor que nem sabia,
mas em mim também vivia.
chegou e me pegou,
me tocou,
me fez beleza e completei pequeno sua nobreza,
brilhei sua grandeza.
chegou e me fez violão,
me fez música e canção...

domingo, 31 de outubro de 2010

Por Ontem...

Sempre preferi as fugas às despedidas, parecem doer menos. Sempre optei por lançar fora tudo aquilo que tive medo de perder, mas às vezes despedidas são necessárias. Às vezes despedidas fazem um sangrar de coração necessário e libertam a alma...
Às vezes o tempo se encarrega de despedidas que não temos força ou vontade de fazermos, mas Às vezes ele (o tempo) aparece como um presente, uma chance e até mesmo uma necessidade de tentarmos mais uma vez esse sangrar necessário e libertador que é a despedida...



17/04/2010



Eu só preciso te deixar ir.
Te sentir partir de mim, quando a vontade é prender.
Preciso te ver livre pra lembrar de mim.
Preciso vagar em lugar nenhum,
e mais uma vez não ter ninguém pra precisar só de mim.

Eu quero você distante por agora,
Quero me sua distância me aproximando de mim.
Quero passos no chão,
Não vou mais voar com tuas asas.

Prefiro ser solidão sem dor.

Eu preciso de você longe de mim,
Preciso estar vazio para poder achar um lugar onde ficar
Preciso de mim plantação,
E saber que ainda tem o que crescer, o que querer;
Saber que ainda vai ter que morrer.

Preciso saber que sem você ainda vai ter alguma coisa.


...
































Despedidas feitas. E ainda e estou vivo;

sábado, 30 de outubro de 2010

Busca pés...

Cabeça baixa,
peso da fé,
e amar até o chão,
mesmo depois do não,
mesmo sem tua mão, teu pão,
amar mesmo sem ter teu coração.
Andar solitário por entre você,
estar em você e ser de você o bem querer
sonhar na rua,
viver na lua,
me fazer da tua carne nua e crua.
ver o sol que você deixar passar,
sentir o cheiro que você exalar,
exaltar e te ressaltar,
sonhar com nós dois em altar,
sonhar com você, em estar...
fazer carinho de mansinho,
ser seu "neguinho", seu pedacinho de céu,
te levar em mel, usar contigo um anel,
te buscar quando acordar
me arrastar, buscar teus pés
e te achar...

... sábado

É sábado de tarde, e a cidade vai com uma cor peculiar.
É sábado e a voz que canta é Bethânia.
Eu vejo cinza em dias como hoje.
Sinto cheiros de cítrico calor,
e o vento que espero faz frio e arrepio em corpo distante.
É sábado de tarde e a chuva vai começar....
vai lavar e levar coisas que eu esperei e detestei por tempos...
É sábado de tarde, e ainda não é tarde para ser sábado.

sábado, 23 de outubro de 2010

vontades

Brigamos.
Eu ouvi o que não queria,
disse o que não devia.
Chorei sozinho.
Chorei com amigos.
Chorei com o silêncio.
Meus olhos desviavam os seus.
Eu silenciei o choro e ouvi: Eu te amo!
Chorei agora com certezas...
Estamos bem.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um ensaio sobre a cegueira, do perdão...

Amem, ou o odeiem; pouco me importa; nem eu sei ao certo o que sinto por Fabrício Carpinejar. Fato é que ele é inteligente e engraçado, com "sacadas" únicas que acabam fazendo coisas tolas serem motivo de grandes reflexões. Acabei ler de uma de suas tuítadas dizendo que não se ensaia o perdão, quero ir além...
Concordo com Carpinejar, no fato que perdão não pode ser algo ensaiado, que deve ser espontâneo, que não temos uma forma padrão de perdoar. Acho que perdoar é quase amar sem orgulho, é lançar mão de entendimentos e agir com sentimentos mais sublimes, não ver coisas que se mostram nítidas por vontade própria e mesmo assim não ser cego...
Perdão não é ensaiado, mas a menos que seja praticado diariamente não é perdão por inteiro. Eu não sei perdoar tudo, e nem tudo me agrada perdoar. Existem coisas / pessoas que não quero, não consigo e não vou perdoar; e ao contrário do que alguns possam pensar, tanto suporto essa verdade que até há admiro e faço por cultivá-la...
Perdoar é digno, enobrece a alma; mas não perdoar dá forças.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Inspiração

não sei o que exatamente acontece quando as palavras se escondem em inspirações inesperadas,
mas sei que é engraçado e agoniante saber do que falar e ver a criatividade calar.
eu ando em crise de verboragia, logo eu!
eu que sempre fui bom em enrolar, divagar, estragar de tanto falar...
logo eu que sempre tinha algo a dizer mesmo quando silêncio bastava.
irônia?! até podia, mas prefiro definir como agônia essas palavras que insistem em calar.
eu queia falar de Liana que é chá, de Larissa que é café,
queria perguntar onde está Andréa...
e contar dos voos que o menino passarinho anda dando...
eu queria pedir das pernas que me perdem, e queria contar das penas de Roque.
eu queria chorar em versos com Bethânia...
mas cadê?
cadê!
cada essa tal inspiração verborragica que embriaga a alma e solta os verbos?
cadê os sonhos que só as palavras podem sonhar?
cadê a eloquência que afogava o siliêncio em frases nem sempre bem ditas, em frases bem vividas...
cadê as poesias que faziam de mim um bobo em fim de festa?
cadê essa tal inspiração que sumiu e deu vazão a esse mar de vontade...


(-Ah que vontade de gritar palavras minhas, que o silêncio ainda não conhece...)


cadê minhas palavras que me traiam, e que tanto atraiam?
cadê?

domingo, 26 de setembro de 2010

Pra não dizer que não falei das flores...

Sentir cansaço, vontade de isolamento, asco a idiotice humana ou ao ponto que ela pode chegar, é normal às vezes; o que preocupa é a apatia e/ou ignorância eterna a tudo isso. Eu entendo e participo do sentimento de "deixa assim" que às vezes nos arrebata em relação aos aconteciemntos de forma geral ou específica, mas chega uma hora que o silêncio falará tanto por nós que precisamos nos representar, precisamos expor coisas que ferinas ou não são nossas, coisas que escondemos em sorrisos diplomatas e cordiais, então caros (as) leitores (as), vou me dar ao luxo da verborragia e destilar meus devaneios a respeito de alguns "acontecimentinhos" (estou avisando para que não precisem ler até o final... Acho que os escritores deveriam fazer isso sempre, sem pretenções ou prepotências...).



Primeiro, vou seguir as tendências e falar sobre a ultrapassagem dos mil acessos ao meu blog (zilhões de pessoas que têm blog fazem questão de postar agradecendo esse marco ou pousando de suspresos), a verdade é que não fez diferença nenhuma na minha vida, não criei um blog para ser aclamado pelas massas, ou para persuadir pessoas. Criei simum blog para gritar sentimentos que me prendiam em silêncio que mata, em silêncio que emburrece, criei um blog porque queria que as pessoas soubessem da minha vida sem ter que responder a perguntas, para expressas sentimentos que não sei demonstrar; criei esse blog porque gavetas não tem luz... Por isso e só por isso que o "tão fabuloso" número não me emocionou e nem foi digno de mais atenção por minha parte, do mesmo modo meus caros e minhas caras leitores (as) vou relembrar um segredinho, a cada vez que nós moderadores ou donos por assim dizer acessamos nossos blogs para postar algo ou a cada página que mudamos quando estamos nele soma como se fosse mais um acesso, então assim como eu não se impressionem com grandes números de acessos pelos blogs da vida...



Política! Eita coisa estranha... Eu AMO política, mas o fato é que os candidatos não tem ajudado muito o meu amor a continuar sendo "fogo que arde sem se ver"... Vou me abster de falar de candidatos bizarros, de rostinhos bonitos, de eleitos pelas lembranças e sobrenomes conhecidos. Prefiro lembrar aos que votaram nesses seja por protesto, seja por ignorância, que cada o povo tem o governo que merece... E espero profundamente que os políticos sérios que tenham se elegido façam por merecer seus votos e trabalhem com afinco, para essa palhaçada não virar um drama sem fim.



Minha mudança: Mudei tanto que continuo igual...



Atualmente junto com outros dois livros estou lendo A Peste (Camus), o livro é realmente bom, meio chato às vezes, preciso admitir, mas ainda assim um bom livro. Em uma das partes determinado personagem quando endagado sobre sua fé responde: "estudei tanto que não acredito em mais nada", não; au ainda não cheguei a tal ponto, mas anda sentindo falta de algo pra acreditar, algo para "fazer de conta". Viver só do real pode ser tão pouco poético...
Meu quarto de século... Então... Pois é né?!
Mudando de assunto...
(Mas fique claro: ainda penso que vou estar PERFEITO aos 35 anos...)



A Lola finalmente foi pra Alemanhã, finalmente por que a primeira vez que ouvi falar dela, foi quando em contaram que ela estava indo, mas vou confessar aqui por bem sei que ela nunca lê meu blog, JÁ TÔ COM SAUDADE, e isso que me beneficie com alguns livros e a vaca macho dela pelo tempó em que ela estiver na alemanhã, quer dizer, a vaca macho não vou mais devolver... Hehehehe

Pronto chega! Ou vou começar a falar dos meus sentimentos, e não gosto muito dessas frescuras... Digo humanidades... Ah, só mais uma coisinha, minha mãe disse que cheguei aos extremos do anti-social... Será?! (Mãe sempre sabe tudo, né!)

Ok. Aagora no final de todas essas conclusões inconclusas eu percebo que na verdade somos engolidos por uma cultura de desabafo, de exposição, de masturbação mental que nos faz sentirmos melhorzinhos ou inseridos quando nossas verdades estão expostas não necessessariamente a quem quiser saber delas, mas expostas a nós mesmo, quando nos tornamos nossos próprios alvos, e assim poderemos nos atacar e nos destruir para achar sentido no que construimos mesmo quando estamos cansados...
(Vou voltar a escrever agora!)

sábado, 28 de agosto de 2010

Eu admito, gosto de homens!

Gosto de homens!
Gosto daqueles tipo Chico, Caetano tipo Tarantino, homens como Érico, Vinicius, Fernando, aqueles que envelhecem com sabedoria e sabor agradável ao paladar de qualquer um. Gosto daqueles olhos que petram cuidadosamente sem pedir licença, gosto de vozes macias com força de trovão, de vozes doces como morangos pela manhã. Gosto de gestos confusos, de atitudes certas. Gosto de rugas historiadoras, daquelas que contam fabulas em sorrisos safados de meninos que o tempo esqueceu. Gosto de homens que não forçam, homens que nos fazem desejo, que nos dão o melhor presente: a imaginação.
Gosto de homens de cabelos brancos bem vividos, brancos bem tingidos de experiência que só a dúvida pode dar. Gosto desses homens de versos, em verso. Gosto de homens de poesia solta, homens de tarde sem tédio, de madrugadas quentes cheirando a doce. Gosto de homens que se permitem; homens que são tão homens em não se preocupar ser.
É, gosto realmente de homens.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

cuidado!

"... ele buscava reações além dos arrepios enquanto espalhava carinhos com as pontas dos dedos pelo meu corpo; ele corria os dedos suavemente sobre minha nudez na cama desmanchada pela noite.
era gentil sua forma de me arrancar do conforto das manhãs; era sutil sua forma de me ascender, de me fazer descer aos meus desejos reprimidos pelo sono remanescente.

-o que é isso? alergia?
sonolento eu reponderia qualquer coisa:
-sim, deve ser...
-mas ao que?

melhor calá-lo com um beijos, melhor tê-lo divagando em mim novamente...

e quando eu perceber que não é alergia, também percebo ele acordado me fazendo dormir.
percebo seu cuidado exacerbado, seu amor velando o sono que não passa, monitorando a temperatura, percebo também seu zelo e preocupação, e preciso sair pra dar espaço ao tamanho do seu coração...

-cuidado! não sei se seria bom estarmos tão juntos, você ainda pode se contagir. eu insisto.
ele me cala com um beijo, me abraça e tudo vai ficar bem..."

sábado, 14 de agosto de 2010

Vestido de frio...

"Eu gostava mesmo era dos dias frios. Gostava de quando ele descia sorrateiro da cama, em um gesto velado para que eu não acordasse e me deixava em meio ao calor do seu corpo ausente. Gostava da sensação de falta que o frio trazia lentamente entre as cobertas, quando a cama insistia em mostar que minha companhia agora era travesseiro. Gostava de fazer de conta que dormia e espiar ele andando a passos leves pelo quarto. Gostava da sutileza com que colocava os velhos chinelos de lã, da destreza com que procurava temporariamente calor em outro lugar; e com os pés escondidos do frio ele passeava pela casa, e na sua ausência eu apenas observava. Eu via seu corpo ouriçar-se aos poucos e via-lhe vestir o manto que o frio tece. Depois de alguns minutos, de algumas visitas, ao banheiro, a cozinha, ele voltava e com a mesma destreza e sutileza deitava ao meu lado ainda vestido de frio, me beija a testa, sussurava um "bom dia" e depois aos poucos ia se despindo de de frio e se ornando de calor que me envolvia, e assim começavam sempre os melhores dias..."

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

eu pequeno...

eu te prenderia se você não fosse tão frágil,
te daria vida em gestos que não são meus.
e em ti eu guardaria a luz do sol,
eu esconderia o brilho das estrelas que roubei nos seus olhos, caso não tivessem vida própria..
eu amaria os que te cercam, e lutaria contra os teus medos.
eu te soltaria ao vento se você soubesse voar sem volta,
e se você soubesse encontar o mar te lançaria as águas.
eu te plantaria, flor, se você não resplandecesse em vasos baratos de pouca água.
eu te seria escudo, broquel,
te seria guardião se você não ganhasse guerras com os olhos,
e te seria proteção se você não me fosse cavaleiro armado de empunhadura militar
eu te falaria em sons que não controlo se você não fosse minha música certa.
e do tempo te faria prisão se você não fosse livre em verbos, se você não areia que cai.
eu te seria servo,te seria rei, senhor, dono, se você não me dominasse.
eu te seria cama se não fosses aconchego meu.
eu seria, eu sou teu...

Às vezes...

Às vezes eu queria sentar, sentir e escrever,
E às vezes eu queria só apagar...
Às vezes eu queria dividir,
Sonhar verbos e acordes de cores que não sei criar.
Às vezes eu queria precisar, ter a noção exata do tamanho,
Ter a roupa certa, pra depois tirar.
Queria às vezes me atirar, mas sem ferir.
Às vezes queria chorar, doer de tanto rir e depois?
Depois não sei, estou falando em passado.
Estou falando de "às vezes..."
Mas também estou falando em estado de espírito,
De nascer do vento, de crescer com a lua e queimar com o sol.
Estou falando em santidade, em meias verdades,
Falando das virgens que me disseram não poder terem filhos.
Eu falo em estrada,
Em partida.
Falo de mudança.
Eu falo em dançar.
Eu falo em ficar e ouvir.
Eu me permitir...

Quase tudo...

Hoje tudo cantou,
O vento na minha rua fez música sombria e fria.
A flauta do sexto andar fez música dançar.
A chuva fez música para a alma lavar.
Às luzes na rua molhada fez música pingar...
Hoje quase tudo cantou, porque eu me dei ao prazer de silenciar e ouvir...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

CoN[vErSaNdo]...

Política, religião, economia e graças a Deus sexo! Sim, graças a Deus, porque os tempos mudaram e falar sobre tudo inclusive particularidades pessoais e alheias não só é aceitável e comum, mas também, de certa forma esperado por todos. Obviamente que não me faço de rogado e com todo o prazer que a fala me dá, usufruo dos assuntos que a banalidade me oferece.
Há algumas noites estava eu conversando com uma amiga quando o assunto em voga de repente se tornou o sexo, foi aí que ouvi a célebre frase que para ela, era no fundo quase uma filosofia de vida:

“-Sexo de manhã não, né Ton?! Sem condição...”
Na hora em meio a risos questionei:
“-Como assim? Mas e se você tiver tesão?”
“-Não Ton, de manhã não tem como dar tesão...”

Risos a parte, e sem saber se entendi; respeitei, afinal, cada um com suas particularidades...
O fato é que pra mim sexo não é ato cronológico.
Sexo pra mim é sentimento atemporal, é desejo de dois em um. Não sinto tesão necessariamente pela manhã, a tarde ou a noite; não sinto tesão de forma programada nos sábados ou vésperas de feriados. Sinto tesão enlouquecedora quando sinto o cheiro de quem me vê por inteiro, quando meus olhos encontrão razão para estarem azuis; sinto tesão quando sinto a língua que eu desejo percorrendo de forma marota minha nuca e morrendo molhada em mordidas na minha orelha, sinto tesão quando a doçura de um abraço apertado e sem espaço pela quantia de amor que carrega me faz entender que “fazer sexo” pode sim ser, o antes temido “fazer amor”. Sinto tesão quando aquele cheiro que me consola se mistura ao meu, quando o meu berço que é meu terço se faz viva, se faz vida em mim, sinto tesão quando a saudade me faz entender que o que procuro só está em um lugar, em uma pessoa, sinto tesão quando entendo uma única pessoa é a forma certa de encaixe que tenho. Sinto tesão quando de maneira sábia, sóbria e certa concluo que sexo com quem se namora é infindavelmente vezes melhor do que sexo casual, infinitamente vezes melhor que sexo por “simples” atração física. E quer saber?! Sexo casual ou pela “simples” atração física não é errado ou certo. Não cabe a mim julgar em outros os atos e fatos que já fiz (procuro não ter julgamentos, embora às vezes perseguido por eles, procuro sim ter conclusões, e essa é uma delas: sexo com quem namoramos é melhor!).
Resumindo: sexo é bom, eu gosto e é pessoal a dois. E assim como a política a economia e a religião hoje, graças a Deus, conversamos banalmente sobre eles, e por mais que sejam assuntos corriqueiros, sempre serão pessoais e nunca haverá padronização, certo ou errado sobre eles. Então fale, faça, mas por você, da forma que você acha certa.

DeGrInGoLaNdO...

Sem pretensão,
Sem atenção
Sem intenção.
Sem a pretensão de ter atenção aos que ela encanta pela intenção de não ser.

Cheia de cores,
Cheia de sons,
Cheia de risos.
Cheia de cores que os sons pintam em sorrisos que só ela sabe dar.

Sem coerência,
Sem paciência
Sem se importar.
Sem coerência ou paciência pra se importar por quem não faz seu mundo girar.

Cheia de garra,
Cheia de marra,
Cheia de tesão.
Cheia de garra e marra só pra dar mais tesão ao olhar.

Sem “dedos”,
Sem freios,
Sem meios.
Sem dedos e freios sem meios termos.

Cheia de vida
Sem ser despercebida
Cheia de força.

Sem silêncios
Cheia de prismas
Sem mentiras.

Cheia de muros
Sem barreiras,
Cheia de teias.

Sem saber,
Cheia de querer,
Sem vergonha!

Sem degringolar
Cheia de gringolices,
Ela é verbo,
Ela é Larissa.

CoM[eNdO]...

Quero tê-la,
Sentir seu cheiro,
Sentir suas dores e gozar de seus amores.
Quero andar em suas curvas,
Descobrir suas cores,
Quero lamber seu mel,
E me embriagar do seu fel
Eu a quero por completo,
Quero como amante,
Como mãe, mulher e irmã.
Quero como quem tem fome,
Quero sem nome, sem sobrenome,
Sem títulos, sem roupa
Te quero nua.
Crua.
Te quero casa,
Como quem mora na rua.
Te quero berço.
Eu quero como criança quer,
Sem pretensão,
Com intenção
Eu quero por vontade.
Te quero por necessidade.
Te quero cidade.

mUdAnçA...

Agora é fato.
Ato.
Consumado,
Consumido,
Sumido e invertido.

Agora é dia,
Nostalgia.
Melancolia,
Alegria,
É neoplasia e alegoria.

Agora é novo.
Ovo.
Movo,
Ando,
Descubro e cuido.

Agora é realização.
Inovação.
Manutenção,
Declaração,
Atuação e intuição.

Agora é paixão.
Troca,
Dor,
Amor,
Sentimentos e momentos.

Agora é Porto Alegre.

PrImEiRoS eNcOntRoS = PrImEiRaS cOnClUsÕeS...

Grata surpresa:
- O menino que voa também sabe sonhar.
E a peculiaridade agora está na doçura.
-É novo o doce.
E a vontade de não querer é o que faz desejar...
Necessária surpresa:
- O menino que dança com vento também domina o fogo.
E a sensatez é sonho acordado.

terça-feira, 6 de julho de 2010

TrAnSgLuTaMiNaÇãO...

Como começar?
Começar como se começa.
Com sedução,
Com junção,
Com troca,
Com dois ou mais,
Começar com os tais iguais,
Com os diferentes,
Atraentes por lei, química, física e matématica.
Começar atraente por poesia.
Por leite e mel...
Começar separado,
Embolado,
Começar com água.
Com mãos afoitas,
Sedentas por conhecer,
Por tecer.
Começar com movimentos únicos
Com idas e vindas que não têm pretenção de sair do lugar
Começar com idas, vindas e vidas nas mãos.
Dedos que dançam em braco que vai clarear.
Com mãos que vão acarinhar, bater, rasgar...
Com mãos que que não fazem mais do que força por amar.
E o impacto formará um.
Começar porque justifica o fim.
Começar com mãos porque logo o corpo estará em movimento.
Logo a dança será de alma.
E o branco será claro como dia que se fará em mim.
E o que antes era separado agora só se vê um.
Respiração ofegante!
Idas e vindas, e o mesmo lugar porque ninguém iria querer fugir daquele prazer.
Eu observo,
Eu absorvo,
Aprendo e sorvo olhares que me dão.
Olhares que são o fim desse destino de lugar marcado,
De chance escolhida.
"Tomai todos e comei...
Fazei isso em memória de mim!"
Comei!
Comei em memória de mim!
Porque o pão feito é ritual que grita sentimentos pra mim.
É sentimento em mim.
Movimentos que dito em mim...
Agora vou comprar flores,
Depois vou comer.
E só então saber.

domingo, 4 de julho de 2010

fAsE nOvA...

Fase nova.
Aprendendo o novo...
Andando por noites mais densas,
Por ruas com mais histórias,
Calçadas com menos glórias...
Fase nova.
Vivendo o novo...

Frenquentando lugares onde o chão é de sapatos e o ceu é de flores...
Voando por ares mais coloridos...
Escalndo tecidos,
Brincando com risos,
Fase nova,
Olhando o novo...
Chegando onde sei que é começo...
Chegando como sei que não vou ficar,
Com quem eu sei que vou levar...
Fase nova.
Sentindo o novo...
Endereço novo...
Berço novo...
Sopa nova...
Fase nova.
Eu novo,
Eu de novo,
Eu velho,
Eu saindo do ovo...
Fase nova, que bom!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

nAmOrO?

Está tarde e ainda é cedo.
É cedo, mas a vontade é maior que o tempo.
É tempo, mas podia ser martírio.
Podia ser perda,
Mas agora ainda é tempo
E depois quando for história, será glória.
Quando for pedido, será sim.
Eu não acho cedo,
Mas acho caminhos em curvas
Que a luz não vê
Que a noite não esconde,
Eu me acho em caminhos que gozo em caminhar.
Está tarde e talvez seja tarde para ser cedo.
Talvez seja apenas medo.
E ainda será tempo,
Então sim.

dOrMiR sEm VoCê...

Eu sinto seu cheiro pela casa.
E a sua falta preenche esse vazio,
Te procurar é em vão.
Você não está em outro lugar se não meus pensamentos,
Meu coração.
Sem você não tenho o sono de quem velar
E não tenho porque tentar dormir,
Mas me falta o encaixe certo,
O peso exato da perna
O braço que abraça,
A mão pra segurar,
Me falta o compasso da respiração
O ar quente
Me faltam os beijos,
As lambidas.
Me falta você.
Dormir sem você é em vão.

terça-feira, 15 de junho de 2010

pEdAçOs De Um GrAnDe VôO...

Eu quis voar,
"Pro alto, PRO ALTO!"
"Mais alto, BEM MAIS ALTO!"

Eu quis novos horizontes,
Quis novos sentimentos,
Velhas sensações.
Eu quis querer sem esconder...

Eu quis vento que corta,
Cores que dão luz,
Palavras que me calasse...
Quis medo que fugisse...
Segurança que só vôos altos podem dar...

Eu quis dançar com o ar,
E quis roubar o poeta que traduziu o que sinto:
"Para minha liberdade, bastam tuas asas..."
"Pro alto, MAIS ALTO CORAÇÃO!"
Eu tanto quis
Que de repente,você...

Eu quis ir além,
Quis ir mais alto,
Porque céu só é limite pra quem não tem motivos pra ir além,
Pra quem não tem companhia pra ir mais alto.
Então eu tanto quis que agora o tenho,
"E no mais, estou indo embora!!!"

dO tEmPo FuTuRo...

Um dia vou andar descalço,
E sentir o frio da noite cortar minhas certezas vãs.
Um dia vou ouvir o que disseram os que não sabiam como pedir.
E vou entender o que não posso mudar,
Um dia vou fingir estar fingindo.
E vou ser eu como sou no meu quarto,
Como sou no meu quinto, como sou por inteiro.
Um dia vou deixar amanhecer,
E não vou temer pelo que se perde com o sol.
E um dia vou viver sem pressa, sem espera.
Um dia vou só fazer o que quero
O que espero que você me faça,
Um dia vou ser traça, e não vou duvidar da massa,
E nem vou desistir de ser caça...
Um dia vou ser solto,
E vou rodar até ver mundo parar,
Um dia vou cair, mas eu já saberei como levantar.
Vou ser criança,
E vou saber como curar as feridas.
Um dia vou ver mais que a realidade,
E andar em destroços de castelos que construí pra caírem,
Um dia vou controlar e descontrolar meus sentimentos,
E vou aproveitar.
Vou distrair.
Um dia vou constranger os imorais
E cegar os visionários
Um dia eu vejo tudo acabar
E aí começo de novo, só pra variar.
Um dia você vai entender do tempo como eu,
E aí, quando tudo estiver acabando e você continuar andando,
Você vai saber que agora é a hora de viver,
E vai saber que um dia nunca vai chegar porque ele está passando.

mE bAtA fOrTe...

Me bata forte,
Me afaste do que for morte.
Deixe marcas,
Doa com vontade,
Dê vivacidade.
Me bata forte,
Bata pra aprender,
Pra parar de doer.
Me bata forte,
Bata pra ensinar,
Pra me deixar sem saber.
Me bata forte pra voltar a ter
Pra voltar a perder
Pra dominar e esquecer
Me bata forte pra deixar marcas,
Pra fazer prazer,
Bata pra sentir e insistir
Pra ser livre e desistir
Me bata forte pra voltar a viver.
Me bata forte porque tua função é bater,
Nunca apanhar.
Me bata forte porque apanhar de você me faz crescer,
Lembranças são histórias, e delas eu preciso.
Me bata forte coração,
Porque eu não quero vida pela metade,
Eu não quero migalhas.
Me bata forte porque eu quero verdade,
Não quero quase, nasci pra ser intensidade.
Me bata forte,
De você eu quero atitude, emoção,
Eu quero marcas
Me bata forte coração.
Me dê motivos.
Tua função é bater, é doer,
Minha função é aprender, é viver.
Então me bata forte coração...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

gRiToS dE siLêNcIo...

Às vezes eu quero gritar!
Gritar com todas as minhas forças,
Gritar barbaridades que não ouso pronunciar.
Às vezes eu quero gritar!
Gritar amores, dores e horrores que cultivo,
Gritar medos e anseios de coisas que nem sei.
Às vezes eu quero gritar!
Gritar verdades e intimidades que desprezo,
Gritar só pra sentir uma liberdade que acho que perdi sem ganhar.

Às vezes eu preciso gritar!
Gritar sacanagens que não fiz,
Gritar vontades que não tive.
Às vezes eu preciso gritar!
Gritar mentiras que não criei, fábulas que inventei,
Gritar finais que não quis viver, mas precisei.
Às vezes eu preciso gritar!
Gritar ventos que não prendi, gostos que não provo mais;
Gritar cheiro que a saudade ainda me faz sentir.

Às vezes eu tento gritar...
Gritar simplesmente por necessidade
Gritar pra me libertar.
Às vezes eu tento gritar...
Gritar por que falar dói,
Gritar porque preciso ser ouvido.
Às vezes eu tento gritar...
Gritar porque esse é o curso natural do tempo que não controlo,
Gritar porque não sei o que fazer.

Às vezes eu quero gritar porque não sei o que fazer.

Às vezes eu preciso gritar porque não há outra coisa a fazer.

Às vezes eu tento gritar, mas meu silêncio não deixa...

Às vezes eu grito pra saber que não estou mudo,
Às vezes eu só consigo gritar porque o silêncio vai me ensurdecer,
Às vezes eu grito pra ter certeza de que o mundo está surdo.

Às vezes eu só tento, quero, preciso, mas não consigo gritar...

eXpLiCaNdO...

Como diria o profeta há tempo para todas as coisas, e isso é fato.
Todo esse tempo em que eu fiquei sem postar qualquer coisa que fosse infelizmente não me foi um tempo de silêncio. Talvez porque o silêncio seja uma grandeza a qual não me satisfaça; talvez porque eu tenha muito a ser regurgitado em versos; talvez, porque minha maturidade me ensinou que ainda sou imaturo a ponto de gritar poesias e sentimentos mascarados em metáforas reveladoras; talvez porque simplesmente não era meu tempo de calar.
O fato é que esse foi tempo de falar de mim, para mim. Foi tempo de produzir e digerir coisas que eu não sei como deixo escapar, tempo em que nem tudo foi bom, mas eu aprendi. Tempo de ouvir a voz fraca da minha verdade sangrante. O fato é que algumas das minhas verdades continuarão escondidas em noites de segredos, em madrugadas de pensamentos pretensiosamente pequenos, enquanto outros são pensamentos pretensiosamente pequenos que nasceram de coisas que achei digno dividir, pensamentos e verdades que achei que seria prazeroso dividir, e é claro: surgiram pensamentos e verdades que eu acho que são necessárias de serem divididas.
Mas não se iludam. Não creio que alguém consiga identificar mudanças drásticas na minha forma de escrita, e da mesma forma não esperem mais verdade em minhas linhas tortas, é impossível ser mais verdadeiro do que já tenho sido em cada uma das minhas palavras, a verdade sempre foi uma arma da qual me vali, mesmo que ela, a verdade, estivesse escondida nas metáforas que gosto de ver sendo interpretadas.
Também não se decepcionem meus caros, eu vos darei meu maior aprendizado nesse tempo de falar ao meu próprio coração: eu dividirei minha sutileza e transparência comigo e minha permissividade em sentir, sem medo. Estou escrevendo pra mim, às vezes de mim, mas acima de tudo com a vontade de ser meu, de ser eu. E conforme eu já havia me prometido: se for pra amar que seja muito, e se depois for pra quebrar a cara e doer, que eu quebre muito a cara e que doa muito, mas que eu viva, que eu sinta, que eu me permita além de querer, além de sonhar, que eu me permita viver, e é isso que estarei dividindo nesse novo tempo, estarei pretensiosamente dividindo intensidade e verdade, e às vezes intensidade e verdade parecerão pequenas, e de fato realmente serão, mas ainda assim continuarão sendo intensidade e verdade.
Resumindo meus caros, aqui está a primeira divisão: a vida é simples! Então viva!