domingo, 27 de julho de 2014

do verbo permitir

sinto sentimentos,
sinto essas coisas desde que aceitei me perder em seus olhos inquietos.

sinto arrepios,
os sinto desde que permiti que meu colo fosse seu berço,
desde que admiti ser ele meu terço, 
meu um terço,
prece e pedaço.

sinto coisas,
as sinto desde que encontrei em seu cheiro a ambiguidade do conforto e a excitação que só o prazer pode dar...

sinto novidades,
há no encontrar dos lábios um novo sentido para a vida.

sinto tanto...
sinto muito...


só não sinto vergonha...


amo.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Uma vida para morrer...

Uma das poucas, se não a única certeza que podemos ter em vida, é a morte física. Sim, todos iremos morrer. Uns morrerão de forma rápida, indolor; outros arrastarão esse processo por todo tempo possível, tornarão ele doloroso, e chegarão ao ponto de ambicionar a morte o que os livrará da dor que sentem e que estendem ao seus amados. Fato é, que nunca estamos verdadeiramente preparados para “vivermos a morte”, seja rápida ou não, seja ela nossa ou dos que amamos.
Falar em morte sempre é tabu. A morte sempre possui muitas interpretações,  é vista de diferentes formas em diferentes culturas, mas em todas ela traz um misto de saudade e renovação. Sim, renovação. Onde houver a morte da árvore haverá adubo e espaço pra a nova planta nascer.
Pois bem, vamos nós falar em morte, na carnal mesmo. Eu tenho uma história para contar pra vocês.
Segue:

“Ciente de que morreria um dia, Thomaz passou a vida tentando ser um bom menino, vivendo as coisas amenas e guardando energias para o dia de amanhã, afinal nunca se sabe o dia de amanhã e o  quanto ele exigirá de nós, nunca sabemos do quanto ainda teremos que estar preparados para vida, pensava o garoto.
Thomaz sempre fez tudo dentro do que ele julgava ser certo. Evitou grandes desgastes, nunca quis agir de forma irracional, ponderou, pesou todas as possibilidades antes de se jogar de cabeça em qualquer situação.
Um dia Thomaz sentiu que algo estava diferente. Seu corpo dava agora uns sinais que antes não conhecera, o coração disparava, o corpo se enrijecia em arrepios e logo vinha uma estranha descarga de relaxamento, a respiração andava mais ofegante, a cabeça começava a falhar,e frequentemente recorria o mesmo assunto, não raro também tinha a sensação de perder o chão de baixo dos pés. Desconfiado da situação, Thomaz resolveu consultar um médico, Dr Richard, homem com conhecimento amplo, e que parecia ser o único que poderia ajudá-lo.
DIAGNÓSTICO: uma única semana de vida!
Sim, o Dr Richard diagnosticou o problema e sem dó lançou essa bomba pra cima do menino Thomaz.

Alguns entrariam em pânico, chorariam os últimos setes dias de suas vidas, outros ignorariam e viveriam os seus últimos dias na normalidade que lhes trouxe até aqui. Alguns iriam perder todos os seus filtros, enlouqueceriam. Thomaz, passados os segundos iniciais do choque, e os segundo iniciais da negação, da raiva, fez o que melhor sabia fazer: pensou, ponderou, pesou e decidiu: Vou me permitir! Se é uma semana que me resta, que seja a minha melhor semana, que eu desfrute dos prazeres que me movem.
Thomaz decidiu fazer de seus últimos dias as possibilidades de uma vida. Como seria no final?! Seria como é pra qualquer um, a morte. E se houvesse um erro no diagnóstico do Dr Richard? E se tivesse uma cura para o que ele estava sentindo? Não importava, Thomaz apenas queria se presentear com a presença de sua morte. Com os benefícios que ela sempre o deu, mas ele nunca perceberá.
Então Thomaz levantou, andou sorrindo pelas ruas, bebeu cafés, comprou avelãs e se jogou nos abismos que sempre temeu desejar. Thomaz adolesceu vontades e descobriu prazer em suas verdades, passou ele os seus últimos dias se permitindo. Se sentindo uma pessoa especial, ele possuía a possibilidade de saber o tempo que tinha para aproveitar...
 Thomaz tem sido feliz nesses dias...”



Pois bem meus queridos e poucos leitores, que assim seja, que vocês entendam a eminência da morte, que se permitam. Da minha parte eu vos digo: SUSPIREI, ME CERTIFIQUEI QUE ESTAVA BEM  À BEIRA DO ABISMO, FECHEI OS OLHOS E SUSPIREI MAIS FUNDO, ABRI OS BRAÇOS E COM UM SORRISO DE CORPO INTEIRO VOU ME JOGAR NESSA QUEDA QUE PODE SER SÓ DE SETE DIAS, MAS QUE VALERÁ POR UMA VIDA! 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

tenho me feito coração, pedra.
precioso em esperar...

segunda-feira, 16 de junho de 2014

sobre o que é atual...

um dia em sua casa, com ela ainda fria,
você caminhará pelo corredor,
e do quarto você o chamará.
ele irá fingindo uma timidez que te convencerá.
você estará certo de que faz o melhor,
o beijará calculadamente,
e seguirão o protocolo inicial.

não haverá mais coisas minhas em seu banheiro,
nem fotos nossas pela sala,
você pensa: sem pedaços, sem gosto...

você volta para o quarto,
os dois quase nus;
e então você percebe: a cama não está vazia.
eu ainda ocupo meu espaço nela.
ainda tenho olhos de quem não engana,
e na boca a sede que não se sacia,
ainda sou brancas curvas que se domina com facilidade.
eu ainda sou o seu desejo secreto.
sou sua verdade mais honesta.
aprenda: não tiramos da cama quem não sai do nosso coração!

volta.
você me ignora, ele não me vê.


-"eles não o terão por completo."

por quanto tempo você ainda fará as coisas a três?
aprenda: não tiramos da cama quem não sai do coração.
você sangrará em silêncio, e me perderá em você.
um dia você desejará estar comigo em seu almoço de família,
e lembrará que eu era quem segurava sua mão no hospital.
um dia você vai rir das vezes que me odiou,
e se odiar pelas vezes que desejou não mais me amar...
você ira sempre lembrar do que foi bom,
e pesará o que foi ruim como insuficiente,
tarde de mais...

não se tira da cama quem não sai do coração.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Feliz aniversário!

Eu tenho 30 motivos pra te odiar!


1.       Odeio sua voz segura!
2.       Odeio seu jeito de ordenar como quem pede, ou pedir como quem ordena.
3.       Odeio a liberdade com que você me presenteia;
4.       Odeio seus braços fortes.
5.       Odeio teu abraço fortaleza!
6.       Odeio seus olhos que não sabem pedir licença.
7.       Odeio tuas verdades que me guiam.
8.       Odeio sua poesia sem palavras.
9.       E odeio suas palavras sem travas;
10.   Odeio o como só você dança comigo quando não há música;
11.   Odeio tua humildade que me envergonha.
12.   E odeio tua altivez que me seduz.
13.   Odeio a espera em que me prendeu.
14.   E odeio a certeza que trocamos.
15.   Odeio os dias incompletos;
16.   Odeio tuas cicatrizes;
17.   Odeio tua respiração sempre forte.
18.   Odeio tua capacidade de me surpreender.
19.   Odeio a forma que sempre me desarma.
20.   Odeio o quanto de mim,  você me dá.
21.   Odeio tua eterna disposição em ser teu, para se fazer meu;
22.   Odeio tua distância sempre tão perto, com você sempre tão em mim;
23.   Te odeio usando o que te dei.
24.   Te odeio aos risos siceros.
25.   Odeio a forma que me ouve quando eu não quero falar;
26.   Odeio tua entrega à vida.
27.   Odeio tua benção sobre minha vida;
28.   Odeio nossos segredos;
29.   Odeio não ter uma foto tua.
30.   Odeio chorar por/com você.

Eu te odeio tanto que confundo. Odeio tanto, e de tanto odiar eu sei que te amo. Eu te odiarei todos os dias, e jamais deixarei de te amar, jamais deixarei de ser o último!
Eu te odeio tanto, porque tenho mais de 30 motivos pra te odiar, e ainda que fossem mil, eles não seriam forte o bastante para superar meu amor por você.
Eu admito, queria você aqui fora, do lado de cá. Queria, por alguns instantes, te arrancar do meu coração e te prender em meu braços. Queria matar um pouquinho da saudade. Mas respeito a falta que sua presença causa, respeito seus desejos e o vento que move suas asas, respeito e admiro seus voos.

Tu és como o vento!   

Felicidades, sucesso!

Não hoje, mas só por hoje... 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Conto de fadas...

Era uma vez um gordinho imbecil, que esperava...
Aí ele cresceu, emagreceu; mas continua imbecilmente esperando...



sábado, 16 de novembro de 2013

Uma mentira mal contada, descoberta, dói mais que mil verdades esfregadas à cara...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Dor, o presente do adeus.

Caminhei lentamente pelo corredor do prédio.
As paredes sujas pareciam que cairiam sobre mim iminentemente,
que tentariam me engolir.
Abri a porta com dificuldade.
"odeio essas chaves, essa porta, essas paredes, essa vida..."
Andei pela sala,
voltei ao corredor. Entrei novamente. Chaveei a porta.


O tempo está mais rápido que o relógio?
mais denso que minhas vontades?
estou confuso.


Fui até o quarto, vazio.
Desliguei a torneira do banheiro,
voltei lentamente para a sala.
Vazio.


Vazios.


Sentei no sofá, 
"será que ele sempre foi tão desconfortável assim?!"
a janela fechada me asfixiou, abri-a.
O barulho da rua me incomodou.
Fechei a janela,
abri-a novamente.
Me senti um louco,
um fóbico que acha que vai sufocar,
um fóbico que acha que vai ser invadido por um mundo que não quer...
Me senti frustrado.
Quebrei os copos sujos no chão da sala,
bebi o resto do vinho, da garrafa mesmo.


Sentei no chão e chorei.
Chorei até soluçar,
até doer!
Dolorido levantei,
caminhei com a visão úmida e a atrapalhada até o banheiro.
Liguei o chuveiro que insistia em fazer um barulho infernal,
tirei a roupa.
Meu corpo parecia igual,
tudo parecia estar onde deveria estar...


Não entendi.


Não haviam marcas, nem cicatrizes, mas também não parecia que ainda houvesse um coração.
Entrei embaixo da água que esfumaçava o banheiro.
ela me queimava a pele branca, dando um tom rosado.


Senti cada um dos meus músculos relaxando, inclusive ele, o esquecido coração.
Senti o choro me dominar novamente.
Me permiti chorar, doer, socar a parede e gritar barbaridades sobre você,
permiti que água quente me afogasse de vez em quando,
quase morrer nos dá a certeza de estarmos vivos.
Eu estava vivo, a dor me certificava disso.
A dor era a dádiva que eu não podia explicar,
agora eu sabia: continuaria vivendo independente de você,
ou melhor, independente da sua ausência.
A vida seguiria,
Melhor arrumar a casa, a vida;
Alguém novo chegará...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Dono das Palavras

Era uma vez o Dono das Palavras...

   O Dono das Palavras era menino moço, recém chegando à idade de se dizer homem, e por isso já não podia mais possuir a sinceridade da mocitude, tampouco controlar a ira típica de tal fase, que agora era vulcão em seu peito. Tudo erupcionava naquele peito. Tudo se permitia quando a dor o visitava.

   O Dono das Palavras fora educado para ser discreto, ser doce, ser ordeiro, para quase ser servil; mas o garoto-homem agora estava chateado, furioso com a situação.

   E, mesmo sabendo que possuía grandes responsabilidades como o "Dono das Palavras", ele agora se sentia tentado. Queria falar da dor e da decepção em ser trocado, da raiva em ser enganado, das palhaçadas em ser "investigado", o garoto-homem queria que suas palavras ferissem como estilete o coração de quem o deixou sangrando, queria o Dono das Palavras fazer uso de sua única arma, mas queria que fosse assim, movido por esse turbilhão de emoções; pois do contrário, sabia que não o faria. 

   O garoto-homem não havia gostado de ter seu tempo entregue a quem não viu na reciprocidade uma virtude, e queria justiça com as próprias mãos, ou melhor, com as palavras das quais é o Dono. Queria falar tudo, gritar cada letra, sentir a garganta rasgar com a força do som, e a voz se afogar nas lágrimas que dele corriam sem sessar, queria se esgotar em verdades, e queria sumir.

   Mas o garoto-homem, o Dono das Palavras, não o fez. Deixou de usar de sua única arma, por entender que a guerra já estava perdida.  E mesmo se sentindo burro em ser crédulo, burro em ser paciente, burro em ser persistente, burro em querer controlar suas Palavras, foi fiel, guardou suas Palavras, doeu seus sentimentos, e depois os escondeu na madrugada, onde só ele poderia encontrar novamente.

   E assim, o garoto-homem, Dono das Palavras virou mais uma página, terminou um capítulo de sua fábula sem muita moral.

terça-feira, 28 de maio de 2013

verdadeiros segredos

... e ele terá: sessenta anos e garotos de programa.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Da história e da glória de não ser.

A inquisição ainda é a mesma.
O que mudou é meu nível de paganismo; 
as fogueiras e o que elas consomem;
quem ateia fogo, e quem se diverte com ele. 

sábado, 6 de abril de 2013

Indo

eu não entendia,
tampouco queria,
não havia em mim vontade ou necessidade de controlar,
apenas fechei os olhos,
e me deixei levar...

terça-feira, 19 de março de 2013

E aí a gente descobre que traição não tem fim...

nu, cru e despedaçado em verso, prosa e confissões

Acabo de entrar em casa, 
luzes apagadas,
silêncio que ensurdeceria a alma de qualquer um;
sempre me surpreendo com a capacidade que só o mais absoluto silêncio tem de eloquência extrema.
Tirei os sapatos.



    E com os pés no chão resolvi sentar em frente às páginas em branco para corrompê-las com verdades de quem já esteve com a cabeça nas nuvens e agora desconhece os limites do que é céu e dos que é inferno.


    Seria engraçado caso não doesse saber das ironias que a vida tem, e do seu senso de humor nem sempre amistoso. Há alguns dias eu estava preocupado, pensando que depois de tanto apanhar, de tanto sofrer havia desaprendido uma série de coisas, e já não sentia mais meu coração bater como antes; cheguei a pensar que o "garoto de água" de antes, agora era um "garoto de pedras", e que eu já não tinha mais um músculo involuntário pulsando no meu peito, que seria incapaz de voltar a sentir qualquer coisa. Feliz ou infelizmente eu estava errado.



Em silêncio comigo eu vejo a água escorrer,
sinto o calor,

vapor.
Preciso de um banho,

de uma lavagem,
queria esfregar a alma até que arrancasse seus pedaços que não me agradam.




    Finalmente aconteceu: a vida mostrou quem é mais forte. Levei uma "bela surra" fui traído, e decepcionado apanhei feito criança pela incredulidade em mim, e meu músculo involuntário pulsante parou; e da água que agora eu cria ser pedra se fizeram milhões de pedaços, e a dor permeou meu ser.

     Assim como creio que o suicídio seja a última e desesperada tentativa de alguém provar a si mesmo que se teve vida um dia*, a dor e o coração partido são as melhores formas de nos provar que temos sim o coração e que ele ainda funciona.



Me abaixei,
cheguei tão perto do chão quanto realmente estava.
respirei com sofreguidão até que meu peito apertado impedisse que mais ar entrasse em mim.
Involuntariamente ceguei pela umidade em meus olhos.
fiz o que tinha que fazer,
juntei todos os pedaços que se espalhavam disformes,
tentei, em vão, respirar profundamente.
Levantei, e ainda perto do chão continuo em dúvida: o que fazer com os pedaços de verdade em minhas mãos.


























* Apenas registrando que esse texto não é alusivo ou incentivo e tão pouco aprovo o suicídio.

quarta-feira, 6 de março de 2013

minhas dolorosas verdades

Pássaros não aprendem a voar batendo as asas na segurança de seus ninhos, mas se jogando em abismos...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Grand' Hotel

    

    "A dádiva da dor"(Philip Yance) é um dos meu livros favoritos, demorei várias páginas e muitas horas de introspecção para começar a entender e concordar plenamente com as sábias e bem colocadas palavras do Sr. Philip, e elas sempre me serão eterna e fonte de embasamento em discussões, sobre a vida e o como entender suas nem sempre gratas ou esperadas surpresas; no livro Philip fala da alegria dos leprosos que eram isolados do convívio social, e aos poucos e sem sentir dor física viam seus corpos se desconfigurarem até a morte, para um leproso sentir a dor durante um processo necrótico é uma dádiva, é a possibilidade de buscar tratamento em tempo hábil. Da mesma forma levei tempo para entender o que Renato Russo queria realmente dizer quando cantava que "Clarice está trancada no banheiro, e faz marcas pelo corpo com seu pequeno canivete, seus tornozelos sangram e a dor é menor que parece", mas hoje não só entendo como solidariamente concordo com a garotinha indefesa que busca na dor o alívio e a certeza de estar viva, e que tenta provar a si mesma que existem coisas que machucam mais do que possamos controlar. Como profissional da área da saúde tenho na dor uma forte aliada para diagnósticos nem sempre fácies, e também tenha na mesma um carrasco que atrasa tratamentos e traumatiza pacientes com medo e tentando evitar essa sensação nada agradável.

    Dores físicas são quase sempre curáveis, podem ser tratadas por uma das inúmeras especialidades médicas, é questão remoção de fator etiológico. Mas quando a dor é emocional por mais que da mesma forma possamos contar com a ajuda de algumas especialidades médicas elas são menos exatas e por isso seu tratamento depende não necessariamente da remoção de fatores etiológicos, mas da aceitação dos mesmo, do aprendermos a lidar com eles. 


    Sem sobra de dúvida a dor física que tanto abominamos e maldizemos é quase sempre um presente ou um "puxão de orelha melancólico" nos mostrando tudo o que tínhamos e perdemos sem muito valorizarmos. Mas às vezes a dor física é uma tentativa de amenizar uma dor emocional que de tão intensa parece que irá nos consumir, e impiedosamente nos matar sem que possamos fazer nada, se não passivamente esperar.


  Não há nada melhor que a dor para nos mostrar que estamos vivos e para nos dar a certeza que não cabe exclusivamente a nós controlarmos o nosso nível de dor. 

    Eu tenho sido sucessivamente atropelado por caminhões que faço questão de ambicionar, de abastecer e às vezes de ligar. Agora, se eu fosse mais corajoso ou menos sensato, estaria sentado no meu banheiro, trancado; mas sei pelas experiencias de Clarice que não irá amenizar, sei que pelas páginas do Philip que estou vivo e por por estar vivo é que nunca estarei imune as dores que a vida me irá me impor.

    Estou vivo, e de forma ampla isso implica sentir dor também, e embora eu veja na aceitação da dor um conformismo inteligente não preciso ser hipócrita em dizer que gosto disso, ou que me regozijo de alegria por me sentir destruído, atropelado; mas posso dar a certeza de que isso me fará em um futuro não distante uma pessoa melhor, mais forte e generoso, e com a certeza de que apesar de tudo estou vivo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Axioma





"s.f. Identidade de uma representação com a realidade representada; exatidão, autenticidade: verdade histórica. / O que é certo, verdadeiro: quer saber a verdade. / Princípio certo, constante; axioma: verdade matemática. / Boa-fé; sinceridade: falar com verdade. / Bs-art. Expressão fiel da natureza: retrato de grande verdade. // &151; loc. adv. Em verdade ou na verdade, certamente, seguramente, decerto  "

http://www.dicionariodoaurelio.com/Verdade.html





    Essas é a definição de um famoso e conhecido dicionário para a palavra verdade e creio que não haja quem discorde; mas o fato é que dentro desa definição tão engessada existe uma infinidade de formas de interpretar e vivermos nossas verdades pessoais. E com isso o que para um é verdade absoluta e inegável para outro se quer é admissível como existente, quanto mais como verdade, e é aí que nosso engessado conceito de verdade se torna um mutável conceito de verdade ainda assim verossímil e aceitável.



    Cada um de nós crê e segue algumas ou várias verdades, uns fazem delas justificativas outros as usam como forma certa para levarem sua vidas, ou administrarem seus conflitos; para uns não passam de desculpas ou forma de manipularem a situação a seu favor. Independente da sinuosidade do caminho em que cada um conduz suas verdades elas estão e estarão sempre presentes em nossas vidas, basta pararmos e observarmos, pois às vezes elas estão tão distorcidas aos nossos olhos que nem se quer parecem existir.


    Eu faço das minhas torpes verdades regras de vida das quais por mais fiel que eu seja não as faço imutáveis. Acredito em tudo no que se possa ter fé, mas de nem tudo faço uma verdade minha. Já fiz versículos de bíblicos verdades marcadas na pele pra que elas não fujam de mim em noites intermináveis e de alguns fiz desculpa para a liberdade que tive medo de assumir sozinho. Usei pensadores para fazer de suas verdades as minhas e assim não correr o risco de pensar. Embalado por melodias envolventes dancei verdades que expressavam mais de mim que eu conseguiria fazer sozinho. Agarrei no vento verdades absurdas que me confortavam e que por isso me eram exatas. Fiz de sonhos reais verdades pelas quais entrei em gurras e só pedi paz quando exaurido me dei por satisfeito com o que eu cri ser a vitória. Às vezes encontrei verdades no chão, sentado em um canto do meu mundo chorando e com medo de continuar. Senti verdade em dores que quase me mataram e em mortes que me fizeram mais vivo. E em algumas noites deitado no sofá ansioso pela manhã e fuga vi mais verdades que meus óculos permitiriam que eu visse. Alguns olfatos e paladares nos trazem mais verdades que outros. Em tudo há verdade, mas de nem tudo fazemos as nossas verdades. 

    Tenho me deparado com vários questionamentos e  um deles é sobre quais são minhas verdades e se  elas estão em um processo tão constante de mudança que nem eu mais consigo acompanhar?. Mas de todas as minhas verdades agora inquietantes uma que tem me atormentado é a de que "não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte", tenho duvidado um poco disso, tenho me sentindo meio "escondido". Não seria o eu uma cidade como realmente pensava? Ou não seria o meu monte tão grande quanto pensava? Será que me enganei tanto quanto meu real tamanho? O que há de errado com essa verdade que eu cria ser absoluta? Passei  dias dolorosos remonde essa questão e com ela questionando verdades adjacentes e o elenco que a compõe. Depois de penosamente sofrer essa verdade que antes era conforto e estímulo, acho que cheguei a conclusão: De fato não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte, mas se pode devastá-la com facilidade, pois ao contrário de cidades edificadas em vales, elas estão mais à merce da ação dos fortes ventos ou de outras inevitáveis ações avassaladoras da natureza que inevitavelmente chegarão.


    Minha cidade está devastada, conspurcada e sem condições de se apresentar pra mais uma batalha. O dolorido dessa verdade é que essa tragédia nada mais é do que fruto da ação de um só inimigo: EU. Minha cidade em ruínas e ainda a vista, foi bombardeada por mim e meus medos, por minha vontade de agradar, de dizer sim aos outros e de esquecer que alguns não são necessários para meu bem estar e manutenção desa cidade que com esforço ergui; Abafei  verdades menores que no montante final diziam exatamente que eu sou, e me perdi em meio a sujeira que eu mesmo produzi, esqueci qual a verdadeira face do palhaço atrás de tanta piada pintada em seu rosto. E caí no bordão: Que rei sou eu?!

    Ainda não tenho certeza sobre todas as minhas verdades ou sobre como continuar a mantê-las caso isso valha a pena. Mas sei que ponderar sobre elas é bom, é uma forma de nos expormos as nós mesmos, e mesmo que isso nos devaste e nos pare, quando voltarmos a andar pisaremos com mais segurança, cientes da vontade de continuar, mesmo que o caminho ainda não nos seja o mais seguro.

    Imutáveis ou não, em maior ou menos quantidade, prestes a nos paralisar ou impulsionar, elas sempre estão presentes em nós, então eu te aconselho: Reviva suas verdades, repense-as se necessário, recrie-as caso prefira, mas não deixe de viver baseado nelas. Afinal o que acreditamos ser especial assim o será. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Das minhas profanas confissões para a vaca dona das divinas tetas: Larissa!


Eu poderia estar com saudades, mas isso foi algum tempo atrás; agora estou precisando de você!

Por favor!



...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo

Tem dias que me faltam pés para tocar tanto chão,
e tem dias que minha corrida não alcança a minha linha de chegada,
às vezes sobram mãos em forças que não faço,
em braços que não abraçam,
não prendem,
mas libertos impulsionam o que possuem.
Me faltam ventos em curvas de caminhos que ainda não percorri,
em moinhos que ainda não moí, 
de rios que não chovi.
me falta tanta coisa que as sobras se consomem,
e se dissipam.

Pra onde ir?
Como vir?
caminhos que se perdem em pés que se cansaram.
em dedos que contaram e apontaram.
rimas que se empobreceram
que esfaleceram
que calaram.

confissões:

Às vezes eu me sinto mal por não sentir certos medos;
eu tenho esquecido muita coisa importante. A memória não é mais a mesma;
e eu ainda minto pra mim que não tenho medo do escuro;
eu sinto culpa por tudo, mesmo quando afirmo o contrário;
Não tenho medo da morte, senti isso apenas uma vez em toda a minha breve vida;
Tenho medo de estar só quando chegar a minha hora de morrer 
às vezes tenho fobia de pessoas;
Em um dos espelhos da minha casa está escrito: "CONHECE E RESPEITA!" pra que eu não esqueça dessa verdade diária;
tenho vergonha de admitir, mas reconheço que sou um bom ator quando as pessoas pensam que eu sou forte;
amo pessoas que não conheço e às vezes não gosto das que preciso conviver;
me dói reconhecer que esqueci o cheiro da poesia,
e perdi a hora exata do pôr-do-sol;

eu queria chorar mais;
e eu queria rir mais.
queria perder a hora sem perder compromissos;
queria me perder no mesmo lugar que me abandonei.

eu tatuei: " O VENTO SOPRA ONDE QUER, OUVES SUA VOZ MAS NÃO SABES DONDE VEM E NEM PRA ONDE VAI, ASSIM É TODO O QUE É NASCIDO DO ESPÍRITO"
Gosto desse versículo bíblico, mas nem sempre gosto da bíblia;
sou da Oxum, mas não "guento" um Ogum,
sempre achei que Buda estava certo, mas para os outros. Pra mim não dá muito certo.
Amo o povo e a cultura cigana, mas sou muito capitalista e dependo muito de segurança pra viver sem as "certezas" que acho que possuo;

eu sou cafona, gosto de assistir National Geographic e History e o pior, acho que muitas das merdas que eles falam lá podem ser verdades;
Amo a chuva!
Eu queria viajar mais;
e queria voltar mais.
e queria aprender a nadar.

eu queria contar mais coisas, mas está tarde e preciso estudar,
e depois dormir e continuar a viver sem esconder o que não posso ver.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

os dias têm amanhecido antes,
e as noites estão repletas de conforto,
agora, mais que antes, eu vejo com sobriedade;
eu me distancio, e me aproximo de quem sou e de quem deixei.
por causa de você eu vejo as pedras se moverem,
e como um presente eu vejo a vida fluir,
eu estou livre em você,
e meu sonhos tomam posição de realidade palpável,
você tem sido a causa e forma dessas mudanças,


por ande andei, eu não me encontro,
das escolhas ficam os fatos,
e sempre serão aprendizados as cicatrizes,
por causa de você eu encontrei, e agora perdido eu resplandeço.
levado por ventos que me pertencem por nunca serem de ninguém,
sendo confortado e se deixar levar,
por causa de você eu me libertei,
eu sou voo leve e sem fim.


por causa de você não  há mais desespero, 
e há vida em mim.
tenho sido brisa em amanhecer quente.
e há prazer em não ser, não ter e não pertencer;
por causa de você há liberdade,
e há tempo para crer ainda.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Fatos...

E ao que tudo indica perdemos o respeito e o amor próprio no mesmo lugar...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cicatrizes.




    Hoje quando sai do banho tentei achar algumas cicatrizes da infância. Cicatrizes que nem sempre eram reflexo de um comportamento travesso, mas sim da minha total falta de destreza e atenção, minhas cicatrizes eram a mais pura expressão da falta de habilidade motora, eu era muito melhor imóvel, ao contrário da maioria das crianças, e para a tranquilidade da minha mãe...

    Para minha surpresa algumas das marcas eu não consegui nem localizar; já outras parecem estarem tão recentes mesmo depois de anos; e ainda tem algumas que eu não consigo mais lembrar quando se fizeram ou como, mas que estão ali presentes.

    Moral da história?


    Algumas coisas que nos machucam com o tempo serão esquecidas sem ao menos deixarem marcas; outras depois de um tempo serão apenas marcas, recordações de um tempo ao qual não pertencemos mais. Há também as marcas que carregaremos de forma presente moldando nosso ser, mas que no fundo sequer lembramos a ferida que as causou...


    Cicatrizes tem esse incrível poder de nos fazer lembrar do significado das coisas, mesmo que esqueçamos das ações.



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Liberdade: uma fábula para adultos.

    Finalmente acontecendo. 


    Ele começava a ficar letárgico, assim como se fica sempre que um sonho passa à realidade. Letárgico como quando começamos a palpar o que antes só fazia nossos olhos brilhar em silêncio: liberdade...



    - Ah, a liberdade!


    Depois de anos morto naquela prisão finalmente ele estava livre; Cumprira sua pena com a sociedade; exagerada ao seu ver, mas justa aos olhos do mundo e para ele isso era o que importava, pois agora estava redimido e apto ser gente novamente. Estava apto, curioso e sedento por ser só mais um na sociedade, ansiava por andar por onde costumava andar antes, em se deliciar com a vista dos prédios pobres e das ruas sujas, apreciar produtos que não poderia comprar em vitrines de lojas caras, e isso se elas ainda estivessem abertas pensava ele idealizando as mudanças de um mundo que não morreu em limites gradeados.

    Mal podia esperar por ganhar as ruas. "Ganhar as ruas!": por varias vezes esse fora seu único sonho consolante, e também sua força para continuar insistindo em uma vida que mais lhe parecia um castigo que propriamente uma dádiva.

    Assim que finalmente foi liberado pelo guarda mal humorado, ele viu os portões da prisão se abrirem e no auge de sua euforia e fé tímida pensou: "se existe paraíso suas portas devem ter essa visão".

    -A verdade? Ele não via mais que dois cachorros sarnetos e magrelos perambulando, lixo, uma rua de asfalto esburacado e alguns muros pichados em um dia de sol que cegava, o que talvez explicasse sua comparação: a cegueira momentânea.

    Agora, livre ele andava apressadamente, queria recuperar os anos perdidos. Andar em linha reta por mais de 300 metros, ouvir o som dos carros e sentir o prazeroso ar poluído entrando em suas narinas e fazendo seu pulmão vibrar de felicidade com a realidade que o adentrava. Ele andou por algumas horas. Simplesmente andou, sem destino, sem intenção, apenas fazendo seu pés se cansarem enquanto seus olhos exaltavam tudo o que não fosse cinza. Como cão faminto passou por padarias e deixou a boca se afogar em saliva só pelo prazer de ver coisas que se quer lembrava que existiam, e quando finalmente viu um sonho  recheado com doce de leite seus olhos se encheram de lágrimas, nada lhe apetecia mais do que o doce naquele momento, e de tudo o que tinha ele só não abriria mão de sua liberdade por aquele doce, de resto trocava sem se quer pensar...

    (...)

    

    Os dias se passaram, a vida foi se moldando novamente. Ele fazia tudo certo, não ousaria arriscar seu maior bem: a liberdade sonhada. Ele, o indivíduo, procurou a família, tentou reencontrar os amigos, madrugou todos os dias em busca de um emprego, fosse ele qualquer coisa. O agora, quase infeliz tinha noção que independente do que fizesse nada seria tão difícil ou humilhante quanto estar preso.


    Dia após dia ele tentou. Eu sei. Deus sabe o quanto o infeliz buscou uma vida de homem livre, mas tudo o que ouvia, quando chegavam a falar com ele, era: Não. Uns mais incisivos, outros tímidos, alguns quase mudos; ouviu nãos de todas as formas, em todos os tons, com todos os timbres, sempre NÃO, mas todos sem exceção acompanhados de olhos repressores, olhos que só viam um passado ao qual ele jurava não mais pertencer.



    E assim, sem maiores condições de sonhar e condição alguma de realizar ele finalmente entendeu o que ninguém conta, o que velamos em silêncios cortantes e ações desmedidas, ele percebeu que uma vez prisioneiro, eternamente preso.



(...)


Assim somos nós. Prendemos as pessoas, e independente do quanto mudem ou se esforcem sempre as deixaremos no mesmo lugar; às margens da nossa "perfeição". Às margens daquilo que não se condenou ainda.

domingo, 7 de outubro de 2012

Água!

Um dia ainda descubro porque as lágrimas dos outros me saem tão fácil...

sábado, 29 de setembro de 2012

Tempo livre, peito rasgado...







Com o tempo aprendi que um peito rasgado pode ser sinônimo de dor; mas pode também ser um sinal de abertura, um lugar por onde algo especial entrará...

domingo, 23 de setembro de 2012

Das curas que matam...

Às vezes eu sinto falta de um certo tipo de dor...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

As caminhadas dos ser e estar...

Eu usei toda a força que tinha,
mas agora exausto no chão eu vejo que essa corda puxa apenas para um lado,
Sua justiça e sua tolerância não parecem respeitar meu desejo.
Estou cansado de ameaças veladas em um amor desigual.
Estou no chão e não há mais forças para levantar.

Eu quis ver mais luz, mas a escuridão foi o caminho.
corri sem enxergar nada porque acreditei na chegada,
mas agora percebi ser melhor a espera,
aprendi com a dor o que só ela pode ensinar.
Aprendi a calar e perdido temo não saber recuar,
adentrei em mim e me perdi.
Sou confusão que a terra engole.
Sou silêncio que esconde, e silêncio que é verdade absurda.


Estou um homem calado em dores que o medo afaga...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

oração

eu te entrego as correntes,
aceito ser vítima do meu cansaço, 
e da sua balança corrompida;
tenho as mãos livres, mas não tenho força para carregar mais nada,

estou tão perdido com tanta neblina,
e o sol faz tanta falta em tamanha dor,
eu queria olhos que enxergassem
eu queria um coração cego;
e queria não saber que a culpa é dessa vontade incontrolável de querer,
e querer mais, e mais uma vez querer.

eu te entrego a pá,
cavei e agora desço esse abismo que desejei,
soterraremos mais um pouco de nós em mim;
eu respiro tão pouco aqui.

não reconheço o fim dessa descida, 
mas entendo que ela não é menor que meu desistir,
que meus pés se cansem, 
que minhas pernas parem, que a recusa da descida seja fato.
nem sempre continuar é uma boa escolha, preciso parar.

quero parar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Atos e fatos da espera...



...

De repente tudo ficou tão perdido na luz,
é como se andar no escuro me desse certezas,
eu temo pelo que agora vejo,
e sinto falta da ilusão que acariciava a alma.

Eu quero mais, mas sinto medo de admitir a ausência.
Temo e tremo em pensar,
tremo e sublimo em sentir;
eu quero mais.

Eu não sei ao certo com agir,
não sei o que sentir, ou o que esperar,
Eu não posso negar o que sentimos,
nem não posso fingir o quanto não sei do tanto que nos pertencemos.
Eu te pertenço tanto quanto a mim pertence a certeza desse amor.

...

De repente anoiteceu lá fora, 
e no quarto a luz das verdades nos cega em olhos úmidos,
eu te desejo mais agora,
eu consumo fatos, silêncio, falo com os olhos, toco com a língua,
me entrego. E em tua perdição me encontro.
Me alimento do mel.
Me completo em você.

...

De repente tudo passa a ser grande novamente,
E eu volto a esperar.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Eu vento...

Eu vento...
voo longe,
me deixo levar,
apenas vou,
eu vento,
evento único para acompanhar o tempo que vai...
eu vento...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dança comigo?!

Acho que não estou enxergando muita coisa,
e meu pés começam a amortecer,
sinto um incomodo estranho,
é muita gente para quem está só em uma festa.


Eu poderia beber mais,
poderia sorrir e fingir estar me divertindo,
eu até poderia dançar, mas sem você fico pequeno.
Sem você erro os passos, perco a graça.


Então eu peço:
-Dance comigo essa noite?!


Esqueça a música, 
não há mais pessoas,
somos eu, você e nossos corpos.
Apenas dance.


Por dias eu sonhei com você em mim,
e agora que minhas preces se tornaram festa, dance.
Dance comigo quando acabar a música,
quando meus pés não alcançarem mais o chão,
ou mesmo quando as luzes fizerem dia.
Dance comigo, apenas dance.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Pobres Putas Pobres...

gosto da rameiras mais pobres,
as de baixo calão mesmo.
gosto dos desapudores,
dos desapegos e dos desassossegos que carregam em suas almas rotas.
eu gosto de putas pobres.
dos cheiros peculiares de agrado desmedido,
de suas gargantas quente e suas bocas silenciosas,
gosto de suas habilidades inacreditáveis e gosto de suas humildades desnecessarias.
eu gosto de sua falta de noção,
da sua ignorância de troca,
gosto das suas burrices,
gosto de putas pobres porque tudo dão,
porque pouco pedem,
gosto dessas putas servis,
essas tortas mães e amantes em relações quase de Édipo,
em fantasias cruéis que só existem pra elas,
não há relação, não mães e tão pouco sentimentos,
são apenas pobres putas, nem eu existo por tão pouco.
é ilusão.
são putas e são pobres, o que as faz não ser...